quarta-feira, 9 de maio de 2018

A Lenda de Sigurd e Gúdrun - J. R. R. Tolkien

   "Há muitos anos, J. R. R. Tolkien compôs a sua própria versão, agora publicada pela primeira vez, da grande lenda da antiguidade nórdica, em dois poemas intimamente relacionados, a que deu os títulos de «O Lai dos Volsungos» e «O Lai de Gudrún».
   Em «O Lai dos Volsungos» conta-se a história do grande herói Sigurd, o assassino de Fáfnir, o mais famoso dos dragões, de cujo tesouro se apoderou, o despertar da valquíria Brynhild, que dormia rodeada por uma muralha de chamas, e o noivado dos dois. Após a chegada de Sigurd à corte dos grandes príncipes niflungos (ou nibelungos), o herói desperta o amor mas também o ódio da feiticeira dos Niflungos, versada nas artes mágicas.
   Em cenas de grande intensidade dramática, troca de identidade, paixões frustradas, ciúmes e disputas amargas, as tragédias de Sigurd e Brynhild, de Gunnar, o Niflungo, e Gudrún, sua irmã, atingem o auge com a morte de Sigurd às mãos dos seus irmãos de sangue, o suicídio de Brynhild e o desespero de Gudrún.
   Em «O Lai de Gudrún» é contado o seu destino depois da morte de Sigurd, o casamento, contra a sua vontade, com Atli (ou Átila), governante dos Hunos, o assassinato dos seus irmãos, os senhores niflungos, e a sua vingança hedionda.
   Sendo a sua versão inspirada, principalmente, no estudo atento das antigas poesias norueguesas e islandesas conhecidas como Edda Poética (e no posterior trabalho em prosa, a Völsunga Saga), J. R. R. Tolkien utilizou estâncias curtas cujos versos conservam em inglês os exigentes ritmos aliterativos e a intensa energia dos poemas da Edda."

   Boas Leitores!

   J. R. R. Tolkien volta ao blogue com uma das obras menos conhecidas dele. Como categorizar esta obra depende um pouco de cada um. Ficção, não-ficção, análise de uma obra antiga? Está ao gosto de cada um, talvez considere uma mistura entre ficção e não-ficção, o certo é que é muito diferente do que estamos acostumados para quem leu O Senhor dos Anéis.
   Esta obra é muito mais densa do que a famosa trilogia do autor. É uma análise detalhada de poemas épicos antigos, feitas por J.R.R. Tolkien e editadas pelo seu filho, e a complexidade desta obra lembrou-me de quando li A Divina Comédia. Não é aborrecida, mas que demora o seu tempo a ser lida, isso demora. É preciso ler com calma e compreender o que realmente significam cada estrofe ou verso, e mesmo com a ajuda das notas do autor por vezes vemo-nos a debater sobre qual é a mensagem que querem transmitir.
   Por outro lado foi muito interessante saber deste tipo de literatura vinda de países europeus nórdicos. Normalmente ouvimos falar de Os Lusíadas, Ilíada e muitos outros, tudo escrito por autores dos países europeus do sul, quase como se o tipo de escrita não tivesse existido nos países nórdicos (o que ficamos a saber como mentira e também algumas das razões por não ouvirmos tão constantemente).
   Outro pormenor engraçado é o facto de começarmos a ver semelhanças entre estas lendas nórdicas e a famosa trilogia de O Senhor dos Anéis. Podemos perceber de onde alguma inspiração veio. Não que seja importante de todo para o livro, mas são pequenas surpresas para aqueles fãs de worldbuilding.
   De resto não há muito mais a dizer, não podemos analisar personagens que por si só estão a ser analisadas no livro, nem o enredo de uma análise. A única mensagem que passa é: isto é uma análise a uma obra e não uma obra de ficção em si. Atenção para aqueles que vão comprar este livro a pensar que é uma história de fantasia escrita por J.R.R.Tolkien.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Soul Eater vol.22 - The Desire and Flames Named Insanity - Atsushi Ohkubo

   "The remaining Death Weapons, along with Kid, gather to stage their assault on the moon. As they approach the Kishin's hideout, Stein and Justin clash in a violent, madness-fueled battle. Stein struggles to maintain his grip on sanity while Justin draws power from the Kishin's inexhaustible aura of madness. Everyone knows there will be casualties on the road to restoring "order"--but will Stein become the first?"

   Boas Leitores!
   Vigésimo segundo volume lido! Só faltam mais três volumes e a saga estará terminada! Este volume conta também com cinco volumes, o que é um bónus em si.
   E tem tanta coisa a acontecer! Este volume contém apenas a continuação do arco que já tinha sido iniciado antes, ou seja, os cinco capítulos estão baseados na guerra que está a acontecer na lua e no grupo Spartoi atrás de Crona. Mas não há nada de errado com isso, antes pelo contrário.
   Estas duas partes da guerra estão presentes nos cinco capítulos, mas nem sempre nas mesmas "concentrações", há capítulos mais focados num ou noutro ponto. No entanto é sempre bom estarmos a ser actualizados quanto ao que está realmente a acontecer em todas as partes da guerra.
   Não existe nenhum desenvolvimento de personagens em todo o volume. Ou talvez haja. Ainda não me decidi bem quanto a isso, o certo é que nenhum dos protagonistas é protagonista no desenvolvimento, quem tem esse papel na história é uma das personagens secundárias.
   O que há bastante são lutas e acção. Em todos os capítulos temos disso. E enquanto as lutas ocorrem temos personagens em todo o lado a fazer outras mil coisas, procurar o Kishin, fazer pactos, salvar pessoas, procurar pessoas, etc. E no meio desta confusão toda temos o leitor, que, surpreendentemente, não se sente perdido e sim ansioso para saber mais.
   A luta principal é com Stein, uma das personagens secundárias mais interessantes, e no meio da luta, a lição que o leitor aprende é algo valioso também, o que acrescenta alguns pontos positivos a este volume.
   Os outros pontos negativos (que são pequenos) reflectem-se mais no fanservice que foi um pouco exagerado neste volume e na arte que está a conter cada vez mais esquizofrenia (e que, em si, faz completo sentido quanto ao que deveria ser, afinal quanto mais perto do Kishin, mais insanidade existe).
   Claramente o paço está a aumentar com o final desta saga, esperamos ansiosamente pelo próximo volume! Caso queiram saber mais sobre o volume anterior, basta seguirem o link: Crítica - Soul Eater Vol.21
   Boas Leituras... ;)
7.5/10

André

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Sangue Mortífero - Charlaine Harris

   "Com a excepção de Sookie Stackhouse, os habitantes de Bon Temps, no Louisiana, pouco sabiam sobre vampiros e nada sobre lobisomens. Até agora. Lobisomens e metamorfos revelaram finalmente a sua existência ao mundo e isso poderá ter custado a vida a alguém que Sookie conhecia. Mas a sua determinação para descobrir o responsável pelo homicídio é posta de parte perante um perigo muito maior. Uma raça de seres sobrenaturais (mais velhos, poderosos e muito mais misteriosos do que os vampiros ou os lobisomens) prepara-se para a guerra. E Sookie, enredada ainda na teia de antigos amores, ver-se-á como peão demasiado humano nesta batalha."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos nós outra vez na saga Sangue Fresco, dez meses depois do último volume lido. Esta obra é o nono volume da saga, que conta com um total de treze volumes. Isto significa que faltam apenas mais 4 volumes e finalmente esta enorme saga estará terminada!
   Agora o que dizer desta história? Duas grandes constantes que esta obra tem são dilemas amorosos e acção a torto e a direito. Fazem sentido? Muitas vezes não.
   Comecemos pelos dilemas amorosos. Não foi nada inesperado visto que toda esta saga gira à volta da protagonista, Sookie Stackhouse apaixonar-se a torto e a direito por todo o tipo de seres. E acabar sempre por ficar indecisa sobre por qual estará realmente apaixonada. Neste volume temos um pouco mais de dilema centrado no Eric do que noutras personagens, mas quanto mais nos aproximamos do final, mais os dilemas amorosos voltam à superfície, criando este vai e não vai aborrecido que a autora devia terminar de uma vez por todas.
   E quanto ao segundo ponto, a acção explosiva a toda a hora. Muitas das vezes foram cenas de acção que não me captaram absolutamente nada, ou pareciam demasiado falsas, o seu contexto não fazia qualquer sentido, como estar rodeado de seres que morrem com uma borrifadela de limonada, mas nem sequer fazerem uso desse pormenor. E por outro lado, no início da obra temos um acontecimento que catalisa toda a acção para o resto do livro, mas que a protagonista quase não liga nenhuma. Vamos tendo de vez em quando um desenrolar disso, mas é quase como se tivesse em segundo plano. Pareceu-me que a autora quis empacotar demasiados acontecimentos num livro com pouco mais de duzentas páginas.
   Com isto tudo, talvez possa dizer que o desenvolvimento da personagem principal possa ter acontecido, talvez até fosse algo positivo do livro, no entanto, há ainda muita coisa a ser melhorada. E talvez se a autora não se focasse tanto nos dilemas amorosos, mas sim em temas como por exemplo os metamorfos virem a público e as consequências desse acto, a obra poderia ter sido muito melhor.
   Caso queiram saber mais sobre a saga, nomeadamente o volume anterior, basta clicarem no seguinte link: Crítica - Laços de Sangue
   Boas Leituras... ;)
4/10

André

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Mulheres Perigosas - Vários Autores

   "Atenção: O perigo está à espreita perto destas mulheres!
   Se procura um livro em que as mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão, este livro não é para si. Aqui encontrará mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatale astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam.
   Com organização de George R. R. Martin, que assina igualmente um conto passado no mundo de Westeros, e de Gardner Dozois, esta é uma antologia que cruza géneros literários e mistura todos os tipos de ficção, desde Megan Abbott a Brandon Sanderson."

   Boas Leitores!
   Mais uma semana e mais um livro. E uma vez mais, uma antologia organizada por George R. R. Martin, parece que ultimamente é tudo o que leio. Mas este é o último por uns tempos, prometo! Esta obra, intitulada Mulheres Perigosas é apenas metade da obra original Dangerous Women. Mais uma vez a edição portuguesa decidiu dividir a obra em duas.
   Mesmo assim esta obra contém contos de onze autores diferentes, entre eles nomes conhecidos aqui no blogue como por exemplo Joe Abercrombie, Brandon Sanderson e George R. R. Martin. Um pormenor que me deixou curioso era saber se a edição portuguesa respeitava a ordem pela qual George R. R. Martin teria organizado os contos, mesmo que tivesse dividida em duas. Após alguma pesquisa consegui perceber que não. Para além de dividir a obra em duas, a ordem dos contos não é a mesma que a original. Não sei se considero uma opção acertada, e gostaria de saber o porquê de terem feito isto, visto que não me parece haver alguma explicação lógica.
   Quanto ao tema desta antologia, foi algo que à medida que lia ia percebendo que me tinha enganado, mas que não me desiludira, pelo contrário, ficara surpreendido pela positiva. Ao ler o título da antologia as ideias que vinham à cabeça eram algo como super-heroínas que salvavam mundos ou batalhavam com vilões maquiavélicos, as típicas badass que não me entusiasmam muito. Mas não. O titulo é literal, são mulheres que são perigosas, por vezes para elas, outras vezes perigosas para os que as rodeiam. Foi bom perceber isso com contos de Megan Abbott e Melinda M. Snodgrass que apesar de conhecer as autoras de nome, nunca tinha lido nada delas e fiquei surpreendido.
   E depois temos o lado mau. E esse lado foi uma única autora: Sharon Kay Penman. O conto desta autora foi lento, sem qualquer emoção e que, a meu ver, não cumpriu de todo o que esta antologia prometia: Mulheres Perigosas. O conto dela foi no género de romance histórico, mas isso não quer dizer nada, afinal temos Joana d'Arc como uma das mulheres mais perigosas da história, mas este romance histórico foi simplesmente aborrecido. A protagonista do conto não só não era perigosa como não trouxe nada de entusiasmante para o conto.
   Todos os outros contos foram ou bons, ou muito bons, Brandon Sanderson com o seu worldbuilding brilhante, ou Joe Abercrombie com a sua escrita crua, ou mesmo Megan Abbott com a sua escrita envolvente, todos eles foram brilhantes e espero que os editores portugueses não tenham metido todos os melhores no primeiro volume, porque estou desejoso de ler o próximo e não quero ser desiludido!
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Histórias de Vigaristas e Canalhas - Vários Autores

   "Recomendamos cautela ao ler estes contos: Há muitos vigaristas e canalhas à solta. 
   Se gostou de ler Histórias de Aventureiros e Patifes, então não vai querer perder novas histórias com alguns dos maiores vigaristas e canalhas. São personagens infames que se recusam a agir preto no branco, e escolhem trilhar os seus próprios caminhos, à margem das leis dos homens. Personagens carismáticas, eloquentes, sem escrúpulos, que chegam até nós através de um formidável elenco de autores. 
   Com organização de George R. R. Martin, um nome que já dispensa apresentações, e Gardner Dozois, tem nas mãos uma antologia de géneros multifacetados e que reúne algumas das mentes mais perversas da literatura fantástica."

   Boas Leitores!
   Aqui temos uma nova opinião que, estava eu já a meio desta obra quando me apercebi que o livro que eu lia não era mais do que a segunda metade de um que eu já tinha lido. A antologia de nome original Rogues é, em português, a junção desta obra com a obra Histórias de Aventureiros e Patifes. Ou seja, temos uma vez mais, a clássica estratégia portuguesa de dividir as obras em dois volumes. Um pormenor que me questiono é se a edição portuguesa respeitou a ordem em que George R. R. Martin e Gardner Dozois puseram os contos, ou se os volumes portugueses têm a sua própria ordem de contos.
   O certo é que este volume teve muito menos contos que gostasse muito. Aliás, houve apenas dois autores, Joe Abercrombie e Daniel Abraham que gostei imenso dos seus contos. Joe Abercrombie pela actividade e criatividade que o seu conto tem, lendo-se em poucos instantes mas sentindo-nos como se tivéssemos tido uma aventura. Quanto a Daniel Abraham foi mais pelo mundo criado que era simples e, no entanto, tinha o seu quê de complexidade e originalidade, o enredo foi também engraçado e com os seus pequenos twists que valeram muito a pena.
   A seguir a estes favoritos houve dois que estavam bons também, eram de Garth Nix e Matthew Hughes. Tinham o seu quê de interessante, e por certo captaram a atenção, mas não foi o suficiente para chegarem ao patamar de "estrondoso" ou "genial", mesmo assim, os quatro acima escolhidos foram definitivamente os melhores.
   Na categoria a seguir, os que chamaria "meh" ou "simplesmente ok" foram contos de Cherie Priest, Carrie Vaughn, Steven Saylor e Michael Swanwick. O problema destes foi muitas vezes não terem sido originais ou chamativos o suficiente para me agarrar neste formato de contos. Talvez se lesse estas histórias mas num formato de livro, onde houvesse mais desenvolvimento e enredo ficasse mais interessado. Aqui foi por vezes demasiado rápido ou sem conexão aos protagonistas.
   Por fim, na pior categoria estão Bradley Denton, Walter Jon Williams e Lisa Tuttle. Os dois primeiros nomes foram postos nesta categoria de "não gostei mesmo nada" por achar que não cumpriram com o que o livro propunha (caso do Bradley Denton) ou então o conto era mesmo sem sentido ou mau (como o de Walter Jon Williams), nenhum deles era de ficção ou fantasia, o que possa ter contribuído para não gostar ainda mais dos contos. No caso da Lisa Tuttle, acho que foi mais uma pequena desilusão. Anteriormente tinha lido Windhaven, uma contribuição dela e de George R. R. Martin e tinha achado absolutamente genial, e esperava algo do género e o que saiu foi uma espécie de Sherlock Holmes feminino relativamente básico. As expectativas foram desiludidas e portanto todo o conto foi lido lentamente e a arrastar.
   Estou curioso para saber se acharam o mesmo, ou se os vossos favoritos foram os que eu menos gostei, qual gostaram mais? Para saberem da opinião da primeira parte do Rogues, basta seguirem o link: Crítica - Histórias de Aventureiros e Patifes
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Magi Vol. 2 - Shinobu Ohtaka

   "Aladdin and Alibaba have entered the Dungeon of Qishan hoping to find hidden treasure - but danger's found them!
   A horde of slimes closes in on them, while Lord Jamil and his slaves head into the dungeon looking to intercept Aladdin and grab any riches he may have found! But these rivals have more to worry about than each other, and new friends, new enemies and amazing riches are yet to be discovered!"

   Boas Leitores!
   Já voltámos a ter mais um volume de Magi no blogue! Ainda o último foi lido há pouco mais de um mês atrás e já estamos com o segundo volume de trinta e seis por agora.
   O que falei no volume anterior já começou a realizar-se. Se bem se lembram (ou se não se lembram, podem ver no link disponível no final desta opinião) o primeiro volume era de uma qualidade um pouco duvidosa. Muito acriançado, e como tal, previsível, tinha fanservice como se não houvesse mais nada no mundo, MAS que isso era só de início, e que se o anime tivesse sido fiel ao mangá, então a qualidade iria aumentar muito ao longo do tempo. Pois assim foi. Neste volume começamos a ter uma maior intimidade com os protagonistas, a saber mais pormenores não só deles no presente, mas também do passado de ambos. O desenvolvimento dos protagonistas está muito bem feito misturando um pouco de comédia nos momentos certos com a seriedade noutros momentos.
   Quanto a enredo, também ficou um pouco melhor, apesar de ainda não estar bem no seu crescendo. Consegue ser ideal na junção de mistério com aventura, ação e comédia entre muitos mais. No final do volume temos não um cliff-hanger gigantesco, mas digamos que temos um certo mistério que nos deixa curiosos para saber mais do próximo volume. Achei esse fim especialmente delicioso porque após uma aventura (e arco) ter terminado, o leitor não espera que voltem logo a outra aventura, ainda para mais da maneira que acaba a anterior, e deixar nesta espécie de mistério, não bem mistério, foi uma jogada de mestre.
   Agora a história está a melhorar, e com ela a pontuação do volume, desejoso de ler mais ainda, mal posso esperar pelo próximo volume. E agora o link do volume anterior: Crítica - Magi Vol.1
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

quarta-feira, 28 de março de 2018

Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft Volume 6 - Howard Phillips Lovecraft

   "Sexto Volume de Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft 
   O mestre do horror clássico está de volta com contos que ajudaram a moldar a definição de horror na literatura. Com tradução do Prof. José Manuel Lopes, este é mais um volume que ficará para a história do género em Portugal."

   Boas Leitores!
   Surpresa! Pensavam que esta saga terminava no quinto volume? Pois saímos todos enganados! Esse era o plano inicial da editora, mas como esta colectânea teve tanto sucesso eles acabaram por negociar mais dois livros, desta vez com contos de H.P. Lovecraft e contos que ele ajudou a escrever e que por vezes são associados a outros autores. Portanto esta colectânea passará a ter sete livros (na qual o sétimo é o único que ainda não está publicado, deve ser para breve) e este que aqui temos é o sexto.
   Esta obra é composta por oito contos, e tem cerca de 290 páginas, o que dá uma média de 36 páginas por conto. Para quê estas contas? Só para termos uma pequena noção se os contos são grandes ou não. Claro que há alguma variação, contos bem mais pequenos que isso ou contos um pouco maiores. No entanto o interessante foi que reparei que eram aqueles contos que ultrapassavam o número de páginas médio que me captavam mais o interesse.
   A maior parte dos contos foi interessante. Acho que apenas um ou dois é que achei aborrecidos. Os contos mais curtos captavam mais emoção imediata, em poucas páginas, Lovecraft conseguia agarrar-nos e meter os nossos níveis de ansiedade altos e a pensar "o que é que irá acontecer a seguir?". Epor outro lado os contos maiores tinham uma vertente que era a de criar um tipo diferente de ansiedade, algo que crescia com o tempo e ia aumentando com o suspense que se ia criando com o enredo. De qualquer das maneiras acho que este autor foi verdadeiramente um mestre na sua arte.
   E não nos podemos esquecer que estes contos foram escritos há quase cem anos atrás. Poderiam ter ficado tão desactualizados ou tão irreais que não surtiriam nenhum efeito no leitor da actualidade, mas o certo é que surte. A sua mitologia é tão real que torna-se intemporal.
   O único pormenor que tenho a apontar aqui e que reparei apenas neste volume (e de certo poderia ter reparado nos outros se tivesse um pouco mais de atenção) é a quantidade de vezes que Lovecraft usa palavras como "inexplicável", "indescritível", "inominável" e por aí fora para evitar descrever ou monstros ou divisões ou mesmo certas ações. Uma pequena ajuda que usa constantemente e que após repararmos é impossível não termos noção durante todos os contos.
   É definitivamente uma obra aconselhada a quem gosta de terror, nada melhor do que voltar às origens e ler um dos grandes autores do género do século XX. Caso queiram saber mais sobre a saga basta seguirem o link: Crítica - Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft Volume 5
   Boas Leituras... ;)
7.5/10

André