quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Attack on Titan Vol.1 - Hajime Isayama

   "For the past century, what's left of mankind has hidden in a giant, three-walled city, trapped in fear of the bizarre, giant humanoids known as the Titans. Little is known about where they came from or why they are bent on consuming humankind, but the sudden appearence of an enormous Titan is about to change everything..."

   Boas Leitores!
   Começamos uma nova saga de mangá! Attack on Titan é uma das novas sagas em que apostámos para poder ter grandes momentos de leitura! Esta saga tem actualmente vinte e quatro volumes publicados e já há mais dois com datas previstas para 2018.
   Como muitos de vós devem saber, esta saga tem já um anime que teve imenso sucesso. Eu vi esse tal anime e foi graças a ele que a minha curiosidade pelo mangá foi despertada. Ao fim de ler o primeiro volume tenho a dizer que foi em parte bem sucedida e noutra parte nem tanto.
   Quanto à fidelidade da história entre mangá e anime é fantástico como estão idênticas. Diria até fala por fala. Ao ler este volume senti que estava a assistir aos primeiros episódios da série e toda aquela emoção foi trazida de volta. Desde o suspense, passando pelo horror ao ver algumas das imagens mais sangrentas e até àquela esperança que o protagonista nos traz e por fim ao grande cliff-hanger/surpresa desoladora que surge.
   O enredo é deveras interessante, o primeiro volume consegue agarrar um leitor de forma rápida, mas isso também seria de esperar. É o momento decisivo entre começar uma nova saga ou não. O autor tem de agarrar os leitores logo de início. Quanto a personagens, percebemos já que os protagonistas têm bons backgrounds que eventualmente serão explorados e há várias personagens secundárias que são também apresentadas, dando já um ambiente confortável ao leitor.
   Algo de que não apreciei muito foi a arte dos titãs. No anime apesar de estranha é algo que traz o seu quê de estranheza que nos faz comichão no nosso interior, algo muito errado. No mangá isso não acontece. Quero dizer, alguns deles continuam a estar muito bem, mas o desenho dos titãs a mexerem-se está algo cartoonizado, o que não esperava. Talvez seja algo que vá melhorando ao longo dos volumes, logo veremos.
   Foi um bom início no geral, agora é vermos como é que a viagem corre daqui em diante.
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Terrarium - João Barreiros e Luís Filipe Silva

   "Bem-vindos ao futuro e ao colapso de todas as utopias por nós sonhadas.
   Estamos a meio do novo milénio e a Fortaleza Europa acabou de vez. Bruxelas não é mais do que uma cratera radioactiva, as zonas costeiras foram alagadas pela subida das águas e a temperatura ambiente aqueceu até o clima ser quase tropical. Quem olhar para o alto, nos raros dias onde ainda se podem ver as estrelas, vai descobrir um anel gigantesco composto pelas carcaças das naves de exóticos migrantes.
   Mas isso não é o pior. A verdade é que entre esses exóticos que nos vieram pedir guarida, existem criaturas ainda mais monstruosas que resolveram transformar o planeta num lugar de consumo: num TERRARIUM, a bem dizer...
   Preparem-se para viver num mundo prestes a ser assimilado, para o bem ou para o mal, numa nova e efémera utopia... Agora só nos resta resistir."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos nós com mais uma obra de autores portugueses ou brasileiros, Terrarium é uma obra isolada e muitas vezes descrita como uma obra em mosaico. E esta obra de ficção-científica tem muito que lhe diga.
   Comecemos exactamente pela explicação do porquê uma obra em mosaico. Esta obra é uma colectânea de contos escritos por ambos os autores. Apesar de serem contos distintos, alguns deles publicados antes em revistas, quando lidos pela ordem desta obra formam uma imagem mais completa, como que uma história com um princípio, meio e fim. É quase como se cada conto fosse uma peça de um puzzle, e enquanto lemos vamos obtendo mais peças até que completamos a imagem e temos uma noção de todo aquele universo. Como se não bastasse os autores dão-nos até uma escolha: três finais distintos, onde o leitor pode ler os três finais e decidir-se por qual gosta mais. Algo pouco usual, mas que fez completo sentido ao ler a obra.
   No entanto, nem tudo é um mar de rosas nesta obra. No início desta leitura estava a gostar e a sentir como que uma aventura naquele universo. O primeiro contou foi lido num ápice, e o segundo e o terceiro. Até que chegou a um ponto que os contos começaram a ficar mais aborrecidos. Parte disso deveu-se à imensidão de personagens, cada conto alterava os protagonistas, e se no início isso era divertido, acabou por tornar-se saturante e confuso nos últimos contos. Se a obra fosse um pouco menor (talvez ao rondar as 350 ou 400 páginas) teria sido um bom compromisso, visto que terminaria no ápice do entusiasmo do leitor. E aliado a esta característica, uma melhor exploração dos finais alternativos seria a cereja no topo do bolo
   Continua a ser uma obra fantástica, e que orgulha ainda mais a língua portuguesa, que não se conhece assim tanto neste género, tem apenas uns pontos fracos que se devem à própria propriedade que lhe é fantástica, ser uma obra em mosaico. É um exemplo de literatura portuguesa a ler.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A Ascensão de Arcana - Rafael Loureiro

   "Neste segundo volume da Trilogia Nocturnus entramos uma vez mais num universo intenso de romance, aventura e emoções fortes. Passaram-se quase seis anos desde a derrota do tirano Alexandre Phoenix, Arcana floresce agora sob a regência de Janus MoonHunter. Mas, no seu íntimo, Daimon ouve ainda o sussurro que lhe segreda que algo está errado. Será que os 328 anos da sua existência estão a enlouquecê-lo lentamente? Um terrível acontecimento abate-se sobre os vampiros de Arcana: a Lei do Silêncio - «Não revelarás a tua verdadeira Natureza ao Homem» - é quebrada! A Daimon, Janus, Andrew, Lilia, Pandora e Ascelli juntam-se agora três outros vampiros, enviados a Arcana para ajudar a encontrar e punir aqueles que desafiaram quebrar a Lei. Mas também estes forasteiros guardam segredos, e estranhos acontecimentos levam Daimon a desconfiar que o culpado poderá estar mesmo a seu lado..."

   Boas leitores!
   Voltamos à trilogia de Rafael Loureiro, com o segundo volume, A Ascensão de Arcana. Esta trilogia está completamente publicada, em português pela Editorial Presença.
   Esta obra continua a história de Daimon. E embora o primeiro volume trouxesse uma sensação de reconhecimento (por serem vampiros, again) e ao mesmo tempo de novidade (pela sociedade ser ligeiramente diferente) que, em conjunto, alegravam um pouco a leitura, essa alegria foi perdida com o segundo volume.
   O enredo foi simplificado numa história de nem duzentas páginas, onde o mistério seria o foco principal, mas que saiu apenas uma aventura digna de filmes de domingo à tarde. Não houve qualquer suspense ou nervosismo ao ler. As personagens pareciam que passeavam pelos cenários a cumprir tarefas sem qualquer emoção que as identificasse com o leitor. E já que falamos em personagens, esse foi um ponto de desilusão também. Embora a obra seja pequena, era de esperar que, para que haja alguma ligação entre personagens e leitores, que as personagens evoluam, que cresçam num bom ou mau sentido, desde que haja mudanças nelas. Isso não aconteceu, aliás, para além do protagonista parece que mais nenhuma personagem existe naquele mundo, são todos bonecos ou fantoches sem qualquer personalidade.
   E parte disso deve-se a um factor muito importante: a escrita. A escrita do autor não evoluiu do primeiro para o segundo volume. À escrita simples e demasiado directa associada a uma primeira obra de um autor, pensei que fosse eventualmente haver uma evolução onde o autor fosse melhorando com a trilogia. Isso não aconteceu, este segundo volume continuou com uma escrita demasiado simples, recorrendo a apoios de escrita demasiado básicos, e se antes isso era desculpável num primeiro volume, deixou de o ser quando se chegou ao segundo. Ainda tenho esperança de que no terceiro e último volume, a escrita melhore, e com ela a história, mas para já terei de dar uma pausa a este autor e avançar com outras obras.
   É um livro que deixou muito a desejar, mas que felizmente não era grande e, portanto, foi lido num ápice. Veremos como o terceiro volume estará... Caso queiram saber mais sobre o primeiro volume, basta seguirem o link: Crítica - Memórias de um Vampiro
   Boas leituras... ;)
3/10

André

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Bakuman Vol.20 - Dreams and Reality - Tsugumi Ohba & Takeshi Obata

   "Average student Moritaka Mashiro enjoys drawing for fun. When his classmate and aspiring writer Akito Takagi discovers his talent, he begs Moritaka to team up with him as a manga-creating duo. But what exactly does it take to make it in the manga-publishing world?
   For ten years, two young men have worked as hard as they possibly could to make their manga dreams come true. Now, as they sit atop the manga world, can the promise made long ago finally be fulfilled?!"

   Hello readers!
   Bem, aqui está, o último volume da maratona que foram os vinte volumes de Bakuman. Com vários altos e baixos, tenho que afirmar que este volume foi uma boa cereja no topo do bolo. Este volume tem os oito capítulos finais desta história.
   Foi de forma surpreendente que os últimos capítulos de Bakuman trouxeram nervosismo e emoção até mim. Mesmo já tendo visto a série animada, e, como tal, saber o que iria acontecer, ler este volume foi como se não soubesse de nada. Não por ser diferente, mas pela maneira como foi desenhado e escrito, o suspense que os autores criam atinge os leitores de maneira certa. Os primeiros capítulos deste volume foram lidos num ápice, a acção do arco não permitia de outra forma, não pelo menos até conseguirmos saber quem sairia vencedora do concurso (mesmo toda a gente sabendo quem é que acabaria por ser a vencedora, o que só demonstra a qualidade de escrita e desenho dos autores). Imagino que num cenário onde leria estes capítulos semanalmente, como eles saíram no Japão, ao ver estes capítulos não teria ideia que a história estaria a acabar, como tal, o resultado seria imprevisível para mim, tal como foi várias vezes ao longo do enredo.
   Como seria de adivinhar, este foi o volume com maior romance, o que em si é uma pena e uma bênção. Uma pena visto que este romance é o catalisador de toda a história, e seria interessante ter um maior input disso ao longo do enredo. Por outro lado, foi uma bênção ter este romance agora para podermos dar um ponto final de forma feliz.
   Quanto à minha opinião overall da saga, acredito que possa ser polarizante. Por um lado é uma série que sabemos desde o início qual será o seu fim, como tal, não haverá surpresas finais, nem mistério. No entanto, o que conta nesta história não é o seu final, mas sim o percurso. Saber as engrenagens da publicação de mangás, e ver jovens a concretizar os seus sonhos, é disso que esta saga se trata, e quanto a esses objectivos, posso dizer que foram cumpridos. O último volume fez questão de nos dar a cereja no topo do bolo que fomos vendo a ser cozinhado ao longo de todo este tempo.
   Caso queiram saber da minha opinião aos outros volumes, porque nem todos foram bons, foi uma viagem de altos e baixos, basta seguirem os links: Crítica - Bakuman Vol.19 - Decision and Delight
   Boas Leituras... ;)
9/10

André

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Os Portões da Casa dos Mortos - Steven Erikson

   "O Império Malazano é abalado por uma purga da nobreza onde muitos aristocratas são traídos e desterrados para as minas. Enquanto isso, no Sagrado Deserto Raraku, a Vidente Sha'ik e os seus seguidores aguardam o líder prometido de uma rebelião há muito profetizada.
   Perante esta insurreição brutal, as forças malazanas terão de recorrer a um plano de evacuação desesperado e audaz para salvar os refugiados imperiais. De uma dimensão e selvajaria nunca antes vistas, este pico de fanatismo e sede de vingança irá mergulhar o Império Malazano num conflito sanguinário onde as hipóteses de sobrevivência não estão ao alcance de todos."

   Boas Leitores!
   Voltamos às obras estrangeiras. E desta vez é mais uma obra de Steven Erikson, o seguimento da saga O Império Malazano este livro é a primeira metade do segundo livro original.
   E que pena ser apenas a primeira metade, pois o certo foi que ao acabá-lo queria pegar imediatamente no próximo. Mas ainda tenho de esperar algum tempo, que a outra metade ainda não está publicada em português (mas está em processo!).
   Se bem se lembram, a obra anterior tinha sido um pouco confusa de início devido a todos os nomes diferentes de personagens, raças, locais, magias e toda uma outra panóplia de coisas. Este não mudou muito nesse aspecto. O início foi caótico, com uma catrefada de nomes atirados ao leitor. Mas não que isso seja mau, o leitor é atirado para um mundo que desconhece (ou que tem apenas um ligeiro contacto com a primeira obra) é normal nem tudo fazer sentido. Por boa escolha, esta obra tem algumas personagens do primeiro livro, criando assim uma ponte entre os dois onde o leitor pode descansar e sentir-se seguro de que não está à deriva das páginas.
   E assim aconteceu, antes que desse por isso estava agarrado às personagens que não tinha conhecido antes, a querer saber o que fariam. Antes até me poderiam ser personagens indiferentes, mas o certo foi que a escrita do autor conseguiu atirar gavinhas na minha direcção e prender-me àquelas que não dava muita atenção. Outro pormenor na escrita, que consegui perceber só no final, foi que a minha opinião mudava ao longo da obra, tanto gostava de certa personagem, como passei a ter um ódio de estimação por ela, contudo, havia momentos que poderia torcer por essa personagem ainda. Isto é um traço de um grande escritor!
   Quanto ao enredo, é uma história que não falta de grim dark no seu género. Sanguinária às vezes, com descrições detalhas que dão ainda mais intensidade à história, este género carrega a loucura e tensão que os continentes onde esta obra se passa estão a sentir. O único defeito foi ter acabado a meio, ainda por cima quando estava no climáx da acção. Poderia ter lido a outra metade num outro instante.
   Como já disse, e repito, estou desejoso de ler a segunda parte, e experimentar mais da escrita deste autor fantástico. Caso queiram saber sobre o primeiro livro da saga, basta seguirem o link: Crítica - Os Jardins da Lua
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Anjo Branco - José Rodrigues dos Santos

   "A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo.
   O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
   No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda do mato.
   Chamam-lhe o Anjo Branco.
   Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.
   Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens dignas de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África."

   Boas Leitores!
   E aqui estamos mais uma vez com José Rodrigues dos Santos, ou neste caso, com uma obra dele. Como todas as outras obras, esta é mais uma obra isolada, que não necessita de leitura prévia ou posterior para poder entender-se tudo. Contudo, caso estejam interessados, existem pequenos pormenores da obra A Vida num Sopro que interagem com a obra que estamos a opinar aqui. Não é, de todo, uma leitura necessária para que se consiga entender a obra O Anjo Branco.
   Este livro versa sobre o Ultramar, caso não tenham entendido isso pela sinopse, e sobre como essa guerra alterou muito o estado dos países de África. Temos uma perspectiva muito boa escrita pelo autor, tanto de como Portugal vê as colónias, num tom depreciativo e racista, mas também de como tenta fazer-se por vezes o melhor para eliminar essas diferenças e distâncias raciais. Escrito numa típica escrita simples do autor, este livro de mais de 600 páginas lê-se rapidamente.
   A obra teve um modus operandi semelhante à última obra que li dele, onde vemos no início do livro o nascimento e crescimento duma criança que eventualmente dá origem ao protagonista da história. Desta vez o segundo protagonista foi só introduzido depois do crescimento da primeira, quase como se o ápice do primeiro protagonista fosse o início do segundo, apesar de eles não entrarem em contacto até muito depois no livro.
   Tirando estas duas personagens achei que o resto delas tinha pouco material onde se agarrar. Esperava que Mimicas, umas das personagens femininas fosse ter uma maior importância, que não teve, tal como Sheila, ambas com finais repentinos. Não sei se foi de propósito, querendo mostrar o facto de que naquela altura, em Portugal, o papel feminino quase não existia e o mundo era governado apenas por homens.
   O enredo foi por certo interessante. A parte final do livro, apesar de um pouco apressada, criou emoções fortes e vontade de ler tudo num ápice. Se tivesse sido um pouco mais prolongada, principalmente nos efeitos pós-"terrível segredo", acho que ficaria ainda melhor, teríamos um final conclusivo, em vez de algo que ficasse um pouco em aberto, principalmente quanto às relações entre personagens.
   É, contudo, uma grande obra. Para aqueles que têm interesse no Ultramar, esta é a obra a ler. Outros factores como romance ou intriga, o autor tem melhores livros para isso.
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Luz Miserável - David Soares

   "O horror está de volta.
   Nestas três histórias, David Soares (O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados) apresenta imagens de luz e trevas que não deixarão ninguém diferente.
   Do ambiente exótico de A Sombra Sem Ninguém, passando pelos interiores claustrofóbicos de A Luz Miserável, até à extravagância macabra de Rei Assobio, prepare-se para conhecer personagens inesquecíveis, como um homem "quase" invisível, três soldados amaldiçoados e um velhote mutilado e vingativo.
   Do suspense ao splatterpunk, A luz Miserável é um livro de contos provocadores, diabólicos e literários. Uma viagem vertiginosa ao lado negríssimo da imaginação."

   Boas Leitores!
   Mais uma semana com um autor português a aparecer no blogue! Desta vez não é uma estreia, David Soares de volta. Esta obra é uma obra isolada que conta com três contos (de que são falados na sinopse). É uma obra pequeníssima que não chega às 150 páginas, mas que tem muito para contar.
   Esta obra é completamente diferente da anterior que li do mesmo autor, Batalha. Estes três contos não são, de todo, para os mais susceptíveis. Com descrições bastante gráficas de cenas violentas, o leitor consegue ter toda a imagem mental do que lê. No que toca ao horror, este autor está de parabéns porque conseguiu atingir o objectivo no alvo.
   Falando dos contos em separado, o primeiro deles foi o mais fraco na minha opinião. Foi o que conteve mais fantasia de entre os três e menos horror, talvez por isso tenha achado o mais fraco. Ao comparar com os dois seguintes este não carregava a mesma emoção nem força motriz para ser lido.
   O segundo foi, de longe, o meu favorito. Começa de forma horrenda e misteriosa, do qual o leitor pouco vai entendendo. Mas o autor vai dando pequenas pistas sobre o que aconteceu e o que está a levar ao presente na história e, após uma grande cadeia de acontecimentos psicadélicos, ficamos num estado de choque perante a imagem que temos do final deste conto.
   O terceiro foi o que ficou a pender para o bom lado destes três. Também virado para o horror, com grandes descrições, só não ganhou mais ímpeto por achar por vezes demasiado longo no seu desenvolvimento. Talvez tenha sido fruto de ter lido dois contos menores antes e estar à espera de mais do mesmo, o certo é que a qualidade deste conto é também alta.
   No geral é uma obra de horror escrita por um autor português equiparável ao grande Stephen King. Fiquei definitivamente curioso em ler mais deste autor, de preferência neste género. Aconselho a todos aqueles que gostem de se sentirem horrorizados por descrições e ficarem com um olho a espreitar para todos os cantos à espera que algo apareça.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André