sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Se Acordar Antes de Morrer - João Barreiros

   "Sinto-me honrado por poder apresentar-vos este livro. Por várias razões, entre as quais avulta não só o respeito e admiração que tenho pelo autor e sua obra, mas também pela oportunidade do momento em que este volume nos é oferecido. A literatura de Ficção Científica portuguesa, a par de todo o género comum do fantástico, necessita de um instante destes, de uma publicação que nos faça pensar no passado, no presente e no futuro, em que a comunidade de leitores do género possa e deva ser confrontada com o que tem, com o que é, e com o que pode vir a ser. E é também uma boa altura para certos sectores repararem que algo de legítimo se passa fora dos cânones convencionais do realismo contemporâneo, para dar a conhecer um pouco mais ao grande público, este importante vislumbre de um corpus e de uma carreira dedicados à Ficção Científica, made in Portugal.

   Como todos concordarão, Barreiros é o nosso grande autor de FC; o único português que publica com alguma regularidade na distopia periférica do Cá-Dentro, que vai sendo, aos poucos, conhecido nesse mundo tecno-místico do Lá-Fora, e que se mantém sempre e irredutivelmente leal à FC Pura. Isto, embora não desdenhe usar de outros elementos típicos do fantástico, nomeadamente na área do horror. Mas para o ler da melhor forma, há que saber compreender as referências pop da nossa cultura ou da que estamos a perder."
in Prefácio de n. fonseca"

   Boas pessoal!
   Sei que já não dava notícias há algum tempo mas tem sido um pouco caótica a semana e como não houve nenhum BTT esta semana... Mas já cá estou com uma nova opinião.
   Este livro adquiri-o na Feira do Livro por diversas razões: estava a um preço baratíssimo, era de um autor português (temos de publicitar a literatura nacional não é?) e por último (e esta é um pouco fútil para alguém que lê tanto) porque achei a capa interessante.
   Portanto não sabia nada do autor, não sabia em que género iria calhar o livro e muito menos que seria uma colectânea de contos. Fiquei surpreendido mas não desiludido quando percebi isto. Mas apanhei algumas desilusões depois.
   A primeira veio com a forte opinião crítica que o autor tem contra a fantasia. Como escritor de ficção científica entendi em parte visto ser um género sempre em batalha com a fantasia. No entanto quando li um dos contos, em que percebi num instante que o autor não só criticava a fantasia numa sátira de certa forma engraçada, mas criticava um autor português (que é o mais grave de tudo) por escrever fantasia e, com isso, estar no Plano Nacional de Leitura Português. É lógico que não há prova nenhuma que sejam a mesma pessoa, mas acho que só quem não tiver dois dedos de testa não entenderá isso. E portanto para mim o escritor foi muito abaixo do nível que deveria ter ido, numa atitude bastante infantil.
   E o mais ridículo disto tudo é que apesar deste autor ser um tão defensor ávido da FC grande parte dos contos dele encaixam-se na minha consideração do que é fantasia e horror, o que de certa forma é um pouco contraditório, mas isso deixo à opinião de cada um sobre o que é fantasia e o que é FC.
   Apesar de tudo isto, não posso deixar de dizer que sim, alguns contos são originais e estão muito bem escritos, captando a atenção do leitor, e as explicações de como surgiram os contos como prefácios é uma boa ideia. Só é pena o autor pecar tanto pelo seu ódio aficcionado pela fantasia.
   Boa Leitura... ;)
5/10

André

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A Demanda do Visionário - Robin Hobb

   "O verdadeiro rei dos Seis Ducados desapareceu numa missão misteriosa em busca dos Antigos para salvar o reino da ameaça dos Navios Vermelhos. O seu irmão usurpador está determinado a impor uma tirania cruel e não abrirá mão do poder, a não ser com a própria morte.
   Fitz sabe que a única forma de pôr fim ao reinado do príncipe usurpador é iniciar uma demanda em direção ao reino das Montanhas onde irá descobrir a verdade sobre as profecias do Bobo.
   Mas a sua missão enfrenta um novo perigo com a magia do Talento a precipitar a sua alma para a beira do abismo. Conseguirá resistir à magia e ainda enfrentar os obstáculos que surgem à sua demanda?"

   Olá leitores!
   Isto andava abandonado de críticas. Até eu já sentia vontade de estar aqui a dar-vos a minha opinião sobre mais um livro. Mas aqui está outro livro lido e opinado.
   E uma boa notícia é que esta obra é a última da saga denominada A Saga do Assassino que conta com cinco obras todas elas publicadas no nosso pequeno país. É certo que após esta colecção existe ainda uma outra que se passa algum tempo depois, que eu comecei e não avancei até ter terminado esta, mas o certo é que pelo menos tenho outra saga completa.
   Quanto a este livro em si... Bem... Não foi o que esperava. Com o acumular dos outros livros (e em parte com o meu conhecimento do final da história) pensava que iria haver uma parte de mistério e uma outra parte, bem maior de acção e batalhas contra os tão mal-afamados Navios Vermelhos.
   Mas não. O livro foi passado grande parte dele como se fosse um livro de aventuras com alguns perigos e alguns problemas dentro do grupo. Depois há a tal parte de mistério, até um pouco interessante, se não se prolongasse tanto e de forma a que a leitura fosse perdendo a sua fome de devorar páginas.
   O fim então achei algo mau porque basicamente foi aquilo que as personagens não conseguiram em 420 páginas, conseguiram nas 20 seguintes magicamente de um momento para o outro de forma a salvarem o seu país. O que é certamente ridículo. Achei mesmo que a história precisava de uma lavagem literária aqui e remodelar um pouco, talvez fazer com que o trabalho que eles tiveram fosse mais visível e mais descritivo do que duas páginas a dizer que no fim salvaram tudo. Afinal esta é suposta ser a obra que termina a colecção, tem de terminar em grande.
   Mas nem tudo é mau e achei bom que a autora não se poupasse a sentimentos fantasiosos e pusesse alguma crueldade também com as personagens. Nesse sentido, na história emocional das diversas personagens acho que está bem feito e portanto essa é das poucas coisas que salva.
   Se quiserem saber mais da colecção, que atingiu o pico no terceiro livro na minha opinião, podem seguir os links e ler tudo: Crítica - A Vingança do Assassino
   Boas Leituras... ;)
6/10

André

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Booking Through Thursday - Obscuro

   Qual é o teu género favorito que outras pessoas podem não ler? Quero dizer, mistérios, romances, policiais... estas são todas categorias bem disseminadas. Mas os verdadeiros leitores normalmente não se limitam apenas a "grandes" géneros... Por isso qual é o teu tipo de livro pouco-conhecido? Livros de cães? Livros de tricô? Histórias acerca de corridas espaciais? Teoria matemática?

   André: Hmmm.... É verdade que eu tento ler sempre um pouco de tudo, mas a minha área está sempre mais focada na fantasia. Mas normalmente os géneros pouco conhecidos não me dizem muito. Livros de auto-ajuda não são de todo algo que goste imenso. Mas há certos livros que não encontro normalmente categoria para eles e que nos fazem pensar bastante, quase filosóficos... Acho que esse género é a minha resposta final.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Booking Through Thursday - Doente

   O que é que lês quando estás doente e só queres algo fácil e confortável? Ou vês televisão em vez de ler? (Assumindo que não estás a dormir uma sesta claro.)

   André: Normalmente não leio nada diferente de quando estou saudável. Mas curiosamente se não estiver a dormir acho que é das poucas vezes em que vejo um pouco de televisão. Se o livro já me tiver despertado o interesse aí não me importo de abdicar da TV e ler uma grande obra.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sangue-do-Coração - Juliet Marillier

   "Whistling Tor é um lugar de segredos, uma colina arborizada e misteriosa que alberga a fortaleza de um chefe tribal cujo nome se pronuncia na região com repulsa e amargura. Há uma maldição que paira sobre a família de Anluan e o seu povo; os bosques escondem uma força perigosa que prenuncia desgraças a cada sussurro.
   No entanto, a fortaleza solitária é um porto seguro para Caitrin, uma jovem escriba inquieta que foge dos seus próprios fantasmas. Apesar do temperamento de Anluan e dos misteriosos segredos guardados nos corredores escuros, este lugar há muito temido providencia o refúgio de que ela tanto precisa. À medida que o tempo passa, Caitrin aprende que há mais por detrás do atormentado jovem e dos estranhos membros do seu lar do que ela pensava. Só através do seu amor e determinação é que a maldição poderá ser desfeita e Anluan e a sua gente libertados..."

   Boas pessoal!
   Bem isto ultimamente anda lento quanto a novidades. Mas a ver se melhoramos! Aqui está uma nova crítica, duma autora já conhecida deste blogue, Juliet Marillier. Este livro não pertence a nenhuma colecção, é um livro isolado, felizmente que colecções inacabadas é o que não me falta.
   Infelizmente a autora não me surpreendeu de maneira nenhuma com este livro. Quando o comecei a ler bastaram cinquenta páginas se tanto para perder o interesse. Porquê? Porque eu lia e a primeira coisa que me vinha à cabeça era que a história era uma versão ligeiramente do conto infantil da Disney "A Bela e o Monstro". Havia um homem deformado, uma rapariga muito interessada em livros, um castelo meio abandonado e em ruínas, vários "espíritos" que eram amigos do homem deformado e uma maldição que, curiosamente, o amor conseguiu quebrar.
   Para além disso o facto de bastar uma das personagens aparecer duas vezes no início da história para perceber que era a pessoa por detrás de todos os problemas foi uma desilusão enorme. Não houve qualquer mistério nessa parte ou curiosidade em saber quem seria responsável por tudo.
   Acho que a melhor parte foi mesmo as páginas finais quando há batalhas e desafios entre personagens, teve algumas coisas menos esperadas e que entusiasmaram ligeiramente o leitor, de resto foi muito monótono e pouco realista dentro da fantasia que é o livro.
   Não é de todo dos melhores livros da autora, se têm uma boa imagem da escrita dela então não vos aconselho a lerem este. Esperemos que melhores leituras venham.
   Boa Leitura... ;)
4/10

André

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Booking Through Thursday - Shakespeare

   Okay mostrem as vossas cartas... quem leu Shakespeare (no caso de Portugal José Saramago ou Eça de Queiroz) FORA da leitura obrigatória escolar? Vês as peças de teatro? E os filmes? Amam-nos? Pensam que são sobrestimados?

   André: Sim já li livros de José Saramago fora da leitura obrigatória, li o livro Caím. Quanto a Eça de Queiroz não li mais nada dele. Já vi a peça de teatro de Os Maias, já filmes nem por isso. Quanto a serem sobrestimados, não acho. Foram bons autores, José Saramago ganhou o Nobel da Literatura o que não é para todos portanto, acho que merecem a fama. (E se falarmos de Shakespeare acho o mesmo, apesar de nunca ter lido uma obra inteira dele)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A Voz do Fogo - Alan Moore

   "Doze narrativas entrelaçadas de eventos recorrentes, estranhas tradições e visões assombrosas.
   Num livro repleto de luxúria e êxtase, encontramos doze personagens distintas que viveram na região de Northampton, em Inglaterra, durante um período de seis mil anos. Na tradição de Kipling e Borges, Moore viaja pela História misturando verdade e conjectura, num romance assombroso, comovente, por vezes trágico, mas sempre empolgante."

   Boas leitores...
   A semana já começou e com ela comecei a ler um novo livro. Acabei então este que é um livro isolado de um autor já muito conhecido mas que ainda não tinha tido o prazer de ler nada dele.
   E arrependo-me agora porque pelo menos este livro está genial de muitas maneiras. Os doze capítulos passam-se cada um numa época histórica diferente, desde 4000 anos a.c. até 1995. Sempre histórias diferentes por vezes com modos de escrita muito diferentes e maravilhosos.
   Há certos capítulos em que o autor dedicou-se afincadamente para retratar aquela época e resultou duma forma muito boa. Para além de engenhosa é cativante.
   Outro pormenor que acabou por resultar numa obra estrondosa foi o facto de em todos os capítulos vai havendo pequenas "lembranças" de outras histórias. Um colar com contas azuis, uma igreja circular, enfim tantas outras que mais vale lerem.
   Só tive pena do último capítulo, de todos os que houve foi para mim o mais aborrecido, quando podia ter muito potencial visto tratar-se da perspectiva do próprio escrito. Metade do capítulo foi a descrição da cidade e das suas ruas e não uma história em si.
   Bem é um livro de certa forma estranho e de certa forma cativante, acho que vale a pena lerem, pela experiência. Fez-me lembrar um pouco de outro livro que li: Cloud Atlas mas numa versão mais virada para o passado. Mas agora vem outro livro... Da famosa Juliet Marillier.
   Boas leituras... ;)
8/10

André