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quarta-feira, 27 de junho de 2018

O Caminho das Mãos - Steven Erikson

   "NO IMPÉRIO MALAZANO, AS LENDAS ESTÃO PRESTES A NASCER… 
   Os exércitos do Apocalipse, liderados pela vidente Sha’ik, assolam o Império Malazano e uma guerra santa deixa um rasto de vítimas e destruição. A liderança militar escolhe um plano audacioso de evacuar os sobreviventes que restam para Aren, a única cidade no continente ainda sob controlo do Império. Por desertos e vastas desolações, milhares de refugiados não têm outra escolha senão participar no êxodo lendário conhecido como A Corrente de Cães.
   No outro lado do continente, uma conspiração está em curso para assassinar a Imperatriz Laseen, e não faltam protagonistas sedentos de vingança ou envolvidos em demandas secretas. Mal sabem eles que todos os caminhos estão inevitavelmente ligados ao Apocalipse que se liberta…"

   Boas Leitores!
   Finalmente já lemos a segunda metade do segundo livro da saga do Império Malazano. Este livro foi lançado à relativamente pouco tempo e em português. Relembro que esta obra é ainda pertencente ao segundo livro da edição original, visto que a edição portuguesa dividiu o segundo livro em dois.
   E gostava de começar pela consideração de dividir o livro em dois. Sinto-me dividido (tal como o livro, que piada). Após ter terminado o livro sinto que se tivesse lido tudo de seguida tinha aproveitado melhor a história. Desta forma li metade do livro em Dezembro do ano passado e só seis meses depois li o resto. Este tempo foi o suficiente para que quando recomeçasse o segundo livro tivesse aquele período de arranque onde tenho de me lembrar quem é quem e onde é que cada personagem ficou, isto é ainda mais agravado pelo facto da obra começar a meio de todas as ações, ficando ainda mais confuso para o leitor.
   Pondo isso de parte falemos do livro em si. Continua com grande parte das características da primeira metade. Descrições violentas e sangrentas não faltam. E antes que pensem que o livro é só isso, não é. E o certo é que estas descrições dão vida (e morte a várias personagens também) à escrita e tornam todo o cenário mais realista, como se o que estivesse em jogo fosse mesmo real.
   E isso reflecte-se também nas personagens. Não temos como não odiar algumas, tal como também não resistimos a torcer por outras. Steven Erikson guia-nos subtilmente pela sua obra puxando os fios certos para catalisar as nossas emoções.
   A escrita reflecte também um mundo complexo, tão complexo que quanto mais se lê, mais complexo fica. Enquanto os leitores pensam que com a leitura vem a compreensão, este autor diz que nem sempre. Se pensam que sabem tudo a respeito de algo daquele mundo, muito provavelmente vão ficar surpreendidos.
   É uma obra que apesar de ter sido marcada por confusão ao lê-la, é por certo uma obra de génio com uma escrita brilhante que produz tudo aquilo que um leitor quer: personagens realistas, um enredo realista e emoções. Caso queiram saber mais sobre o volume anterior desta obra, basta clicarem no seguinte link: Crítica - Os Portões da Casa dos Mortos
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Segredos de Sangue - Charlaine Harris

   "Depois de suportar tortura e a perda de entes queridos durante a breve mas mortífera Guerra dos Fae, Sookie Stackhouse sente-se magoada e furiosa. O único elemento positivo da sua vida é o amor que acredita sentir pelo vampiro Eric Northman. Mas este está sob olhar atento do novo rei vampiro por culpa do relacionamento de ambos. Enquanto as implicações políticas da revelação dos metamorfos começam a ser sentidas, a ligação de Sookie a um lobisomem específico arrasta-a para uma questão perigosa. Além disso, sem saber, apesar de os portais para Faery terem sido fechados, restam alguns fae no mundo humano... E um deles está zangado com Sookie. Muito, muito zangado."

   Boas Leitores!
   E voltamos à saga Sangue Fresco, ou como muitos conhecem, True Blood. Este é o décimo de treze volumes, o que significa que a contagem final começou! Será que a autora vai começar a atar as pontas soltas a partir de agora, ou será que vai deixar tudo para o último volume para depois ser uma catrefada de coisas a acontecer ao mesmo tempo?
   Se tivesse de adivinhar, diria que seria a primeira hipótese. Mas posso estar completamente errado. A única coisa que sei que estou certo é que este volume foi muito melhor que o anterior. Os dilemas amorosos desapareceram, a acção explosiva a toda a hora ficou mais moderada e com uma melhor explicação e até o mistério ficou mais interessante! Mas vamos por partes:
   O romance da história. Ainda existe, claro, a nossa querida protagonista Sookie não poderia viver sem essa parte na sua vida. No entanto essa relação parece que se tornou mais real, com mais consequências e não tão leviana como era antes, em que qualquer homem que lhe aparecesse à frente era considerado como um  exemplar masculino perfeito e possível parceiro para ela. Acho que só pelo facto desta parte ter ficado mais real aumentou a qualidade da obra por si só em muito.
   E, mesmo assim, ainda continuou a aumentar quando percebi que desta vez havia mais do que tinha pedido no volume anterior, consequências e dilemas sobre vir ao público a presença de metamorfos ou fechar os portões do mundo dos Fay. A autora decidiu focar-se ligeiramente nisso, sem que esse fosse o foco principal e acho que fez bastante bem. Claro que temos ainda os ocasionais momentos de acção, mas a quantidade diminuiu e os que existem podem ser considerados fazerem parte da lógica que é o enredo.
   E agora que tive esta prova, fiquei bem mais curioso para ler o resto da saga, ainda por cima agora que está a chegar o final. Partes deste volume que ficaram por responder ou ainda algumas que pareciam ser pontas soltas a atarem-se podem vir a ser respondidas no próximo volume! Caso queiram saber mais sobre o volume anterior (que não foi assim tão bom), basta clicarem no seguinte link: Crítica - Sangue Mortífero
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Sangue Mortífero - Charlaine Harris

   "Com a excepção de Sookie Stackhouse, os habitantes de Bon Temps, no Louisiana, pouco sabiam sobre vampiros e nada sobre lobisomens. Até agora. Lobisomens e metamorfos revelaram finalmente a sua existência ao mundo e isso poderá ter custado a vida a alguém que Sookie conhecia. Mas a sua determinação para descobrir o responsável pelo homicídio é posta de parte perante um perigo muito maior. Uma raça de seres sobrenaturais (mais velhos, poderosos e muito mais misteriosos do que os vampiros ou os lobisomens) prepara-se para a guerra. E Sookie, enredada ainda na teia de antigos amores, ver-se-á como peão demasiado humano nesta batalha."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos nós outra vez na saga Sangue Fresco, dez meses depois do último volume lido. Esta obra é o nono volume da saga, que conta com um total de treze volumes. Isto significa que faltam apenas mais 4 volumes e finalmente esta enorme saga estará terminada!
   Agora o que dizer desta história? Duas grandes constantes que esta obra tem são dilemas amorosos e acção a torto e a direito. Fazem sentido? Muitas vezes não.
   Comecemos pelos dilemas amorosos. Não foi nada inesperado visto que toda esta saga gira à volta da protagonista, Sookie Stackhouse apaixonar-se a torto e a direito por todo o tipo de seres. E acabar sempre por ficar indecisa sobre por qual estará realmente apaixonada. Neste volume temos um pouco mais de dilema centrado no Eric do que noutras personagens, mas quanto mais nos aproximamos do final, mais os dilemas amorosos voltam à superfície, criando este vai e não vai aborrecido que a autora devia terminar de uma vez por todas.
   E quanto ao segundo ponto, a acção explosiva a toda a hora. Muitas das vezes foram cenas de acção que não me captaram absolutamente nada, ou pareciam demasiado falsas, o seu contexto não fazia qualquer sentido, como estar rodeado de seres que morrem com uma borrifadela de limonada, mas nem sequer fazerem uso desse pormenor. E por outro lado, no início da obra temos um acontecimento que catalisa toda a acção para o resto do livro, mas que a protagonista quase não liga nenhuma. Vamos tendo de vez em quando um desenrolar disso, mas é quase como se tivesse em segundo plano. Pareceu-me que a autora quis empacotar demasiados acontecimentos num livro com pouco mais de duzentas páginas.
   Com isto tudo, talvez possa dizer que o desenvolvimento da personagem principal possa ter acontecido, talvez até fosse algo positivo do livro, no entanto, há ainda muita coisa a ser melhorada. E talvez se a autora não se focasse tanto nos dilemas amorosos, mas sim em temas como por exemplo os metamorfos virem a público e as consequências desse acto, a obra poderia ter sido muito melhor.
   Caso queiram saber mais sobre a saga, nomeadamente o volume anterior, basta clicarem no seguinte link: Crítica - Laços de Sangue
   Boas Leituras... ;)
4/10

André

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Mulheres Perigosas - Vários Autores

   "Atenção: O perigo está à espreita perto destas mulheres!
   Se procura um livro em que as mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão, este livro não é para si. Aqui encontrará mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatale astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam.
   Com organização de George R. R. Martin, que assina igualmente um conto passado no mundo de Westeros, e de Gardner Dozois, esta é uma antologia que cruza géneros literários e mistura todos os tipos de ficção, desde Megan Abbott a Brandon Sanderson."

   Boas Leitores!
   Mais uma semana e mais um livro. E uma vez mais, uma antologia organizada por George R. R. Martin, parece que ultimamente é tudo o que leio. Mas este é o último por uns tempos, prometo! Esta obra, intitulada Mulheres Perigosas é apenas metade da obra original Dangerous Women. Mais uma vez a edição portuguesa decidiu dividir a obra em duas.
   Mesmo assim esta obra contém contos de onze autores diferentes, entre eles nomes conhecidos aqui no blogue como por exemplo Joe Abercrombie, Brandon Sanderson e George R. R. Martin. Um pormenor que me deixou curioso era saber se a edição portuguesa respeitava a ordem pela qual George R. R. Martin teria organizado os contos, mesmo que tivesse dividida em duas. Após alguma pesquisa consegui perceber que não. Para além de dividir a obra em duas, a ordem dos contos não é a mesma que a original. Não sei se considero uma opção acertada, e gostaria de saber o porquê de terem feito isto, visto que não me parece haver alguma explicação lógica.
   Quanto ao tema desta antologia, foi algo que à medida que lia ia percebendo que me tinha enganado, mas que não me desiludira, pelo contrário, ficara surpreendido pela positiva. Ao ler o título da antologia as ideias que vinham à cabeça eram algo como super-heroínas que salvavam mundos ou batalhavam com vilões maquiavélicos, as típicas badass que não me entusiasmam muito. Mas não. O titulo é literal, são mulheres que são perigosas, por vezes para elas, outras vezes perigosas para os que as rodeiam. Foi bom perceber isso com contos de Megan Abbott e Melinda M. Snodgrass que apesar de conhecer as autoras de nome, nunca tinha lido nada delas e fiquei surpreendido.
   E depois temos o lado mau. E esse lado foi uma única autora: Sharon Kay Penman. O conto desta autora foi lento, sem qualquer emoção e que, a meu ver, não cumpriu de todo o que esta antologia prometia: Mulheres Perigosas. O conto dela foi no género de romance histórico, mas isso não quer dizer nada, afinal temos Joana d'Arc como uma das mulheres mais perigosas da história, mas este romance histórico foi simplesmente aborrecido. A protagonista do conto não só não era perigosa como não trouxe nada de entusiasmante para o conto.
   Todos os outros contos foram ou bons, ou muito bons, Brandon Sanderson com o seu worldbuilding brilhante, ou Joe Abercrombie com a sua escrita crua, ou mesmo Megan Abbott com a sua escrita envolvente, todos eles foram brilhantes e espero que os editores portugueses não tenham metido todos os melhores no primeiro volume, porque estou desejoso de ler o próximo e não quero ser desiludido!
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Histórias de Vigaristas e Canalhas - Vários Autores

   "Recomendamos cautela ao ler estes contos: Há muitos vigaristas e canalhas à solta. 
   Se gostou de ler Histórias de Aventureiros e Patifes, então não vai querer perder novas histórias com alguns dos maiores vigaristas e canalhas. São personagens infames que se recusam a agir preto no branco, e escolhem trilhar os seus próprios caminhos, à margem das leis dos homens. Personagens carismáticas, eloquentes, sem escrúpulos, que chegam até nós através de um formidável elenco de autores. 
   Com organização de George R. R. Martin, um nome que já dispensa apresentações, e Gardner Dozois, tem nas mãos uma antologia de géneros multifacetados e que reúne algumas das mentes mais perversas da literatura fantástica."

   Boas Leitores!
   Aqui temos uma nova opinião que, estava eu já a meio desta obra quando me apercebi que o livro que eu lia não era mais do que a segunda metade de um que eu já tinha lido. A antologia de nome original Rogues é, em português, a junção desta obra com a obra Histórias de Aventureiros e Patifes. Ou seja, temos uma vez mais, a clássica estratégia portuguesa de dividir as obras em dois volumes. Um pormenor que me questiono é se a edição portuguesa respeitou a ordem em que George R. R. Martin e Gardner Dozois puseram os contos, ou se os volumes portugueses têm a sua própria ordem de contos.
   O certo é que este volume teve muito menos contos que gostasse muito. Aliás, houve apenas dois autores, Joe Abercrombie e Daniel Abraham que gostei imenso dos seus contos. Joe Abercrombie pela actividade e criatividade que o seu conto tem, lendo-se em poucos instantes mas sentindo-nos como se tivéssemos tido uma aventura. Quanto a Daniel Abraham foi mais pelo mundo criado que era simples e, no entanto, tinha o seu quê de complexidade e originalidade, o enredo foi também engraçado e com os seus pequenos twists que valeram muito a pena.
   A seguir a estes favoritos houve dois que estavam bons também, eram de Garth Nix e Matthew Hughes. Tinham o seu quê de interessante, e por certo captaram a atenção, mas não foi o suficiente para chegarem ao patamar de "estrondoso" ou "genial", mesmo assim, os quatro acima escolhidos foram definitivamente os melhores.
   Na categoria a seguir, os que chamaria "meh" ou "simplesmente ok" foram contos de Cherie Priest, Carrie Vaughn, Steven Saylor e Michael Swanwick. O problema destes foi muitas vezes não terem sido originais ou chamativos o suficiente para me agarrar neste formato de contos. Talvez se lesse estas histórias mas num formato de livro, onde houvesse mais desenvolvimento e enredo ficasse mais interessado. Aqui foi por vezes demasiado rápido ou sem conexão aos protagonistas.
   Por fim, na pior categoria estão Bradley Denton, Walter Jon Williams e Lisa Tuttle. Os dois primeiros nomes foram postos nesta categoria de "não gostei mesmo nada" por achar que não cumpriram com o que o livro propunha (caso do Bradley Denton) ou então o conto era mesmo sem sentido ou mau (como o de Walter Jon Williams), nenhum deles era de ficção ou fantasia, o que possa ter contribuído para não gostar ainda mais dos contos. No caso da Lisa Tuttle, acho que foi mais uma pequena desilusão. Anteriormente tinha lido Windhaven, uma contribuição dela e de George R. R. Martin e tinha achado absolutamente genial, e esperava algo do género e o que saiu foi uma espécie de Sherlock Holmes feminino relativamente básico. As expectativas foram desiludidas e portanto todo o conto foi lido lentamente e a arrastar.
   Estou curioso para saber se acharam o mesmo, ou se os vossos favoritos foram os que eu menos gostei, qual gostaram mais? Para saberem da opinião da primeira parte do Rogues, basta seguirem o link: Crítica - Histórias de Aventureiros e Patifes
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 28 de março de 2018

Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft Volume 6 - Howard Phillips Lovecraft

   "Sexto Volume de Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft 
   O mestre do horror clássico está de volta com contos que ajudaram a moldar a definição de horror na literatura. Com tradução do Prof. José Manuel Lopes, este é mais um volume que ficará para a história do género em Portugal."

   Boas Leitores!
   Surpresa! Pensavam que esta saga terminava no quinto volume? Pois saímos todos enganados! Esse era o plano inicial da editora, mas como esta colectânea teve tanto sucesso eles acabaram por negociar mais dois livros, desta vez com contos de H.P. Lovecraft e contos que ele ajudou a escrever e que por vezes são associados a outros autores. Portanto esta colectânea passará a ter sete livros (na qual o sétimo é o único que ainda não está publicado, deve ser para breve) e este que aqui temos é o sexto.
   Esta obra é composta por oito contos, e tem cerca de 290 páginas, o que dá uma média de 36 páginas por conto. Para quê estas contas? Só para termos uma pequena noção se os contos são grandes ou não. Claro que há alguma variação, contos bem mais pequenos que isso ou contos um pouco maiores. No entanto o interessante foi que reparei que eram aqueles contos que ultrapassavam o número de páginas médio que me captavam mais o interesse.
   A maior parte dos contos foi interessante. Acho que apenas um ou dois é que achei aborrecidos. Os contos mais curtos captavam mais emoção imediata, em poucas páginas, Lovecraft conseguia agarrar-nos e meter os nossos níveis de ansiedade altos e a pensar "o que é que irá acontecer a seguir?". Epor outro lado os contos maiores tinham uma vertente que era a de criar um tipo diferente de ansiedade, algo que crescia com o tempo e ia aumentando com o suspense que se ia criando com o enredo. De qualquer das maneiras acho que este autor foi verdadeiramente um mestre na sua arte.
   E não nos podemos esquecer que estes contos foram escritos há quase cem anos atrás. Poderiam ter ficado tão desactualizados ou tão irreais que não surtiriam nenhum efeito no leitor da actualidade, mas o certo é que surte. A sua mitologia é tão real que torna-se intemporal.
   O único pormenor que tenho a apontar aqui e que reparei apenas neste volume (e de certo poderia ter reparado nos outros se tivesse um pouco mais de atenção) é a quantidade de vezes que Lovecraft usa palavras como "inexplicável", "indescritível", "inominável" e por aí fora para evitar descrever ou monstros ou divisões ou mesmo certas ações. Uma pequena ajuda que usa constantemente e que após repararmos é impossível não termos noção durante todos os contos.
   É definitivamente uma obra aconselhada a quem gosta de terror, nada melhor do que voltar às origens e ler um dos grandes autores do género do século XX. Caso queiram saber mais sobre a saga basta seguirem o link: Crítica - Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft Volume 5
   Boas Leituras... ;)
7.5/10

André

quarta-feira, 7 de março de 2018

O Mundo de A Guerra dos Tronos - George R. R. Martin, Elio M. García, JR. E Linda Antonsson

   "Nesta enciclopédia é apresentada pela primeira vez a História ilustrada e mapeada dos Sete Reinos, com descrições vívidas das batalhas mais épicas, as razões das rivalidades destrutivas e as sementes das rebeliões que conduziram aos eventos descritos no primeiro volume da saga.
   Com a ajuda dos fundadores de Westeros.org, George R. R. Martin molda e estabelece a História e cultura de Westeros e revela os destinos e ambições dos antepassados dos Stark, Targaryen, Lannister e muitos outros. Este é o seu bilhete de entrada para Westeros. Venha descobrir os segredos que sempre quis saber sobre o mundo de A Guerra dos Tronos."

   Boas Leitores!
   E chegámos com um gigantesco tomo aqui no blogue. Não tem muitas páginas, não atinge as 350, mas compensa com o seu tamanho superior ao de uma folha A4. E antes que perguntem, não, não é o próximo livro da saga A Guerra dos Tronos ou Uma Canção de Gelo e Fogo. Esta obra é para aqueles fãs que estão há muito à espera de algo proveniente de Westeros, nem que sejam pequenos biscoitos de informação. Aqueles que gostam de mergulhar no mundo e saber toda a história por detrás, o que levou aos momentos dos livros que leram.
   Mas antes de pisarmos o campo da informação deixem-me primeiro falar sobre as ilustrações. Esta obra está repleta de ilustrações estrondosamente brilhantes. Desde dragões a paisagens, os ilustradores conseguiram dar vida a imensas personagens que só na nossa cabeça tinham um aspecto, e na maioria das vezes esse aspecto foi correspondido se não mesmo melhorado. As ilustrações parecem ganhar vida conforme vamos lendo a informação que está relacionada com ela. Só por estas imagens esta obra valeria a pena ser vista.
   E no entanto, a obra ainda tem outros pontos positivos. A escrita é toda feita não do ponto de vista dos autores e sim de um Meistre do mundo de Westeros, como se estivesse a fazer um compêndio da história do mundo. Essa mesma história poderia ser dividida em dois: toda a história quer sobre povos quer sobre o reino Targaryen até aos eventos do primeiro livro e uma descrição e história de cada reino de Westeros em pormenor, com breves descrições de outras terras.
   A primeira parte agradou-me muito mais, não só perceber como é que o continente tinha sido colonizado como a história da união dos Sete Reinos foi algo que estava muito bem escrito, eventos como a conquista de Aegon ou a Dança dos Dragões (embora este último tivesse partes iguais a um conto que li recentemente de George R. R. Martin). A segunda parte foi muito mais descritiva, e embora interessante houve partes que tinham demasiados detalhes. Em ambas as partes houve momentos onde queria livros e livros de George R. R. Martin que pudessem explorar mais como Yi Ti ou Asshai.
   É definitivamente uma obra para os fãs que queiram mais deste mundo. Não irão ficar desiludidos pois terão imensa informação por onde possam mergulhar e nadar. Não o aconselho a quem nunca tenha lido nada de A Guerra dos Tronos, este não é, de todo, um bom livro por onde começar a introduzir-se, pois terá demasiada complexidade.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O Apelo da Lua - Patricia Briggs

   "Mercy Thompson é uma talentosa mecânica de automóveis que vive na zona de Washington. Mas ela é muito mais do que isso: também é uma metamorfa com o poder de se transformar num coiote. Como se não chegasse, o seu vizinho é um lobisomem, o seu antigo patrão um gremlin, e neste momento está a reparar a carrinha de um vampiro. Este é o mundo de Mercy Thompson, um que parece igualzinho ao nosso, mas cujas sombras estão repletas de estranhas e perigosas criaturas da noite. E se até agora Mercy sempre viveu bem nesse mundo, aproxima-se o dia em que a sua preocupação vai ser apenas sobreviver..."

   Boas Leitores!
   E como se não bastasse a quantidade de sagas que estão por acabar neste blogue, começamos mais uma (e para não variar, tem de ser mais uma de urban fantasy). Esta saga conta com onze volumes na língua original. No entanto, aqui em Portugal apenas os primeiros quatro estão publicados, após o seu lançamento ter sido um flop.
   E neste momento pergunto-me até porque é que a editora Saída de Emergência decidiu apostar em mais um livro do mesmo género que parece quase uma cópia de tantas outras obras, nomeadamente a saga do Sangue Fresco ou True Blood para muitos.
   No início a obra pareceu prometer na originalidade, e quando digo originalidade era relativa ao enredo, não no worldbuilding visto que existem exactamente as mesmas criaturas que em qualquer outro livro do mesmo género: lobisomens, vampiros, fadas, etc. Mas essa promessa foi sol de pouca dura, como se costuma dizer, antes que chegasse a metade do livro já estava a fazer checks nas caixinhas dos estereótipos: um antigo amor do qual a personagem ainda sente algo, uma outra personagem pela qual a protagonista também sente algo, poderes desconhecidos que são descobertos apenas em situações de grande perigo e por ai adiante.
   Mesmo assim continuei a batalhar por esta obra, o tamanho dela dava-me alento para acabá-la, afinal o que é uma obra com menos de 300 páginas? O mistério no qual se baseava todo o enredo até tinha o seu quê de interessante, mesmo se retirássemos todos os outros estereótipos que referi. Até que chegamos ao fim e o mistério é resolvido de forma rápida e desapontante. Antes que desse por isso o mistério estava resolvido e eu nem tinha percebido quando ou como. Duas conversas e pronto.
   Para o género, esta obra poderia ser algo de novo e refrescante. Saiu apenas mais uma obra mediana que acerta na maior parte dos estereótipos que já existem. Se já leram algo deste género, não recomendo a lerem este. Se nunca leram, este é tão bom quanto qualquer outro para começarem.
   Boas Leituras... ;)
5/10

André

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A Jornada do Assassino - Robin Hobb

   "Depois do desafio lançado ao Príncipe Respeitador pela narcheska das Ilhas Externas, só lhe resta embarcar para o país de Eliânia em busca do dragão de Aslejval que tanto pode existir como não passar de uma lenda antiga.
   Fitz, o mais famoso e temido assassino do reino, irá com ele. Mas a partida do herdeiro do trono dos Seis Ducados para uma atribulada viagem marítima até uma terra de antepassados e inimigos não é algo que se faça de ânimo leve.
   Que desafios irão ter de enfrentar os nossos heróis? As magias que ambos manejam imperfeitamente, serão uma ajuda ou um empecilho? E o que acontecerá aos Seis Ducados se o herdeiro desaparecer para sempre nessa terra misteriosa e distante?"

   Boas Leitores!
   E Robin Hobb está de volta ao blogue, quase meio ano depois do último livro lido desta autora, continuamos a saga "O Regresso do Assassino" com o quarto e penúltimo volume, intitulado A Jornada do Assassino. Esta obra é a primeira metade do terceiro livro em inglês.
   Uma vez mais somos apanhados na escrita maravilhosa de Robin Hobb. Esta autora demonstra em todas as suas obras o porquê de ser considerada uma das grandes escritoras de fantasia. A escrita fluída captura-nos desde o início e guia-nos por uma história interessante, com um desenvolvimento de personagens extraordinariamente cativante.
   O enredo é lento, não há grandes acções ou batalhas a acontecer, baseando-se muito mais em preparação para uma grande viagem e a viagem em si. No entanto, a autora consegue utilizar estes momentos para desenvolver as personagens e criar mistério e intriga que mantém o leitor sempre atento. E isto é válido não só para Fitz, o protagonista, mas também para muitas das personagens que o rodeiam. Ao longo desta obra conseguimos ver o desenvolver e amadurecer de Respeitador e Urtiga, Obtuso e até mesmo o Bobo.
   E ao verem isto talvez pensem "eh, então é só uma obra com muito falatório e muito andar dum lado para o outro?". Inicialmente pode parecer assim, mas continua a haver uma espécie de nervosinho miúdo que cresce à medida que nos aproximamos do destino final. Há um acumular de tensão quando as pontas soltas vão aproximando-se cada vez mais umas das outras. Quando acabei esta obra senti-me extenuado. Acho até que os editores decidiram uma boa altura onde dividir a obra, se continuasse a ler a outra metade poderia assumir que a obra seria demasiado extensa e esta primeira parte um pouco desnecessária. Assim acho que ficou ideal.
   Continuo a estar desejoso de ler o próximo livro, que é, aliás, o último desta saga, e descobrir como é que as coisas vão acabar, afinal qual será o destino de algumas das personagens que acompanhamos nesta obra, e que mistérios ainda estão para nos ser ditos? Caso queiram saber mais sobre esta saga, basta seguirem o seguinte link: Crítica - Sangue do Assassino
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Histórias de Aventureiros e Patifes - Vários Autores

   "Há personagens malandras e sem escrúpulos cujo carisma e presença de espírito nos faz estimá-las mais do que devíamos. São patifes, mercenários e vigaristas com códigos de honra duvidosos mas que fazem de qualquer aventura uma delícia de ler.
   George R. R. Martin é um grande admirador desse tipo de personagens - ou não fosse ele o autor de A Guerra dos Tronos. Nesta monumental antologia, não só participa com um prefácio e um conto introduzindo uma das personagens mais canalhas da história de Westeros, como também a organiza com Gardner Dozois. Se é fã de literatura fantástica, vai deliciar-se!"

   Boas Leitores!
   Desta feita há vários autores a entrar em cena! E com eles grandes contos. Contamos com dez autores diferentes: Neil Gaiman, David W. Ball, Gillian Flynn, Paul Cornell, Scott Lynch, Phyllis Eisenstein, Joe R. Lansdale, Patrick Rothfuss, Connie Willis e George R. R. Martin. Esta é uma antologia que gira à volta de aventureiros e patifes (tal como o título sugere), e apesar de haver outras obras organizadas por George R. R. Martin e Gardner Dozois com títulos semelhantes como Histórias de Vigaristas e Canalhas estas obras não estão relacionadas umas com as outras.
   Como seria de esperar há contos que sobressaem muito mais ao leitor (ou pelo menos a mim) e que me conseguem capturar de forma fascinante, entre eles, os meus favoritos foram Neil Gaiman, Scott Lynch e Patrick Rothfuss. Este foi o meu pódio, sendo que o primeiro lugar seria muito difícil de dar. São contos extraordinários, Neil Gaiman com o mundo de Neverwhere, e Patrick Rothfuss com o seu mundo de As Crónicas do Regicida são contos que já têm uma base, mas podem perfeitamente ser lidos isoladamente. Já Scott Lynch dá um conto num qualquer universo que é só fantástico! A capacidade de escrita destes três leitores é extraordinária que conseguem capturar o leitor em menos de nada, mesmo com conceitos abstractos como estes três autores fizeram.
   Há muitos outros que estão bons mas, a meu ver, não ao nível destes três, e esses são George R. R. Martin, Gillian Flynn, Phyllis Eisenstein e Connie Willis. O primeiro por ser apenas pequenos doces de história de Westeros, um relato apenas, não tem um grande enredo ou novidade em si. Os outros são todos autores que ainda não li, mas que foi certo terem criado uma faísca de curiosidade em mim, e estarei atento a livros deles.
   Por fim, vêm os piores, David W. Ball, Paul Cornell e Joe R. Lansdale. Foram os contos que menos me apelaram e que estava em constante pensamento de "quero passar para o próximo, rápido.", por vezes era o enredo que não apelava, outros casos as personagens não pareciam ter nenhum impacto no leitor, e outras tantas quase não entendia o porquê daquela história estar incluída no livro.
   Em suma, é uma boa obra para conhecer novos autores e, em casos como Patrick Rothfuss, Neil Gaiman ou George R. R. Martin, ter mais conhecimento sobre os grandes universos que eles criaram, o que é sempre prazeroso.
   Boas Leituras... ;)
7.5/10

André

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O Terceiro Desejo - Andrzej Sapkowski

   "O seu nome é Geralt de Rivia. Dizem que é um bruxo e um assassino sem misericórdia que vagueia pelo mundo à caça de monstros e predadores. Mas na verdade vive de acordo com o seu próprio código de conduta. A sua espada serve, em troca de uma recompensa, poderosos reis amaldiçoados, mas também os mais desfavorecidos.
   Ao longo das suas viagens, Geralt encontra todo o tipo de criaturas - algumas saídas da mitologia eslava e dos contos populares dos irmãos Grimm - como vampiros e lobisomens, elfos, quimeras e estriges, trolls e génios que o tentam, satisfazendo todos os seus desejos.
   Mas este é apenas o início das suas aventuras como viajante e feiticeiro que irá desafiar o destino num mundo em que as criaturas de todas as raças coabitam numa paz precária prestes a despedaçar-se..."

   Boas Leitores!
   O primeiro mês do ano já começou e estamos a começar o ano a começar variadas sagas. Esta é uma delas, a saga The Witcher que conta já com três volumes em português e muitos mais na língua original. Para quem jogou o famoso jogo The Witcher 3 tenham em atenção que esta obra não é a total adaptação do jogo. É certo que o jogo utilizou alguns destes contos e incorporou-os na história, mas não seguem a mesma "linha temporal", digamos assim.
   Esta obra tem um formato ligeiramente diferente. É uma obra de contos (até aqui nada de novo) só que todos os contos são sobre a mesma personagem, Geralt de Rivia. É quase como se o leitor apanhasse pequenos vislumbres da sua vida, pequenos episódios das suas aventuras. E parecendo que não, esta é uma forma excelente de se ir conhecendo um protagonista aos poucos e poucos. Dá-nos os pormenores aos poucos, de forma coerente e sem que seja forçado de maneira alguma. Quanto a esta característica tenho de dar o meu aval positivo.
   Agora quanto a enredo. Como disse antes, a obra está dividida em contos, não existe propriamente um enredo à volta deste livro. Temos um conto que é estendido ao longo de todos os outros contos, o que dá uma espécie de continuidade à história, mas nada de muito complexo. Mesmo assim há várias partes dos variados contos que são propositadamente deixadas em aberto, para que possam ser desenvolvidas nos futuros livros. E por outro lado, alguns dos contos souberam demasiado aos irmãos Grimm, a mais uma tentativa de distorcer os contos para ficarem mais sombrios. Mas atenção, não estou a dizer que tenha ficado mal feito, pelo contrário, alguns destes contos estão geniais. Apenas esperava uma novidade por toda a obra em vez de serem apenas alguns dos contos a novidade, talvez este meu problema seja resolvido no próximo volume onde teremos mais contos.
   Com o final desta obra, é certo que o leitor ficará curioso para saber mais sobre as personagens apresentadas, especialmente com o facto de haver várias questões deixadas em aberto. Veremos se o próximo volume conseguirá responder a pelo menos algumas delas.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Terrarium - João Barreiros e Luís Filipe Silva

   "Bem-vindos ao futuro e ao colapso de todas as utopias por nós sonhadas.
   Estamos a meio do novo milénio e a Fortaleza Europa acabou de vez. Bruxelas não é mais do que uma cratera radioactiva, as zonas costeiras foram alagadas pela subida das águas e a temperatura ambiente aqueceu até o clima ser quase tropical. Quem olhar para o alto, nos raros dias onde ainda se podem ver as estrelas, vai descobrir um anel gigantesco composto pelas carcaças das naves de exóticos migrantes.
   Mas isso não é o pior. A verdade é que entre esses exóticos que nos vieram pedir guarida, existem criaturas ainda mais monstruosas que resolveram transformar o planeta num lugar de consumo: num TERRARIUM, a bem dizer...
   Preparem-se para viver num mundo prestes a ser assimilado, para o bem ou para o mal, numa nova e efémera utopia... Agora só nos resta resistir."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos nós com mais uma obra de autores portugueses ou brasileiros, Terrarium é uma obra isolada e muitas vezes descrita como uma obra em mosaico. E esta obra de ficção-científica tem muito que lhe diga.
   Comecemos exactamente pela explicação do porquê uma obra em mosaico. Esta obra é uma colectânea de contos escritos por ambos os autores. Apesar de serem contos distintos, alguns deles publicados antes em revistas, quando lidos pela ordem desta obra formam uma imagem mais completa, como que uma história com um princípio, meio e fim. É quase como se cada conto fosse uma peça de um puzzle, e enquanto lemos vamos obtendo mais peças até que completamos a imagem e temos uma noção de todo aquele universo. Como se não bastasse os autores dão-nos até uma escolha: três finais distintos, onde o leitor pode ler os três finais e decidir-se por qual gosta mais. Algo pouco usual, mas que fez completo sentido ao ler a obra.
   No entanto, nem tudo é um mar de rosas nesta obra. No início desta leitura estava a gostar e a sentir como que uma aventura naquele universo. O primeiro contou foi lido num ápice, e o segundo e o terceiro. Até que chegou a um ponto que os contos começaram a ficar mais aborrecidos. Parte disso deveu-se à imensidão de personagens, cada conto alterava os protagonistas, e se no início isso era divertido, acabou por tornar-se saturante e confuso nos últimos contos. Se a obra fosse um pouco menor (talvez ao rondar as 350 ou 400 páginas) teria sido um bom compromisso, visto que terminaria no ápice do entusiasmo do leitor. E aliado a esta característica, uma melhor exploração dos finais alternativos seria a cereja no topo do bolo
   Continua a ser uma obra fantástica, e que orgulha ainda mais a língua portuguesa, que não se conhece assim tanto neste género, tem apenas uns pontos fracos que se devem à própria propriedade que lhe é fantástica, ser uma obra em mosaico. É um exemplo de literatura portuguesa a ler.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Os Portões da Casa dos Mortos - Steven Erikson

   "O Império Malazano é abalado por uma purga da nobreza onde muitos aristocratas são traídos e desterrados para as minas. Enquanto isso, no Sagrado Deserto Raraku, a Vidente Sha'ik e os seus seguidores aguardam o líder prometido de uma rebelião há muito profetizada.
   Perante esta insurreição brutal, as forças malazanas terão de recorrer a um plano de evacuação desesperado e audaz para salvar os refugiados imperiais. De uma dimensão e selvajaria nunca antes vistas, este pico de fanatismo e sede de vingança irá mergulhar o Império Malazano num conflito sanguinário onde as hipóteses de sobrevivência não estão ao alcance de todos."

   Boas Leitores!
   Voltamos às obras estrangeiras. E desta vez é mais uma obra de Steven Erikson, o seguimento da saga O Império Malazano este livro é a primeira metade do segundo livro original.
   E que pena ser apenas a primeira metade, pois o certo foi que ao acabá-lo queria pegar imediatamente no próximo. Mas ainda tenho de esperar algum tempo, que a outra metade ainda não está publicada em português (mas está em processo!).
   Se bem se lembram, a obra anterior tinha sido um pouco confusa de início devido a todos os nomes diferentes de personagens, raças, locais, magias e toda uma outra panóplia de coisas. Este não mudou muito nesse aspecto. O início foi caótico, com uma catrefada de nomes atirados ao leitor. Mas não que isso seja mau, o leitor é atirado para um mundo que desconhece (ou que tem apenas um ligeiro contacto com a primeira obra) é normal nem tudo fazer sentido. Por boa escolha, esta obra tem algumas personagens do primeiro livro, criando assim uma ponte entre os dois onde o leitor pode descansar e sentir-se seguro de que não está à deriva das páginas.
   E assim aconteceu, antes que desse por isso estava agarrado às personagens que não tinha conhecido antes, a querer saber o que fariam. Antes até me poderiam ser personagens indiferentes, mas o certo foi que a escrita do autor conseguiu atirar gavinhas na minha direcção e prender-me àquelas que não dava muita atenção. Outro pormenor na escrita, que consegui perceber só no final, foi que a minha opinião mudava ao longo da obra, tanto gostava de certa personagem, como passei a ter um ódio de estimação por ela, contudo, havia momentos que poderia torcer por essa personagem ainda. Isto é um traço de um grande escritor!
   Quanto ao enredo, é uma história que não falta de grim dark no seu género. Sanguinária às vezes, com descrições detalhas que dão ainda mais intensidade à história, este género carrega a loucura e tensão que os continentes onde esta obra se passa estão a sentir. O único defeito foi ter acabado a meio, ainda por cima quando estava no climáx da acção. Poderia ter lido a outra metade num outro instante.
   Como já disse, e repito, estou desejoso de ler a segunda parte, e experimentar mais da escrita deste autor fantástico. Caso queiram saber sobre o primeiro livro da saga, basta seguirem o link: Crítica - Os Jardins da Lua
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Luz Miserável - David Soares

   "O horror está de volta.
   Nestas três histórias, David Soares (O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados) apresenta imagens de luz e trevas que não deixarão ninguém diferente.
   Do ambiente exótico de A Sombra Sem Ninguém, passando pelos interiores claustrofóbicos de A Luz Miserável, até à extravagância macabra de Rei Assobio, prepare-se para conhecer personagens inesquecíveis, como um homem "quase" invisível, três soldados amaldiçoados e um velhote mutilado e vingativo.
   Do suspense ao splatterpunk, A luz Miserável é um livro de contos provocadores, diabólicos e literários. Uma viagem vertiginosa ao lado negríssimo da imaginação."

   Boas Leitores!
   Mais uma semana com um autor português a aparecer no blogue! Desta vez não é uma estreia, David Soares de volta. Esta obra é uma obra isolada que conta com três contos (de que são falados na sinopse). É uma obra pequeníssima que não chega às 150 páginas, mas que tem muito para contar.
   Esta obra é completamente diferente da anterior que li do mesmo autor, Batalha. Estes três contos não são, de todo, para os mais susceptíveis. Com descrições bastante gráficas de cenas violentas, o leitor consegue ter toda a imagem mental do que lê. No que toca ao horror, este autor está de parabéns porque conseguiu atingir o objectivo no alvo.
   Falando dos contos em separado, o primeiro deles foi o mais fraco na minha opinião. Foi o que conteve mais fantasia de entre os três e menos horror, talvez por isso tenha achado o mais fraco. Ao comparar com os dois seguintes este não carregava a mesma emoção nem força motriz para ser lido.
   O segundo foi, de longe, o meu favorito. Começa de forma horrenda e misteriosa, do qual o leitor pouco vai entendendo. Mas o autor vai dando pequenas pistas sobre o que aconteceu e o que está a levar ao presente na história e, após uma grande cadeia de acontecimentos psicadélicos, ficamos num estado de choque perante a imagem que temos do final deste conto.
   O terceiro foi o que ficou a pender para o bom lado destes três. Também virado para o horror, com grandes descrições, só não ganhou mais ímpeto por achar por vezes demasiado longo no seu desenvolvimento. Talvez tenha sido fruto de ter lido dois contos menores antes e estar à espera de mais do mesmo, o certo é que a qualidade deste conto é também alta.
   No geral é uma obra de horror escrita por um autor português equiparável ao grande Stephen King. Fiquei definitivamente curioso em ler mais deste autor, de preferência neste género. Aconselho a todos aqueles que gostem de se sentirem horrorizados por descrições e ficarem com um olho a espreitar para todos os cantos à espera que algo apareça.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

E Se...? - Randall Munroe

   "Milhões de pessoas visitam XKCD.com todas as semanas para ler a vinheta de Randall Munroe. As suas figuras simples e desenhos minimalistas sobre ciência, tecnologia, amor e o sentido da vida têm uma vasta legião de seguidores.
   Fãs de XKCD colocam a Munroe imensas questões bizarras. E se tentasses bater uma bola de basebol lançada a 90% da velocidade da luz? Se houvesse um apocalipse robótico, quanto tempo duraria a Humanidade na Terra?
   Na busca de respostas, Munroe opera simulações de computador, analisa dossiês de pesquisa militar confidencial, resolve equações diferenciais e consulta operadores de reatores nucleares. As suas respostas são obras de arte de perspicácia e humor e normalmente preveem a absoluta aniquilação da Humanidade ou uma explosão inimaginável que arrase tudo!
   E se...? é uma leitura obrigatória para todos aqueles que adoram os grandes enigmas da vida, da ciência e, claro, perguntas tão absurdas quão divertidas."

   Boas Leitores!
   Fazemos esta semana uma pausa nos leitores portugueses para lermos uma obra ligeiramente diferente. Esta obra é mais um compêndio de questões absurdas com respostas científicas, não um romance de literatura fantástica. Como tal é um livro isolado que qualquer um poderia pegar, principalmente se é um daqueles leitores com o bichinho da ciência.
   Uma obra com uma grande vertente cómica, mesmo quando trata de ciência, um assunto que muitos acham aborrecido. Claro que as ilustrações são um ponto fulcral para que essa onda cómica atinja os leitores. Eu pelo menos vi-me por diversas vezes a rir ao ver ou ler um dos comics que o autor fazia.
   As perguntas por vezes interessantes, outras assustadoras (e ainda outras que me fazia questionar quem é que consegue imaginar aquele tipo de perguntas) são variadas e algumas até bem surpreendentes. As respostas, por outro lado, apesar de serem explicadas de forma acertada, onde qualquer pessoa que leia consiga entender, acabam por ser um pouco repetitivas na sua conclusão: tudo explode/morre. A culpa não é do autor, a ciência é assim e se os factos ditam aquilo, então não haveria volta a dar. Mas aposto que haveria uma variedade enorme de perguntas que não acabariam no mesmo corredor de pensamento.
   E acho que o autor sente o mesmo ao final do livro, quando chega à conclusão que é bom não destruir tudo constantemente. Acho que este é o único pormenor por onde a obra peca. Se tivesse perguntas mais variadas (a maior parte estava apenas no campo da física (onde o autor tem maior background), com uma ou outra a versar sobre química ou biologia) seria interessante de formas ainda mais absurdas.
   É definitivamente uma obra para quem tem a curiosidade de querer saber o que aconteceria caso as condições mais insólitas se reunissem. Aconselho.
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Batalha - David Soares

   "Em Batalha, David Soares apresenta uma história em que os animais são protagonistas. Passado no início do século XV, Batalha é um romance sombrio, filosófico e comovente, que observa o fenómeno religioso do ponto de vista dos animais e especula sobre o que significa ser-se humano.
   Batalha, a ratazana, procura por sentido, numa viagem arrojada que a levará até ao local de construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o derradeiro projecto do mestre arquitecto Afonso Domingues. Entre o romance fantástico e a alegoria hermética, Batalha cruza, com sensibilidade e sofisticação, o encantamento das fábulas com o estilo negro do autor."

   Boas Leitores!
   Voltamos a pegar em leitores portugueses (dar um incentivo a este pequeno nicho, que temos de ajudar, principalmente quando se trata de fantasia/ficção científica em Portugal) desta vez um autor que nunca antes li, David Soares.
   Não tinha expectativa nenhuma para este
livro, nunca li nada do autor nem nunca tinha ouvido falar dele. Mas em geral foi uma leitura agradável. Não sei se consideraria isto no campo da fantasia ou da ficção científica, sendo que o único elemento fantástico são animais falantes. O centro da história é muito filosófica e faz o leitor pensar constantemente sobre estas questões.
   A escrita é em certos pontos entusiasmante, com violência e horror que atingem o leitor da maneira certa, de forma directa mas sem chocar em demasia. Por outro há um uso excessivo de palavras digamos "arcaicas". Algumas é certo que só são estranhas pela falta de uso no dia-a-dia e não me incomodaram muito. Outras vezes o uso deste tipo de palavras é tão intenso que tirava-me do "estado de leitura" e portanto interrompia o fio à meada.
   Tirando isso a história não algo por aí além até porque não é isso o cerne da obra. A obra centra-se em conversas sobre o significado de religião e vida, dor e morte entre muitos outros. São estas conversas que fazem o interesse aumentar e criam faíscas na mente dos leitores para fazê-los pensar mais do que aquilo que está escrito em papel.
   Pelo que ouvi falar, esta não é uma obra "típica" do autor, pelo que estou curioso para ler mais dele. Mas tenho de admitir que esta obra não é para todo o público, é algo pesada e apenas aqueles que sabem para onde se dirigem é que decidirão lê-lo, precisam de estar no estado de mente correcto, por isso boa sorte!
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Irmandade - Oliver Bowden

   "Roma, outrora poderosa, jaz em ruínas. A cidade está impregnada de sofrimento e degradação, os seus cidadãos vivem sob a sombra da impiedosa família dos Bórgia. Apenas um homem poderá libertar o povo da tirania Bórgia: Ezio Auditore, o Mestre Assassino.
   A demanda de Ezio irá testá-lo até aos seus limites. César Bórgia, um homem mais malévolo e perigoso que o seu pai, o Papa, não descansará enquanto não tiver conquistado Itália. Nestes tempos tão traiçoeiros, a conspiração está por todo o lado, até no meio da própria Irmandade..."

   Boas Leitores!
   Primeiro tivemos a Renascença, agora chegou Irmandade. É verdade, o segundo livro da saga Assassin's Creed já chegou ao blogue, permitindo-nos viajar para o mundo que é a Itália da época dos descobrimentos. Esta obra é uma adaptação do jogo com o mesmo nome.
   Curiosamente, eu não joguei esse jogo da saga (apenas a trilogia principal foi jogada), pelo que quando comecei a minha leitura pensava que iria seguir o mesmo plano que nos jogos. Fui surpreendido por não ser como esperava. Ler um livro cujo jogo nunca joguei deu-me assim a possibilidade de ler uma obra que é uma adaptação dum jogo sem estar spoilado pelo jogo como aconteceu com o primeiro volume.
   A história não é má, o enredo tem umas boas premissas que giram um pouco à volta dum género policial. No entanto a sensação de jogo continua lá. Enquanto lia conseguia discernir onde separar para criar "missões" do jogo e onde entrariam as partes cinemáticas. Claro que isto tirou-me um pouco do ambiente do livro e jogou contra a obra.
   Na minha opinião o autor deveria ter tentado separar um pouco mais o livro do jogo, não alterando o enredo, mas sim a maneira como as personagens falavam ou mesmo as descrições das ações. Parecia tudo já demasiado planeado, como se o autor tivesse apenas feito uma transcrição do jogo para o livro.
   No início parecia ainda haver uma evolução das personagens, com certos momentos de desenvolvimento psicológico, mas isso pareceu-me também estagnar a meio e só no final voltou a despertar.
   Outro ponto a referir no enredo é que esta história não contribui muito para o que é o enredo da saga. Normalmente os jogos seguem uma personagem diferente em cada jogo, esta obra seguiu a mesma personagem do primeiro livro, onde esta não seguiu a história principal mas tomou uma rota secundária para poder dar um final "como deve de ser" à personagem.
   Este volume esteve ligeiramente melhor que o anterior, não sei se pela minha ignorância quanto ou jogo, ou se o autor tomou mais liberdades, tornando-o melhor. Caso queiram saber mais sobre a primeira parte desta saga, sigam o link: Crítica - Renascença
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Escondida - P.C. Cast + Kristin Cast

   "Finalmente Zoey conseguiu o que queria. A verdade sobre Neferet é revelada e o mal é exposto, mas a vampyra está longe de se dar por derrotada e inicia uma série de ataques devastadores.
   Ao serem lançadas as sementes da discórdia e caos na Casa da Noite, todos terão que se unir para enfrentar o mal, uma tarefa que se revela mais difícil do que o planeado. E para dificultar as coisas, Zoey receia estar a perder a sanidade pois suspeita que Heath poderá estar de volta… Ela sabe que deve seguir os seus instintos para derrotar o mal, mas se estiver errada, as consequências serão desastrosas para todos.
   Com a tensão a chegar a um ponto culminante e as amizades a serem testadas, conseguirá o grupo de amigos enfrentar em conjunto o mal que alastra e impedi-lo antes que seja tarde demais?"

   Boas Leitores!
   Mais uma semana, mais uma obra. E continuamos com a saga Casa da Noite, volume dez de doze, ou seja, só mais dois e esta saga acaba! E já não era sem tempo.
   Comparando com o volume anterior, onde dizia que o enredo não parecia avançar nada em direcção ao final da história, este avançou um pouco. Mas de uma maneira completamente desagradável e previsível. Mas comecemos do início.
    Não há muito a acontecer no início, para além da protagonista estar a ruminar nos seus pensamentos sobre o quão desgraçada/sortuda é ao mesmo tempo, como acontece em vários volumes para trás. Não temos uma grande variação desse ponto.
   À medida que avançamos, o enredo não se desenvolve rapidamente, pelo contrário fica como melaço, viscoso e nada fluído. Por vezes é como se estivéssemos a ler uma versão vampírica (e às vezes nem isso) dos livros "Os Cinco" ou "Uma Aventura". Sabemos qual é o início e o fim do livro e sabemos que o meio vai ser só eles a andarem dum lado para o outro.
   Nem as personagens foram desenvolvidas como deve de ser neste volume. O truque das várias perspectivas não teve o mesmo efeito que no livro anterior, e a única personagem que teve algum desenvolvimento foi a personagem em que grande parte do enredo se centrava. Faz sentido ele ser desenvolvido, mas não faz assim tanto sentido todo o resto das personagens estagnarem ou congelarem como se nada se passasse.
   Foi uma obra que pensei que pudesse continuar a aumentar a pontuação para a saga, mas parece que voltou aos valores habituais. Caso queiram saber mais sobre o volume anterior basta seguirem o link: Crítica - Destinada
   Boas Leituras... ;)
3/10

André

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Destinada - P.C. Cast + Kristin Cast

   "As forças da Luz e das Trevas colidem numa luta épica que se desenrola na Casa da Noite. Zoey está finalmente na casa onde pertence, protegida por Stark, o seu Guerreiro Guardião, e preparada para enfrentar Neferet de uma vez por todas. Kalona libertou o seu domínio sobre Refaim e, através do dom da Deusa, ele e Stevie Rae poderão finalmente estar juntos - mas apenas se Refaim se mantiver no caminho da Deusa e se afastar da sombra do seu pai. 
   Mas estará Zoey verdadeiramente em segurança? Conhecerá mesmo todos os seus amigos? E conseguirá o amor triunfar ao ser testado pela própria alma da Escuridão? Venham descobrir em mais um volume da Saga da Casa da Noite o destino que aguarda Zoey…"

   Boas Leitores!
   Passou-se um ano e meio desde que o último volume desta saga foi lido, eu sei. Para compensar, em menos de um mês, aliás, em menos de meio mês, são dois livros da mesma saga a serem lidos, de seguida! (Não que tenha sido feito de propósito, mas isso é outra história)
   Este é o nono volume da saga, que é constituída por doze volumes no total. E de alguma forma, isso poderia significar que o enredo estaria a dar os passos finais para que o último volume fosse o grande final da saga. Porque é que digo isto? Bem, em obras como Wheel of Time não esperaríamos um desenvolvimento rápido nos últimos 3 volumes, mas isso também porque cada volume dessa saga tem mais de 500 páginas. Já a saga Casa da Noite ronda as 200 ou 300 páginas, logo cada volume tem menos para contar e, portanto, menos espaço para longos desenvolvimentos.
   Por outro lado, o enredo desta obra não se compara com fantasias épicas. Até porque não tem assim tão grande enredo. Passamos sempre pelos mesmos dilemas dos outros volumes, mudando só a fonte do problema. Mas, sejamos justos, em romances de fantasia cujo público-alvo sejam os jovens adultos, este livro pode até ser bom (quando comecei esta saga, era um deles, já lá vão uns muitos bons anos), por isso em termos jovens o enredo pode nem ter muitas falhas.
   As autoras fazem uma coisa certa, criar várias perspectivas, sendo livros pequenos é difícil desenvolver personagens, mas mudando as perspectivas ao longo do livro e entre livros vai libertando um laço que se fortalece com o leitor (a não ser que ele só leia um volume por ano, como é o meu caso).
   Quanto ao feeling geral desta obra: não é uma das melhores, e tirando a referência ÓBVIA a outras sagas de outras autoras e publicidade descarada, podia ser bem melhor. Mesmo assim continua a ser um pouco melhor do que o oitavo volume. Caso queiram saber mais sobre esse volume, basta seguirem o link: Crítica - Despertada
   Boas Leituras... ;)
4.5/10

André
   

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Renascença - Oliver Bowden

   "Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração."

   Boas Leitores!
   Houve uma pequena pausa aqui no blogue, mas não se preocupem porque estão planeadas muitas críticas para breve! Por enquanto situe-mo-nos nesta que é Renascença da famosa saga baseada nos jogos Assassin's Creed e que já conta com nove volumes, sendo este o primeiro deles todos. E sim, sei que o julgamento é grande... Começar mais uma colecção... Mas bem, tenho acabado algumas (acho).
   Passemos então a esta obra. Os meus sentimentos são mistos relativamente a esta obra. Por um lado, é realmente a adaptação do jogo, visto que está TAL E QUAL, sem tirar nem por, joguei-o uma vez e acho que até as falas são iguais, só faltava no livro estar "Agora carregue no botão X ou O". Isto não significa que seja mau, afinal é uma adaptação, se por vezes queremos que os filmes sejam tal e qual o livro, porque não querer que o livro seja tal e qual o jogo?
   O problema começa com a opinião das pessoas sobre o jogo. Eu achei o jogo um pouco repetitivo, sempre com missões muito semelhantes para fazer, aborrecendo-me. Como tal, seria melhor para mim se o livro não fosse uma adaptação tão fiel ao jogo e tomasse alguma liberdade. No entanto, ao ler o livro, achei a história mais interessante do que quando jogava, chamou-me mais a atenção. Mesmo assim, continuou a ser repetitiva.
   Nesta obra só temos realmente o protagonista como foco, mas não vemos bem o seu desenvolvimento porque entre os vários capítulos passam-se anos por vezes. Conseguimos entender com algumas pistas que ele amadurece com o tempo, como seria de esperar, e que o jovem que inicia a "aventura" não é o mesmo homem duro que a acaba. Mas para além disso não há muito mais, tal como não haveria num jogo.
   Não me querendo prolongar muito, acho que esta obra será muito polarizada, caso quem o leia tenha jogado o jogo correspondente, podem achar o jogo bom e o livro igualmente bom, ou achar o jogo mau e, como tal, o livro mau. Quanto às pessoas que nunca jogaram o jogo? Talvez terão uma experiência interessante, principalmente no seu final, que me puxou um pouco. E claro que estou interessado no segundo livro, porque o segundo jogo é muuuuito melhor do que o primeiro (e agora sem saber, o segundo livro já não é a adaptação fiel que o primeiro foi ahah).
   Boas Leituras... ;)
6/10

André