Mostrar mensagens com a etiqueta Páginas Desfolhadas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Páginas Desfolhadas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de abril de 2016

The City & The City - China Miéville

   "China Miéville delivers his most accomplished novel yet, an existencial thriller taken to dazzling metaphysical and artistic heights.
   When the body of a murdered woman is found in the extraordinary decaying city of Beszel, somewhere at the edge of Europe, it looks like a routine case for Inspector Tyador Borlú of the Extreme Crime Squad. But, as he probes, the evidence begins to point to conspiracies far stranger, and more deadly, than anything he could have imagined. Soon his work puts him and those he cares for in danger, and Borlú must travel to the only metropolis on Earth as strange as his own, across a border like no other."

   Hey readers!
   As semanas passam rápido demais quanto à leitura, e como tal os livros vão sendo lidos devagar. O que não é mau, este é um exemplo disso! Livro isolado, do mesmo autor de Un Lun Dun que foi lido há relativamente pouco tempo. No entanto esta obra foi vencedora de um dos melhores prémios de fantasia/ficção científica que são os prémios Hugo e foi dos nomeados para os prémios Nebula.
   Será que toda esta comoção dos prémios à volta desta obra é justificada? Em parte sim, é uma obra estranha, mas interessante. Ao jeito de China Miéville, pelo menos do outro livro que li dele, deixa os leitores no início um pouco baralhados pelo facto da história parecer passar-se num mundo igual ao nosso, mas depois haver vários elementos completamente contrários ao que se espera. Durante toda a história, o leitor tem a sensação que está numa qualquer cidade da Europa, igual a tantas outras, mas depois parece que não é de todo este planeta.
   O enredo por isso torna-se interessante, introduz conceitos como "desver" algo que o leitor não percebe bem ao início mas acaba por entranhar o conceito e até entender que por vezes isso acontece no nosso mundo. E isso é uma parte boa de toda a obra, é que no fundo há várias pontes entre este livro e o nosso mundo e que mostram a natureza humana.
   Quanto a nível de personagens, foi um pouco fraco. Tirando o protagonista, não se criou qualquer outra ligação com as personagens. Isso reflectiu-se depois no final da história, onde um policial atinge o climáx quando se descobre o culpado por detrás de tudo e o leitor fica "ah ok, então era este" que foi um pouco o que senti.
   E finalmente, o outro ponto menos bom foi o de ter sido um policial. Houve partes que eram consideradas ficção claro, mas a obra em si consideraria um policial e não uma obra de fantasia ou ficção científica.
   Apesar disso, não deixa de ser uma obra muito boa e que aconselho a lerem, é pena não termos edições em português, pelo que terão de se contentar em ler noutra língua.
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

terça-feira, 12 de abril de 2016

Convergente - Veronica Roth

   "A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída – dilacerada por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas. 
   Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama. 
   Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor. 
   Convergente encerra de forma poderosa a série que cativou milhões de leitores, revelando os segredos do universo Divergente."

   Boas Leitores!
   Mais uma colecção acabada! Esta foi fácil, uma trilogia, em que este é o último volume. Existe ainda um quarto livro que se passa neste mundo, com o nome Quatro que conta exactamente histórias da personagem Quatro. Quanto ao que disse na opinião do volume anterior, não, não consegui ler o livro antes de ver o terceiro filme. É essa a minha tarefa agora para ver se está fiel ou não.
   O enredo deste terceiro e último volume não é grande coisa. Uma troca e baldroca de um lado para o outro em que as personagens ficam duzentas páginas a decidir fazer uma coisa, depois outra, depois de volta à primeira e andam neste vai e volta interminável sem que se tome uma decisão, a não ser no final do livro. Esse foi um problema que houve no volume anterior e que se manteve.
   Outro problema que houve foi a introdução da perspectiva do protagonista masculino da saga, Quatro. Os capítulos eram intercalados com a perspectiva dele e a de Tris, até agora nada de mal, e até poderia contribuir para uma obra melhor. Mas não quando às vezes os capítulos têm 2 ou 3 páginas e então a troca entre personagens acaba por confundir um pouco o leitor. Os capítulos maiores tinham não só a vantagem de não confundir tanto o leitor como também de fazê-lo criar um laço mais forte com as personagens ou entender o seu desenvolvimento psicológico.
   O final da saga foi ao mesmo tempo surpreendente mas fraco. Foi surpreendente por não ser a via que normalmente os autores deste tipo de livros toma, mas foi feito de uma forma um pouco fraca, como se tivesse sido uma escapatória a ter de inventar um enredo mais complexo, senti-me bastante dividido no final entre o bom e o mau.
   Este volume subiu um pouco em relação ao anterior, mas para final da saga deixou mesmo muito a desejar em vários aspectos. Caso queiram ver a opinião do livro anterior, basta seguirem o link: Crítica - Insurgente
   Boas leituras... ;)
3.5/10

André
   

domingo, 3 de abril de 2016

The Path of Daggers - Robert Jordan

   "The Seanchan invasion force is in possession of Ebou Dar. Nynaeve, Elayne, and Aviendha head for Caemlyn and Elayne's rightful throne, but on the way they discover an enemy much worse than the Seanchan.
   In Illian, Rand vows to throw the Seanchan back as he did once before. But signs of madness are appearing among the Asha'man.
   In Ghealdan, Perrin faces the intrigues of Whitecloaks, Seanchan invaders, the scattered Shaido Aiel, and the Prophet himself. Perrin's beloved wife, Faile, may pay with her life, and Perrin himself may have to destroy his soul to save her.
   Meanwhile the rebel Aes Sedai under their young Amyrlin, Egwene al'Vere, face an army that intends to keep them away from the White Tower. But Egwene is determined to unseat the usurper Elaida and reunite the Aes Sedai. She does not yet understand the price that others—and she herself—will pay."

   Hello readers!
   Cá voltamos nós à saga do Wheel of Time no seu esplendor de catorze volumes dos quais quatro estão publicados em Portugal, e daí estar a ler em inglês. Este é o oitavo volume, ou seja o primeiro da segunda metade.
   Ser o início da segunda metade significa para mim que espero que não haja um acrescento de complexidade à história, ou que se comecem a desenvolver certas partes. E assim foi, felizmente. De início a leitura estava um pouco parada porque não foi como nos outros volumes em que havia uma troca de perspectivas entre capítulos, só ao final de 6 ou 7 capítulos é que a história passou a ser a de outra personagem.
   Claro que, para início, isto não foi o melhor, mas como acabou esse início foi perceptível o porquê de estar naquela forma, essas acções foram o catalisador do resto da obra. E a partir daí houve várias trocas de perspectivas para cobrir todas, ou quase todas as personagens. Esse foi um dos pontos maus, houve um dos protagonistas do qual não se soube nada durante toda a obra, o que me deixou um pouco desapontado, visto que gosto bastante dele.
   Quanto ao resto do enredo, esteve bom, com um desenvolvimento a um ritmo decente sem empatar e sem apressar de tal forma que fique sem explicação. Temi a certa altura que o autor fosse empatar durante um mês daquele mundo os acontecimentos, mas no final esse mês foi encurtado e o leitor nem se dá conta.
   As personagens não tiveram um desenvolvimento muito extenso, nem médio, como nos outros livros, tal como houve muitos factores que não apareceram nesta obra. Deu uma ligeira sensação de ser um livro mais virado para as políticas em jogo e não para as metas finais.
   A qualidade manteve-se, mas não foi uma das melhores obras da saga, espero que apareça uma dessas em breve, que já tenho saudades! Caso queiram saber mais sobre a saga, sigam o link: Crítica - A Crown of Swords
   Boa Leitura... ;)
7.5/10

André

quinta-feira, 17 de março de 2016

Sangue Felino - Charlaine Harris

   "Uma grande mudança social está a afectar toda a humanidade. Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadãos. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comercializável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano. Mas o novo direito de cidadania traz muitas outras mudanças...
   Traída pelo seu namorado vampiro de longa data, Sookie Stackhouse, empregada de bar do Louisiana, vê-se obrigada não apenas a lidar com um possível novo homem na sua vida (Quinn, um metamorfo muito atraente), mas também com uma cimeira de vampiros há muito agendada. Com o seu poder enfraquecido pelos estragos do furacão em Nova Orleães, a rainha dos vampiros locais encontra-se em posição vulnerável perante todos aqueles que anseiam roubar o seu poder. Sookie vê-se obrigada a decidir de que lado ficará. E a sua escolha poderá significar a diferença entre a sobrevivência e a catástrofe completa..."

   Boas leitores!
   Esta é outra daquelas colecções que só leio a cada dois anos ou assim. O sexto volume da saga Sangue Fresco foi lido em 2013, e quase três anos depois finalmente li o sétimo volume. Talvez daqui a uma década ou assim acabe a colecção que tem treze obras (pelo menos já passei metade).
   No livro anterior a minha opinião pela saga não era das melhores. E querem tentar advinhar? Continua a não ser grande espingarda. Agora pelo menos a sinopse fala realmente do que se passa no livro, isso é um ponto positivo para esta obra. Mas deve ser dos poucos.
   A escrita continua demasiado superficial e muitas vezes sem sentido. Não é tão má quanto a autora de As Cinquenta Sombras de Grey, mas não é claramente uma grande autora. A parte principal da obra, que é o romance, não está muito retratado, mas mais os conflitos amorosos quando se tem vários pretendentes, e consequentemente várias fontes de ciúmes.
   Quanto ao enredo em si, podia ser descrito em cerca de 100 páginas (das 280 que o livro tem), o que é que isto significa? Muita palha lá metida. Depois acaba de forma completamente insatisfatória, sem qualquer cliffhanger que faça o leitor querer mais e mais das obras. Não fossem os casos amorosos não resolvidos, pensaria que a obra estaria no seu fim com uma lição aprendida.
   As personagens nem vale a pena falar muito visto que há um constante aparecer e desaparecer de personagens que não criam qualquer ligação com o autor. A única constante é a protagonista, Sookie que continuamos muitas vezes sem perceber metade do que ela pensa, mesmo sendo uma narradora activa.
   Não é um grande livro, nem eu pensava que o fosse. A saga não está a ficar melhor, por isso acho que não esperarei nada dos próximos volumes, quando os ler (o que poderá ser só daqui a muitos anos). Caso queiram saber mais sobre os volumes anteriores, basta clicarem no seguinte link: Crítica - Traição de Sangue
   Boas Leituras... ;)
4/10

André

quinta-feira, 10 de março de 2016

Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas - Vários Autores

   "Publicado pela primeira vez em 1915, durante a I Grande Guerra, o Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas foi durante trinta anos difundido a médicos de todo o mundo em folhas de carbono ou fotocópias. O trabalho do Dr. Lambshead inspirou génios clínicos de todo o mundo, e Portugal não foi excepção, encontrando no Dr. Anófeles Calamar Trindade e no seu Compêndio de Doenças Notáveis e Invulgares uma referência incontornável.
   Por ocasião da primeira edição portuguesa do Almanaque, foi o próprio Dr. Lambshead, agora com mais de cem anos de idade, que decidiu confiar a edição às mãos capazes, se bem que ainda jovens, do Dr. João Seixas. É a ele que coube a tarefa de reunir novas descobertas propostas por um formidável leque de eminentes especialistas médicos portuguqeses, seguindo na peugada do grande pioneiro clínico Dr. Anófeles Calamar Trindade. Pela primeira vez, as suas descobertas são apresentadas num volume único e insubstituível, onde se juntam ao trabalho de colegas norte-americanos e britânicos de grande reputação como o Dr. Alan Moore, Dr. Neil Gaiman, Dr. Jeff Vandermeer ou o Dr. China Miéville, entre muitos outros."

   Olá leitores!
   Espero que as vossas leituras estejam bem melhores e rápidas que as minhas. Ultimamente não tem sido das mais eficientes. E a culpa não é do livro, que até nem era mau de todo. Esta obra é um livro isolado, sem qualquer prequela ou sequela, nem faria sentido ter.
   Porquê? Porque esta obra é um compêndio em que cada autor escreveu sobre uma doença excêntrica ou desacreditada e inventou com isso um resumo da sua vida como doutor. Cada doença tinha normalmente associado uma história, sintomas e cura. Pode parecer uma obra um pouco simples, mas na minha opinião é preciso alguma imaginação para conseguir-se inventar doenças como algumas das descritas aqui.
   Fiquei ainda mais espantado e orgulhoso de certa forma quando percebi que gostava muito mais das doenças escritas pelos autores portugueses convidados do que muitas das doenças que autores mais famosos escreveram, apesar de uma das minhas preferidas ter sido a doença escrita pelo Dr. China Miéville.
   Como se não bastassem as doenças e os resumos de vida, há também uma secção só sobre as várias "edições" do almanaque, com doenças principais nessa edição que podem ou não já ter sido desacreditadas. As experiências de vários doutores com o Dr. Thackery e a forma como o conheceram foi também muito bem conseguido.
   Apesar disso, não considero esta obra uma grande obra-prima, foi uma ideia inteligente e engraçada, mas que não passa muito disso, não tem enredo, personagens (ou podemos considerar o Dr. Thackery como uma personagem transversal a toda a obra mas que não é muito desenvolvida, como poderia ter sido na minha opinião). Tem boas ilustrações ao longo de todo o livro, que às vezes retratam bem a doença em questão, outras são só um pouco ao lado ou aleatórias.
   É uma obra que podem ler e orgulhar-se principalmente dos autores de língua portuguesa que colaboraram com algumas das suas doenças. É também uma boa obra para fazer a imaginação trabalhar sempre que for precisa.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

terça-feira, 1 de março de 2016

Despertada - P.C. Cast + Kristin Cast

   "A Casa da Noite aguarda-te. Um local cheio de perigos e segredos onde os jovens marcados têm dois destinos: ou se transformam em vampyros ou morrem destroçados.
   Exonerada pelo Alto Conselho dos Vampyros, Neferet jurou vingança contra Zoey Redbird e o domínio que exerce sobre Kalona é apenas um dos planos que pretende usar contra ela. Mas Zoey encontrou refúgio na Ilha de Skye e está a ser treinada pela rainha Sgiach para tomar o seu lugar. Haverá algo melhor do que a ideia de se tornar uma rainha? Porque desejaria voltar para Tulsa? Após a perda de Heath, Zoey nunca mais foi a mesma e a sua relação com o guerrerio Stark também poderá nunca voltar a ser igual...
   E conseguirão a vampyra Stevie Ray e Refaim continuar juntos? Este recusa ser usado contra ela, mas que escolha tem quando ninguém, nem mesmo Zoey, aprova a relação entre ambos? Irá Refaim trair o seu pai ou escolher o seu coração?"

   Olá leitores!
   Começamos o mês de Março com um retomar a uma saga que vai sendo colocada aqui no blogue de anos a anos, já fez dois anos e pouco desde o último volume. Se pensava na altura que seriam oito volumes, sendo este o 8º, estava completamente enganado. Esta saga tem 12 volumes, sendo que como já disse este é o oitavo, ou seja por este andar daqui a uma década acabarei a saga.
   Não que me importe muito porque sempre que volto a pegar nisto penso que realmente esta história perdeu todo o seu rumo. Era uma história interessante nos primeiros volumes, mas após a vinda de "Kalona" uma das personagens más da fita (que vão por mim, tenho a certeza que vai virar uma personagem boa num dos próximos livros) que o enredo foi por água abaixo.
   Os casos amorosos são previsíveis sobre o que vão fazer e como vão acabar. Então histórias de amor impossíveis são as mais cliché que há, sendo que não passaram nem 50 páginas e já imaginava o que aconteceria ao casal Stevie Ray/Refaim.
   Os pontos positivos passam pelo facto de ser um livro pequeníssimo (não chega às 250 páginas), e ser de uma leitura fácil, as autoras não se põem com grandes descrições ou leituras densas, até porque o público-alvo não tem esse interesse. Quanto a ser um livro pequeno, claramente serve para aumentar os lucros, visto que podiam perfeitamente ter metido o volume 9 neste porque a história deste não foi nada.
    Não existe muito mais a dizer, os leitores (mais leitoras de certeza) de idades mais jovens talvez tenham uma preferência maior por estes livros, mas mesmo eles acho que a certa altura se fartarão da história andar a rondar os mesmos problemas durante livros e livros. Caso queiram saber a opinião dos livros anteriores, basta clicarem no link seguinte: Crítica - Queimada
   Boas Leituras... ;)
3.5/10

André

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O Verdadeiro Dr. Fausto - Michael Swanwick

   "A lenda diz que Fausto vendeu a alma ao Diabo em troca de conhecimento ilimitado. Nesta brilhante subversão do mito faustiano por Michael Swanwick, Fausto está em guerra com Deus por ocultar dos humanos o sentido da vida, e deixa-se tentar pelo demónio sedutor que lhe oferece os segredos do voo e do cosmos, os princípios de economia e engenharia, os mistérios da medicina e do átomo.
   Assim se inicia a transição de Fausto de louco a salvador, ao acelerar o progresso humano e precipitar uma nova era de mecanização centenas de anos antes do seu tempo. Mas é então que surge Margaret Reinhardt, e o amor monta uma armadilha a Fausto. Conseguirá o seu amor por Margaret sobreviver incólume à brutalidade e ganância de um mundo que caminha rapidamente para o caos... ou algo pior?"

   Boas Leitores!
   Mais uma obra diferente aqui para o blogue, desta vez de um autor que já foi vencedor dos prémios Hugo e Nebula, para quem não sabe, são dos maiores prémios da fantasia e ficção científica (até devia pegar mais nos vencedores destes prémios, eles merecem!). Não foi com esta obra que Michael Swanwick ganhou os prémios, mas sendo este o único livro publicado cá em Portugal dele decidi tentar.
   É uma leitura estranha, mas que nos leva a pensar várias vezes. Não só em conceitos que nos põem um pouco alienados do mundo como também da possibilidade do mundo ter sido tão diferente se as descobertas científicas mais importantes tivessem sido feitas muitos anos antes. Algumas chegamos à conclusão que teriam a mesma recepção, desdém e ridicularização como no nosso mundo, mas outras talvez fossem muito mais apreciadas.
   Achei grande parte do livro interessante e pode ver-se como ao longo da obra, quanto mais conhecimento Fausto ganha mais vai percebendo que isso o distorce, ou distorce a maneira como vê o mundo e as pessoas. Mas quando chegou à parte do romance, principalmente onde se via a perspectiva de Margaret, o entusiasmo do livro perdeu-se um pouco, deixou de ser a um passo tão rápido quanto antes e também passou a colocar outro tipo de questões ao leitor.
   Algo engraçado foi que não houve um grande desenvolvimento da personagem do Fausto, mas tornou-se o protagonista que o leitor se preocupa e quer saber mais. Acho que parte disso se deveu a uma boa escrita do autor. Tirando as partes em que metia dezenas de termos científicos para dar ênfase aos conceitos completamente estranhos da altura.
   O final tornou-se um pouco pobre para mim, esperei algo que acabasse como o tal "demónio" previra, mas de forma enorme e apocalíptica. Também esperava que a sociedade fictícia avançasse até perto da actualidade ou talvez até depois para ver como é que o autor deixaria as coisas correrem.
   É interessante e fiquei deveras curioso para ler a sua obra vencedora dos prémios de fantasia, talvez um dia pegue nele.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Abraço da Noite - Sherrilyn Kenyon

   "Querida leitora
   A vida para mim é ótima. Tenho o meu café de Chicória, o meu beignet quente e o meu melhor amigo ao telemóvel. Depois de o sol se pôr, sou a pior coisa que percorre a noite: comando os elementos e não conheço o medo. Durante séculos, protegi os inocentes e tomei conta da humanidade, assegurando-me de que estão seguros e a salvo num mundo em que nunca nada é certo. Tudo o que quero em troca é uma miúda gira num vestido vermelho, que não queira mais nada de mim para além de uma noite.
   Em vez disso, sou atropelado por um carro alegórico de Carnaval que me tenta transformar num animal morto à beira da estrada e conheço uma mulher que me quer salvar a vida mas não se consegue lembrar onde me pôs as calças. Vibrante e extravagante, Sunshine Runningwolf deveria ser a mulher perfeita para mim. Não quer nada mais do que esta noite, sem laços, sem compromissos a longo prazo.
   Mas, sempre que olho para ela, começo a desejar concretizar sonhos que enterrei séculos atrás. Com os seus modos pouco convencionais e a sua capacidade para me surpreender, Sunshine é a única pessoa de que preciso. Mas amá-la significaria a sua morte. Fui amaldiçoado e nunca poderei conhecer a paz ou a felicidade, não enquanto o meu inimigo espera na noite para nos destruir a ambos.
   Talon dos Morrigantes"

   Boas Leitores!
   Quem diria que já fez quase dois anos desde que li o volume anterior desta saga? Entretanto já ela tem 26 volumes na sua língua original, entrelaçadas com muitas outras séries da autora e dos quais acho que doze ou treze estarão na nossa língua!
   Claramente que é um livro dirigido para o público feminino, sem qualquer dúvida, começando pela capa, sinopse e depois pelas coisas escritas pela própria editora. Mesmo assim continuo a achar de certa forma errado haver assim esta discrepância tão grande em comparação com outros livros.
   Pontos positivos desta história: muito mais bem escrita do que os famosos livros da autora E. L. James. Não que seja difícil, pelo contrário, é bem fácil escrever de forma mais elaborada do que a acima referida. Mas tenho que afirmar que mesmo para um livro que se foca em descrições sexuais, está bem descrito e elaborado.
   O molde da história, o enredo em si, já não é nada de novo. Homem conhece rapariga, apaixonam-se, coisas acontecem, (sexo, muito sexo), um desastre iminente, salvam-se, vivem felizes para sempre. É isto que normalmente acontece nos livros direcionados ao público feminino e que aconteceu aqui também (e prevejo que aconteça praticamente todas as vezes nos próximos livros).
   Chegou a certa altura da história que já não estava a fazer sentido pelo ridículo que se estava a tornar. Ora era uma personagem em perigo de morte, ora era a outra, e depois trocavam, e trocavam mais uma vez e por aí fora.
   Não há muito mais a dizer sobre isto, é um livro comercial, claramente, cujo enredo é previsível e nada informador ou filosófico, que pelo menos meta o leitor a pensar. Talvez o público-alvo para quem o livro é dirigido aceite e "engula" isto sem questionar ou criticar sequer. Mas não será muito o meu estilo. Os pontos positivos que terá serão mesmo pela escrita sexual, melhor do que muitos na experiência que tenho quanto a isso.
   Para verem as críticas dos volumes anteriores, basta clicarem aqui: Crítica - Prazer da Noite.
   Boas Leituras... ;)
4.5/10

André

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Dragões de um Alvorecer de Primavera - Margaret Weis & Tracy Hickman

   "Krynn prepara-se para a batalha decisiva contra os servos de Takhisis, a rainha das Trevas. Os nossos companheiros têm em seu poder as misteriosas e mágicas orbes e lança de dragão, mas será isso o suficiente para resistirem às forças da escuridão?
   Uma batalha ainda maior encontra-se por travar no coração de cada um dos heróis. Tanis está dividido entre a perigosa Kitiara e o amor incondicional de Laurana. Raistlin prossegue a sua demanda por mais conhecimento e poder entre os magos de Krynn, mas o preço a pagar é elevado e poderá não sobreviver. Saberá Caramon, o seu irmão, até onde vai a ambição de Raistlin? Tasslehoff aprende, pela primeira vez, a sentir medo pelos seus amigos.
   Com o alvorecer, novos segredos e traições, mas também grande coragem e sacrifício, serão revelados. Os deuses são testemunhas de que nada voltará a ser o mesmo em Krynn."

   Boas Leitores!
   Outra saga acabada! Ultimamente têm sido bastantes as sagas a terem um término (algumas ao final de anos e anos) aqui no blogue. Isto só dá oportunidade de entrada de novas obras! Mas por enquanto foquemo-nos nesta. Último volume desta trilogia, que mostra ser não a única saga que se passa no mundo de Dragonlance, mas a única publicada em português por enquanto.
   Então que dizer do final da trilogia? Acho que esta é daquelas que vai melhorando pouco a pouco, o primeiro foi o que menos gostei e este terceiro deve ter sido o melhor. Mas o aumento de qualidade não foi completamente linear, a qualidade melhorou muito mais do primeiro para o segundo do que do segundo para o terceiro. O que quer isto dizer? Que o terceiro está apenas um pouco melhor do que o segundo, o que é mau sinal visto este volume ser o final da história deveria assoberbar-me de maneira estrondosa que me fizesse ficar de boca aberta o tempo inteiro.
   Houve um ou dois momentos que fiquei surpreso, não esperava que certas coisas acontecessem e aconteceram, por outro lado era muito previsível que outras pequenas partes fossem suceder-se. Houve um certo balanço entre imprevisível e previsível.
   Houve várias personagens que tiveram um grande desenvolvimento ao longo da obra, mas diria que houve três que permaneceram apáticas nesse aspecto, pareceu que eram apenas adereços necessários para certas partes do enredo.
   E já que pegamos no enredo, está bom ou mau? Interessante e digno de por um sorriso no fim da leitura, é o que consigo descrever, não só pela curiosidade que deixa mas também pelas descobertas (não muito surpreendentes) do final.
   Como já disse a diferença entre este e o segundo é subtil, mas este está um bocadinho melhor (pensem como se estivesse mais perto do 7,5 do que do 7). Se quiserem saber mais sobre a saga, então basta clicarem no link seguinte: Crítica - Dragões de uma Noite de Inverno
   Boa Leitura... ;)
7/10

André

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A Voz - Anne Bishop

 
"Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida, desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar..."

   Boas Leitores!
   Apareceu por aqui um livro isolado de Anne Bishop. Pequeníssimo, não chega a cem páginas parece mais um conto do que propriamente um livro. Tenho de afirmar que o seu tamanho de bolso também não ajuda.
   Mas afinal que conto é este? Uma pequena história do mundo Efémera, mundo esse onde Sebastian e Belladona têm as suas ações. Não há muito que se possa dizer deste livro dado o seu pequeno tamanho mas vou tentar falar dos seus pontos bons e maus.
   A escrita é simples mas não simples ao ponto infantil, aliás tem algumas metáforas (que por vezes deixam de ser metáforas para passarem a ser comparações reais) muito boas e que fazem sentido na história e até no nosso mundo.
   Quanto ao enredo, para cem páginas não podia pedir-se muito, sinto que havia imenso que podia ser explorado e descrito com melhor cuidado, não diria num livro de 400 páginas, mas se calhar 200 tornariam a obra muito melhor. Principalmente na área das personagens, não há muito desenvolvimento, apesar de se passarem anos na história, não sabemos muito da protagonista e no final ficamos sem saber muito também.
   E acho que esse é o ponto fraco deste conto, por ser tão pequeno e pouco descritivo não há qualquer ligação com o leitor, mesmo havendo partes chocantes e revoltantes não são ao ponto de atingir aquele que lê a obra.
   Foi bom para matar aquele bichinho de Anne Bishop (e das suas obras boas, não tanto daquelas que li por último) e aconselho àqueles que gostam da autora.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Senhora do Império - Raymond E. Feist & Janny Wurts

   "A Senhora Mara dos Acoma sente-se segura e em paz, e pela primeira vez na vida longe dos seus inimigos - até que uma tentativa de assassinato que lhe é dirigida acaba por matar o seu filho e herdeiro. Cercada por espiões e casas rivais, e perseguida por uma irmandade secreta de assassinos impiedosos, Mara enfrenta o desafio mais letal com que alguma vez se deparou.
   Mas os seus planos de vingança pela morte do filho são rapidamente gorados pela Assembleia de Magos, que detém o poder real do Império e mantém a população dócil e domesticada, além dos terríveis Mantos Negros, que encaram Mara como a ameaça suprema ao seu poder ancestral. Em busca de aliados para assegurar a justiça e paz para o império, Mara tem de viajar para lá das fronteiras da civilização, desvendando antigos segredos até às colmeias dos estranhos Cho-ja. Reunindo toda a sua coragem e astúcia, Mara levará a sua maior batalha em nome da sua vida, do seu lar e do seu império."

   Boas leitores!
   Pois é, o último volume da Saga do Império está finalmente terminada! Após três grandes livros chegamos por fim ao quarto para nos depararmos, não com o espectáculo brilhante que eram os volumes anteriores, mas para um desapontamento brutal que é este grande volume de quase 700 páginas.
   Não só por ter um ritmo bem mais lente do que antes, o primeiro terço do livro é passado numa letargia de morrer de aborrecimento. Não achei que a protagonista Mara fosse tornar-se tão sem qualquer piada ou interesse, mesmo nos volumes anteriores quando o romance começou a aparecer, temi pela história, mas isso revelou-se um bónus ao livro e foi muito melhor do que o que aconteceu neste volume.
   Dei por mim várias vezes a pensar se não estaria a ler um livro da saga Kushiel pela semelhança de enredo. A política e os estratagemas pensados ao pormenor não aparecem aqui como antes, é mais um jogo de dois jogadores em vez de uma competição de vidas entre duas grandes Casas com várias apostas em jogo.
   As viagens constantes da protagonista são, uma vez mais, semelhantes à saga que referi antes. A única coisa realmente interessante é que este volume fala mais sobre a magia daquele mundo. Isto não tinha acontecido nunca (a não ser com a saga O Mago) o que por um lado foi bom descobrir mais coisas sobre este assunto (mas não esticado ao ponto de 700 páginas).
   O ponto positivo final desta obra foi a ação final, foi bem escolhida e o duo conseguiu acabá-la de maneira muito boa, em que dá uma satisfação plena ao leitor. Não que isso não tivesse acontecido já, pois como se lembram a minha opinião do terceiro livro desta saga era que não saberia onde é que os autores iriam pegar visto que parecia que a história tinha acabado ali. Se calhar, deveriam mesmo ter acabado em vez de tentarem prolongar algo que não deviam.
   Tenho de dar o crédito por estar bem construído, mas são prejudicados pelo "enchimento de chouriços" desnecessário. Caso queiram saber mais sobre os livros anteriores, basta seguirem os links: Crítica - A Serva do Império Vol.2
   Boas leituras... ;)
5/10

André

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Dragões de uma Noite de Inverno - Margaret Weis & Tracy Hickman

   "Os nossos heróis venceram uma batalha, mas não venceram a guerra pelo destino de Krynn. Os servos de Takhisis, a rainha dos Dragões, estão de volta e os povos de todas as nações precisam de lutar para salvar os seus lares e manter a própria liberdade. Mas há muito que as raças estão divididas pelo ódio e preconceito. Guerreiros elfos e cavaleiros humanos lutam entre si e a guerra parece estar perdida antes de começar.
   Forçados a separarem-se pelos acontecimentos, passará ainda algum tempo antes que os nossos heróis se reencontrem. Perseguidos por estranhos sonhos e profecias sinistras, o grupo parte em busca das misteriosas e lendárias orbe e lança do dragão.
   Conseguirão, juntos, fazer frente às trevas? E será possível para um cavaleiro caído em desgraça, enfrentar, à pálida luz do inverno, as forças de Takhisis?"

   Boas leitores!
   Aqui estamos a retomar uma trilogia que foi iniciada já há algum tempo. Mas felizmente vai ser terminada rapidamente, visto que o segundo volume está lido e o terceiro está a caminho! Como podem perceber, esta trilogia tem todos os seus volumes publicados em Portugal.
   Comparando com a crítica que fiz ao volume anterior tenho a dizer que esta obra melhorou um pouco a avaliação que tinha da trilogia. Este livro já está mais interessante com um enredo um pouco mais complexo e com um desenvolvimento das personagens mais aprofundado.
   Desta vez a dupla de autoras conseguiu em poucas páginas entranhar o leitor na cabeça das personagens e perceber quais eram os medos/desejos mais profundos de cada uma, o que ajuda imenso os leitores a criarem ligações emocionais com os protagonistas.
   Como se não bastasse o enredo também ficou melhor, deixou de ser apenas um conjunto de aventuras (apesar de ainda ter algumas indicações disso que tornam-se um pouco aborrecidas) para passar a ser uma história contínua em três livros com um perigo cada vez maior e, portanto, um suspanse colado ao ar da história que vai aumentando conforme a obra se vai desenrolando.
   Houve apenas alguns pontos negativos que se focaram mais nos supostos pontos altos de surpresa, que não foram assim tão surpreendentes, até um pouco previsíveis. No entanto, não sei dizer o que teria sido melhor para que estes pormenores tivessem sido tornados completamente inesperados. Acho que o que deu de si foi a contínua indicação que algo estava para acontecer. Em vez de acontecer duma vez, sem qualquer aviso.
   Está um pouco melhor do que o anterior, mas continua sem ser uma obra excelente e obrigatória. Talvez essa pontuação seja para o terceiro volume. É esperar para ler. Se entretanto quiserem saber sobre a opinião do livro anterior é seguirem o link: Crítica - Dragões de um Crepúsculo de Outono
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A Música do Silêncio - Patrick Rothfuss

   "Sob a Universidade há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem da sua existência: uma rede descontínua de túneis antigos, corredores serpenteantes e salas abandonadas. Ali, no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem.
   O seu nome é Auri, e é uma jovem cheia de segredos.
   A Música do Silêncio é um vislumbre breve e agridoce da sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história oferece-nos a oportunidade de ver o mundo pelos olhos de Auri. E dá-nos a oportunidade de conhecer algumas coisas que só ela sabe...
   Neste livro, Patrick Rothfuss leva-nos ao mundo de uma das personagens mais enigmáticas da série "A Crónica do Regicida". Repleto de segredos e mistérios, A Música do Silêncio é uma narrativa sobre uma jovem ferida a tentar viver num mundo destruído."

   Boas Leitores!
   Hoje trago-vos uma obra que me surpreendeu de maneira diferente. Não posso dizer que foi uma surpresa daquelas que fazem-nos explodir de emoções como uma criança que acaba de saber as melhores novidades de sempre. Não, este livro foi uma surpresa agradável que de alguma forma consegue tocar-nos em partes da alma que desconhecíamos e que não julgávamos existirem, de uma forma simples e suave.
   Estou a falar duma obra que só por ser de Patrick Rothfuss já esperava que fosse uma grande obra! Assumo que pensei várias vezes que este livro fosse só para empatar a sua escrita da saga original, mas fico muito contente por tê-lo feito. É um livro que só acrescenta complexidade à história, que ajuda o leitor a compreender uma das personagens mais estranhas/peculiar.
   A escrita foi feita de uma forma que no início estranhei e lia a pensar "mas que raio?". Depois, passadas umas páginas foi como se sempre tivesse lido e entendido do que Auri falava. Sim porque esta obra só tem uma personagem, Auri, não há diálogo entre ela e outras personagens. Apenas ela e a Subcoisa.
   Se estão curiosos para saber quem ela era, ou o que levou-a a chegar àquele estado então não vão obter muito nesta obra. É certo que houve uns pormenores discretos que possam ter desvendado muito mais do que se fosse ela a dizer a alguém, deu até uma sensação de que estávamos a entrar demasiado na privacidade dela sem querer, mas logo o leitor pode recuar para a vida normal de Auri.
   As ilustrações que acompanham o livro ajudam imenso a visualizar todas as cenas que são descritas, para além de darem um toque de melancolia e mistério ao ambiente.
   É um livro pequeno que conta uma semana. Tal como o autor diz na nota, a maior acção que há neste livro é a protagonista estar a fazer sabão. No entanto, tal como autor diz também, esta história é para todas as pessoas ligeiramente quebradas que existem por aí. Não aconselho a sua leitura para quem nunca leu os outros livros do autor, e só por isso não digo que é de leitura obrigatória (apesar dos livros da saga A Crónica do Regicida serem!
   Boas Leituras... ;)
9.5/10

André

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O Bruxo - Michael Scott

   "Um livro mágico. Dois gémeos que podem salvar o mundo. Alquimistas, magos, heróis e vilões. Figuras históricas e mitológicas. A maior aventura de sempre.
   Na quinta parte desta bem sucedida série, os gémeos da profecia foram separados, e o fim está a começar.
   Com Scatty, Joana d'Arc, Saint Germain, Palamedes e Shakespeare em Danu Talis, Sophie está sozinha com Nicholas, cada vez mais fraco, e com Perenelle Flamel. Tem de contar com a ajuda de Niten para encontrar um imortal que lhe ensine Magia da Terra.
   A surpresa é que ela irá encontrar o seu professor no mais comum dos lugares."

   Boas leitores!
   Após anos e anos e anos, aqui está o quinto volume desta saga com o nome Os Segredos de O Imortal Nicholas Flamel. Desde 2011 que tinha sido quando li o volume anterior que não li mais nada desta colecção, em parte não foi por minha culpa, só o ano passado é que esta editora decidiu voltar a publicar a saga, por isso só me atrasei uns meses.
   Esta saga é composta por 6 volumes, sendo que este é o quinto como já referi anteriormente. Quando é que o último volume estará disponível cá em Portugal? Uma muito boa questão, mas eu desejo fervorosamente que seja rápido, porque esta saga precisa de ser acabada.
   Comecei a lê-la há imensos anos, como tal acompanhou-me durante vários anos da minha vida, sendo que devo ter começado a ler pelo menos desde 2007. E com os anos a minha perspectiva para com a saga foi mudando.
   Antes era uma das sagas mais espectaculares, com magia e personagens conhecidas. Conforme os volumes foram saindo acho que deixou tanto de ser sobre magia para ser mais sobre mitologia. Neste volume, a magia era um resquício de que se falava de vez em quando e a mitologia algo central e importante.
   As personagens estão moderadamente bem desenvolvidas. Quero dizer com isto que, por um lado, o leitor entende facilmente as razões de cada um e consegue identificar-se com os protagonistas, mas por outro há certos pormenores que não parecem conjugar e que são como pedaços de areia numa engrenagem.
   Outro grande medo meu foi o final desta obra. Acabou de forma que se não for explicada como deve de ser no último volume pode dar uma das maiores contradições de sempre. Esperemos que o autor não se desenrasque desse problema com um simples "a personagem estava a mentir".
   Enfim, para os jovens acho que é um livro que deviam apostar, se foram como eu e estiverem com saudades da saga, o livro está até barato na Wook! Para verem o volume anterior aqui no blogue, sigam o link: Crítica - O Necromante
   Boa Leitura... ;)
6.5/10

André

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Grande Bazar e Outras Histórias - Peter V. Brett

   "Este livro reúne várias novelas do Ciclo dos Demónios que podem ser lidas como histórias independentes, mesmo por quem não conhece a obra de Peter V. Brett. Cada uma é a sua própria entrada para um mundo terrível em que os demónios deambulam pela noite, à caça de seres humanos. No entanto, para aqueles já familiarizados com o mundo do Ciclo dos Demónios, estas novelas serão um mimo especial, pois acrescentam profundidade e textura ao universo da série.
   As duas primeiras, O Ouro de Brayan e O Grande Bazar, têm lugar a meio dos acontecimentos de O Homem Pintado, contando histórias sobre as aventuras de Mensageiro de Arlen Bales, antes de ele se tornar o Homem Pintado. O Ouro de Brayan fala da primeira viagem a solo de Arlen como Mensageiro, uma viagem perigosa em que ele leva explosivos para uma remota cidade mineira de montanha. O Grande Bazar foi escrito para preencher a lacuna entre O Homem Pintado e A Lança do Deserto, dando uma nova perspectiva sobre a forma como Arlen encontrou a mítica Lança de Kaji.
   A terceira novela, O Legado de Mensageiro, abrange uma década apresentando algumas personagens conhecidas e introduzindo uma nova que irá desempenhar um papel central no livro 4 do Ciclo dos Demónios: O Trono dos Crânios."

   Boas Leitores!
   Aposto que os grandes leitores da saga Ciclo dos Demónios já leram este livro há muito tempo (para aqueles que ainda não o fizeram, mas que adoram esta saga então aproveitem!) e que livro é exactamente este? Como diz na sinopse é apenas um compêndio com variados contos e extras que complementam um pouco a história dos três livros já lançados.
   É verdade que qualquer pessoa poderia ler este livro, no entanto acho um pouco arrojado dizerem que as pessoas que não estão dentro deste mundo conseguiriam dar-se bem ao ler apenas este volume. Há muitos pormenores que para um leitor inexperiente ficariam perdidos.
   Há três contos principais, o primeiro não achei nada de espantoso, é mais para um público mais jovem. Já o segundo, apesar de pequeno, é como uma peça que faltava no puzzle da história e que assim é completada, ou seja é um ponto positivo por existir. O terceiro conto deixou-me meio indeciso, por um lado é mais pormenores não muito relevantes para a história principal, no entanto o autor refere que uma das personagens terá um papel importante no quarto volume da saga, o que desperta logo a curiosidade, pois normalmente o protagonista de cada livro tem o seu passado muito bem retratado.
   Os extras como um dicionário de uma das línguas ou até mesmo um compêndio das guardas são daqueles mini-doces que os leitores adoram para poderem entranhar-se cada vez mais na história, ainda para mais uma história como esta. Não poderia deixar de falar nas ilustrações, também muito bem conseguidas! Alguns dos demónios não imaginava bem daquela maneira, mas isso é que é o espantoso da imaginação, é ilimitada.
   Concluo dizendo que os leitores da saga deveriam arriscar e dar uma vista de olhos neste volume, pelo menos assim não ressacam tanto da espera que estamos a ter pelo quarto volume da saga O Trono dos Crânios (que ainda nem uma data de lançamento em Portugal tem, apesar de já ter saído há 10 meses no estrangeiro).
   Boas Leituras...
 7/10

André

domingo, 10 de janeiro de 2016

Justiça de Kushiel - Jacqueline Carey

   "Kushiel barra o caminho de Phèdre, severo e ameaçador. Numa mão, segura uma chave de bronze, e na outra... um diamante, enfiado num cordão de veludo.
   Phèdre nó Delaunay, a eleita dos deuses para suportar um indizível sofrimento com infinita compaixão é a vítima perfeita, a "oferenda sem igual" cuja profanação assegurará a ascendência de Angra Mainyu, O Senhor das Trevas.
   A morrer, pensa Phèdre, será às mãos do amor. Mas o amor é uma força assombrosa, e amor há que desafia todas as probabilidades...
   E o Amor reina em força neste volume pungente, a encerrar a saga de Kushiel. O amor de Joscelin por Phèdre, seu Companheiro Perfeito que tudo dá por ela. O amor de Phèdre pela sua rainha, que quer Imriel de la Courcel de volta, o amor de Phèdre por Hyacinthe, seu único e verdadeiro amigo, amor de Phèdre por Imriel, apenas amor simples e destituído de adornos.
   O Lungo Drom de Phèdre e Joscelin continua, por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.
   Ousará Phèdre? Ousará Phèdre receber o Nome de Deus e com ele obrigar a que libertem Hyacinthe? "Para receber o Seu Nome", instruiu o místico yeshuíta Eleazar ben Enokh, "d'Ele nos devemos acercar em perfeita confiança e amor, do nosso ser fazer um receptáculo onde o nosso ser não esteja." Logrará Phèdre fazê-lo?"

   Boas Leitores!
   Chegamos finalmente ao último livro d'A Saga de Kushiel! O sexto volume acaba agora esta grande colecção que esteve em aberto no blogue por vários anos.
   Felizmente esta obra melhorou muito em comparação com o anterior que li há mais de um ano e que me tinha desiludido sobremaneira. Neste a acção desenrola-se mais depressa (mas mesmo assim não há grande acção). Grande parte do livro é passado com descrições sobre onde estiveram e como eram as paisagens, principalmente do homólogo de África.
   No entanto a autora conseguiu dar por terminados todos os pontos soltos que havia. Quer fossem aventuras inacabadas, ou simplesmente pormenores das personagens que tinham ficado ainda por desvendar aconteceram neste livro. Claro que houve pormenores que foram delicadamente deixados em aberto para uma possível futura saga.
   Contudo, continuou a haver certas partes que não faziam qualquer sentido para mim, nomeadamente partes que critiquei também no volume anterior, mas essa é a minha modesta opinião, que aposto que será contrária à de tantas outras pessoas.
   É uma leitura rápida, não só por ter cerca de 280 páginas mas também pela escrita da autora ser de fácil leitura que não esgota o leitor num ápice. As partes sexuais continuaram com a qualidade que já tinha afirmado que a autora tem (milhares de vezes superiores a E. L. James), mas curiosamente não houve partes de violência que eram comuns nestas obras, não que devesse haver, acho que a história como está contada neste último volume está bem assim.
   Se tiverem curiosidade nesta saga, e quiserem saber mais, é só irem clicando nos links de cada opinião: Crítica - Avatar de Kushiel
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Acácia - Presságios de Inverno - David Anthony Durham

   "Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo. Um império dominado por um povo austero e intolerante. Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino. Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.
   Há muito tempo que o Reino de Acácia deixou de ser governado em paz a partir de uma ilha Idílica por um rei pacificador e pela dinastia Akaran. O cruel assassinato do rei trouxe muitas mudanças e grande sofrimento. Com a conquista do Trono do Mundo Conhecido por parte de Hanish Mein, os filhos de Leodan Akaran são forçados a refugiarem-se em zonas longínquas que desconhecem. Sem tempo para fazer o luto pelo seu pai, os jovens príncipes são separados e jogados à sua sorte num mundo cada vez mais hostil. E é entre piratas, deuses lendários, povos guerreiros e espíritos de feiticeiros que encontram a sua força e a sua verdadeira essência. Entretanto, Hanish continua empenhado na sua missão de libertar os seus antepassados e finalmente entregar-lhes a paz depois da morte. Mas para isso, os Tunishnevre precisam de derramar o sangue dos príncipes herdeiros...
   Conseguirá Hanish capturar os filhos do falecido rei Akaran? Voltarão a cruzar-se os caminhos dos quatro irmãos? Estará o coração de Corinn corrompido e rendido à paixão por Hanish ou dormirá com o inimigo apenas para planear a reconquista do Trono de Acácia? E se, de olhos postos na vitória, os herdeiros de Akaran voltarem a sofrer o mais duro dos golpes?"

   Boas Leitores!
   A saga Acácia está de volta ao blogue! Após mais de três anos e meio decidi dar uma hipótese à saga e continuar a lê-la, desta vez com o seu segundo volume dos seis existentes em Portugal. Esta obra é a segunda metade do livro em inglês, visto que cá em Portugal os livros estão separados em dois.
   Comparando com o volume anterior este tem os pontos um pouco trocados. Está melhor que o primeiro, decididamente, no entanto a escrita do autor não me agrada muito. Acho que entre os capítulos, que são perspectivas de diferentes personagens (o que me agrada como sempre), passa-se imenso tempo sem que haja qualquer referência a tal. Tanta informação que poderia ser explorada de forma a enriquecer o livro e dar uma melhor experiência ao leitor e no entanto, as acções passam-se rápido de mais.
   O problema disto é que vão coisas de arrasto como o desenvolvimento das personagens, que num momento são crianças e logo de seguida são adultos com ideais e princípios próprios e o leitor fica apenas com pistas do que poderá ter dado origem a tal.
   Mesmo assim conseguiu surpreender-me em algumas partes, mais perto do fim, onde pensei que o livro não conseguiria ter seguimento para mais quatro obras (ou duas em inglês) mas acabou por conseguir-se prolongar. Agora estou curioso para ler essa terceira obra e ver onde é que irá levar, a história ganhou o seu potencial. E também se a escrita melhora ao longo das obras.
   Caso estejam curiosos pelo primeiro volume podem sempre clicar no link seguinte: Crítica - Acácia - Ventos do Norte
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Guerra e Paz - Livro II - Lev Tolstói

   "Uma obra verdadeiramente monumental, justamente considerada património universal, descreve as guerras movidas por Napoleão contra as principais monarquias da Europa, dissecando as origens e as consequências dos conflitos e, principalmente, expondo as pessoas e suas vulnerabilidades com uma aguda percepção psicológica. Mais particularmente, o enredo deste romance decorre durante a campanha de Napoleão na Áustria, e descreve a invasão da Rússia pelo exército francês e a sua retirada, compreendendo o período de 1805 a 1820. A partir deste fundo histórico e épico onde se movem mais de 550 personagens, além dos elementos das famílias aristocráticas principais, Tolstói visou criar um retrato realista da sociedade russa de inícios do século XIX, denunciando o preconceito e a hipocrisia da nobreza, ao lado da vida sofrida dos soldados e dos servos. Este quadro presta-se ainda a expor as ideias do autor sobre o sentido da vida e a desenvolver as suas reflexões filosóficas em favor de uma sociedade mais justa e fraterna. Através da sua escrita, sentimos que é o próprio Tolstói que se debate com as suas contradições interiores, que haveriam mais tarde de o levar a procurar na espiritualidade uma resposta aos seus anseios mais profundos. O seu legado literário figura a par do de outros escritores russos do século XIX entre os quais se destacam Dostoiévski, Pushkin, Turgueniev e Tchekov. A presente obra - publicada em quatro volumes - foi traduzida diretamente do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra que, pela excecional qualidade do seu trabalho, venceram o Grande Prémio de Tradução Literária APT/Pen Clube Português."

   Boas Leitores!
   Antes de mais nada, que tenham umas boas entradas no ano de 2016, cheios de boas obras literárias!
   Agora quanto a esta obra. Segundo volume de quatro da obra mundialmente conhecida Guerra e Paz.
   Este volume versa mais sobre as intrigas da corte, com imensos bailes, serões e festas em casas da aristocracia russa. Não é mau de todo, é um romance histórico que está acima de muitas obras que tentam simular intrigas de cortes de fantasia. Fiquei atraído muito mais por este volume do que pelo anterior, que teve pouca desta intriga (e também por ser a introdução de centenas de personagens diferentes com nomes demasiado complexos para serem decorados rapidamente).
   Mas este volume não se foca apenas nas intrigas, há muitos capítulos dedicados completamente a discursos de certa forma filosóficos sobre o objectivo do ser humano, e o seu alcance para a felicidade e para a plenitude interior sempre em batalha com as coisas exteriores que o mundo atira. Não são aborrecidas pois vão em conjunto com o enredo construído pelo autor.
   O desenvolvimento das personagens também está muito bom, vamos vendo o evoluir de certas características de algumas das personagens, que muitas vezes são acompanhadas pelos tais pensamentos filosóficos ou metafísicos e que se relacionam com o leitor muitas das vezes.
   Fiquei deveras curioso para ler o terceiro volume desta grande obra. Entretanto se quiserem saber sobre o volume anterior, basta seguirem o link: Crítica - Guerra e Paz - Livro I
   Boas Leituras... ;)
7.5/10

André

sábado, 26 de dezembro de 2015

Oblívio - Filipe Faria

   "A Manopla de Karasthan juntou-os.
   Os Filhos do Flagelo uniram-nos.
   As Marés Negras marcaram-nos.
   A Essência da Lâmina separou-os.
   As Vagas de Fogo  deram-lhes esperança.
   O Fado da Sombra destruiu-a.
   Tomados pelo desânimo, os companheiros enfrentam agora o seu maior desafio e o Oblívio ameaça a própria existência, da mesma forma que parece ser a sua única salvação. Na mais negra hora de Allaryia, a Sombra ergue-se triunfante, mas nem tudo o que parece é, e ainda falta a'O Flagelo jogar a sua última cartada... Por fim, o tão aguardado sétimo e último volume das Crónicas de Allaryia, o final da épica saga que cativou milhares de leitores e que assinala um marco no fantástico português."

   Boas Leitores!!!
   Espero que tenham recebido muitos livros nesta época festiva! E que tenham sido exactamente aqueles que esperavam! Se receberam vales, sempre podem andar a vasculhar por aqui para verem algo que vos agrade. Por exemplo este livro. Sétimo e último da saga de Filipe Faria como podem ver pela sinopse.
   Se viram as minhas opiniões dos livros anteriores repararam que um ponto que falo SEMPRE quando estou a falar desta saga é a escrita do autor. Nos primeiros livros era imensamente descritiva, com parágrafos gigantescos que destruíam a energia do leitor pouco a pouco. No entanto isso foi melhorando conforme a saga foi avançado e posso dizer até que neste último volume foi o melhor nesse aspecto. A leitura era muito mais fluída e causava mais impacto, quando necessário, do que ter um parágrafo imenso em que me perdia passado um pouco.
   Não sei se foi por este ser o último volume da saga e então a história ser mais emocionante por ter todos os desenrolares dos enredos, mas o certo é que a história cativou-me ainda mais neste (efeito sinergético da escrita talvez?). Não só o enredo era complexo mas intrigante com suspanse e mistério à mistura como o desenvolvimento das personagens estava refinado, principalmente o de Seltor.
   E peguemos agora por esse ponto, falei num dos livros que achei fantástica a perspectiva de Seltor e a maneira como o autor a descreveu. Continuou com essa qualidade, é a única coisa que tenho a dizer. A adição de personagens como azigoth em Allaryia foi também um golpe de mestre na minha perspectiva, achei ainda mais entusiasmante.
   Os únicos reparos que tenho a fazer foi que o autor terminou de forma mais ou menos boa, houve muitas pontas soltas que foram propositadamente deixadas assim com o intuito de um projecto futuro, não só para atar essas pontas mas também criar um novo enredo com base no que foi dito aqui. Ou seja, não houve uma conclusão definitiva.
   Apesar de tudo, foi dos melhores livros de Filipe Faria! Aconselho a ler, mas aviso-vos que terão de passar por muito para chegarem a este. É como subir uma montanha! Se quiserem saber do livro anterior então basta clicarem aqui: Crítica - O Fado da Sombra
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

domingo, 13 de dezembro de 2015

Guerra e Paz - Livro I - Lev Tolstói

   "Tendo como pano de fundo um cenário de guerra, com a invasão da Rússia por parte das tropas Napoleónicas, esta novela épica apoia-se em episódios ficcionais e históricos sobre aquele país, num momento de profunda convulsão, e surge como uma reflexão sobre a vida humana e a sua frágil existência. Nesta obra grandiosa, as personagens amam, odeiam e lutam, mas acima de tudo anseiam por encontrar o sentido da vida. Tal como elas, também Tolstói se confrontou inúmeras vezes com a sua própria condição enquanto ser humano, refugiando-se a dado momento numa fé e religiosidade profundamente vincadas. Tolstói deixou-nos um valiosíssimo legado literário e o seu nome perfila ao lado de outros grandes vultos como Shakespeare ou Homero.A presente obra – publicada em quatro volumes – inicia uma nova colecção, intitulada «Obras-Primas da Literatura» e foi traduzida directamente do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra que, pela excepcional qualidade do seu trabalho, venceram o Grande Prémio de Tradução Literária APT/Pen Clube Português."

   Boas leitores!
   O Natal está quase a chegar, já compraram todas as prendas? Não? Se estão com dúvidas sobre o que oferecer e que tal esta obra clássica? Este é o primeiro de quatro volumes de um único livro muito conhecido, denominado Guerra e Paz.
   Já há muito que ouvia falar dele e sempre tive curiosidade de lê-lo, mesmo sem saber qual era o tema central. Este primeiro quarto da obra é boa, com uma escrita bastante adequada para o romance histórico, e considerando que foi escrito há mais de cem anos, uma escrita assim é de louvar (claro que também parte desse trabalho foi dos tradutores que mereceram o prémio!).
   Quanto à história do livro, é meio de intriga na corte e de acção nas batalhas contra Napoleão. Vemos de tudo um pouco mas o certo é que no meio de tantas personagens é fácil perdermo-nos nelas sem conseguir lembrar ao certo qual é qual. No entanto a forma como o autor escreve sobre cada uma e as diferentes perspectivas delas num único cenário dá uma boa visão de tudo o que se passa.
   A contínua crítica à sociedade é algo que se sente desde o início e é muito boa a meu ver. Cada personagem é um ícon a uma certa característica negativa que as pessoas se tornam na sociedade. Mas por vezes há outras personagens que deixam de ser negativas para passarem a representar virtudes ou vantagens aos olhos do leitor.
   E isto em apenas um quarto do livro, precisarei de ler mais para poder desenvolver melhor esta minha opinião. Esperemos que o próximo seja ainda melhor.
   Boa Leitura... ;)
7/10

André