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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

The Way of Kings, Part 2 - Brandon Sanderson

   "According to mythology mankind used to live in The Tranquiline Halls. Heaven. But then the Voidbringers assaulted and captured heaven, casting out God and men. Men took root on Roshar, the world of storms. And the Voidbringers followed ...
   They came against man ten thousand times. To help them cope, the Almighty gave men powerful suits of armor and mystical weapons, known as Shardblades. Led by ten angelic Heralds and ten orders of knights known as Radiants, mankind finally won.
   Or so the legends say. Today, the only remnants of those supposed battles are the Shardblades, the possession of which makes a man nearly invincible on the battlefield. The entire world is at war with itself - and has been for centuries since the Radiants turned against mankind. Kings strive to win more Shardblades, each secretly wishing to be the one who will finally unite all of mankind under a single throne.
   On a world scoured down to the rock by terrifying hurricanes that blow through every few days is a young spearman, forced into the army of a Shardbearer, led to war against an enemy he doesn't understand and doesn't really want to fight.
   What happened deep in mankind's past?
   Why did the Radiants turn against mankind, and what happened to the magic they used to wield?"


   Boas Leitores!
   E aqui estamos para opinar sobre a segunda parte da obra de Brandon Sanderson, The Way of Kings. Como referi antes, este livro está dividido em dois, nesta edição. O segundo livro da saga, Words of Radiance também está dividido em dois, felizmente o terceiro é apenas um volume.
   Esta segunda metade não desilude de todo. A história continua entusiasmante, acrescentando mistérios em cima de mistérios à medida que o leitor vai percebendo como é que o mundo funciona. Por cada detalhe que percebemos ao ler esta obra, e que nos faz entranhar mais neste mundo fictício, mais na mente das personagens ficamos e, com elas, mais perdidos nos sentimos naquele mundo gigantesco.
   Mas isto é propositado, e brilhantemente. Brandon Sanderson consegue escrever de tal forma que nos sentimos as personagens nos livros dele. E não só sentimos isso como nos damos a perceber tudo como as personagens se sentem, inclusive a informação que eles têm. Para além disso os dilemas pessoais que os vários protagonistas passam são palpáveis e com os quais facilmente nos relacionamos, o que só torna mais real a história.
   O final da obra foi também genial por várias razões. Primeiro teve a sua parte de coisas a acontecer que pudessem alegrar o leitor. Segundo, temos uma abertura para os mistérios que estão por vir na saga. Por fim ficamos boquiabertos com os últimos acontecimentos e sedentos de mais pormenores. Por essa razão não julgaria ninguém se tivessem já a ler a segunda obra desta brilhante saga.
   Acho que não preciso de convencer ninguém a ler esta obra, mas se ainda houver alguém que não esteja convencido: Vão já ler! Vale mesmo a pena! Caso queiram saber mais sobre o volume anterior, basta seguirem o link: Crítica - The Way of Kings, Part 1
   Boas Leituras... ;)
10/10

André

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

The Way of Kings, Part 1 - Brandon Sanderson

   "Roshar is a world of stone and storms. Uncanny tempests of incredible power sweep across the rocky terrain so frequently that they have shaped ecology and civilization alike. Animals hide in shells, trees pull in branches, and grass retracts into the soilless ground. Cities are built only where the topography offers shelter.
   It has been centuries since the fall of the ten consecrated orders known as the Knights Radiant, but their Shardblades and Shardplate remain: mystical swords and suits of armor that transform ordinary men into near-invincible warriors. Men trade kingdoms for Shardblades. Wars are fought for them, and won by them.
   One such war is about to swallow up a soldier, a brightlord and a young woman scholar.
   Widely acclaimed for his work completing Robert Jordan’s Wheel of Time saga, Brandon Sanderson now begins a grand cycle of his own, one every bit as ambitious and immersive."

   Boas Leitores!
   E lá começamos uma nova saga (desta vez não é culpa minha, mas sim do podcast Em Busca da FantaCiência, já ouviram?) e esta saga é das bem grandes. Planeada para ter 10 livros, apenas os três primeiros estão publicados ainda, mas da maneira que Brandon Sanderson escreve não deve faltar muito até termos mais alguns. Este primeiro livro está dividido em dois na edição que estou a ler, pelo que verão aqui duas opiniões ao mesmo livro. O segundo livro da saga tem a mesma construção, por assim dizer, mas esse ficará para mais tarde.
   E como sempre este grande autor não nos desilude. Começando pelo worldbuilding fantástico com a forma como o planeta, a fauna e a flora do mesmo que estão desenhados para esta história é algo extraordinário.
   Este primeiro volume é ainda uma pequena amostra do que está para vir, tem muito de conhecer novas personagens, entender como é que o mundo funciona e ainda tentar perceber qual é o enredo principal e onde é que levará o leitor. Mas isso é algo que o leitor não precisa de se preocupar muito, porque só este primeiro volume já tem muitas questões a serem levantadas e muitas explicações a serem dadas também. Tudo no seu equilíbrio perfeito que deixa-nos sempre a querer ler mais um capítulo.
   As personagens têm todas grandes qualidades e estão escritas brilhantemente. Qualquer das três personagens principais tem os seus quês de querer saber mais deles. Apesar de Shallan, uma das personagens que temos apenas um pouco de informação no início da obra não voltar a aparecer até muito mais tarde. Esta foi das personagens que mais me intrigou, não que Kaladin ou Dalinar não o tivessem feito, todos eles são fascinantes.
   Vale totalmente a pena, e se fosse eu a vocês ia já arranjar o livro e punha-me a ler... Ainda vão a tempo para lerem com o podcast "Em Busca da FantaCiência"!
   Boas Leituras... ;)
9/10

André

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Green Mars - Kim Stanley Robinson

   "In the Nebula Award winning Red Mars, Kim Stanley Robinson began his critically acclaimed epic saga of the colonization of Mars, Now the Hugo Award winning Green Mars continues the thrilling and timeless tale of humanity's struggle to survive at its farthest frontier.
   Nearly a generation has passed since the first pioneers landed, but the transformation of Mars to an Earthlike planet has just begun The plan is opposed by those determined to preserve the planets hostile, barren beauty. Led by rebels like Peter Clayborne, these young people are the first generation of children born on Mars. They will be joined by original settlers Maya Toitovna, Simon Frasier, and Sax Russell. Against this cosmic backdrop, passions, rivalries, and friendships explode in a story as spectacular as the planet itself."

   Hello readers!
   A Mars Trilogy continua, dois meses após ter lido o primeiro volume, eis que chega o segundo, Green Mars.
   O autor continuou a surpreender-me não só com a quantidade fascinante de pormenores que incluí na sua obra, e que a torna algo realista e possível dentro dos limites do imaginário, mas também com o melhoramento do enredo, quase como se tivesse lido a minha opinião anterior.
   Desta vez a obra não se foca apenas nos primeiros cem colonizadores, até porque (atenção, spoilers a caminho) alguns dos cem já morreram ou foram assassinados. Vemo-nos portanto, a focar a nossa atenção noutras novas personagens, revivendo de vez em quando a perspectiva de algum dos cem iniciais. Curiosamente houve maior desenvolvimento psicológico de todas as personagens nesta nova obra do que houve no volume anterior.
   E talvez isso tenha sido uma consequência de novos dilemas no livro. Antes o grande dilema era a terraformação de Marte. Esse dilema ainda existe nesta obra, como uma nuvem que paira o dia todo, ameaçando uma chuva torrencial mas sem chover exactamente. No entanto temos todo um conjunto de novos dilemas, sobrepopulação no planeta Terra, tratamentos gerontológicos que tornam a nossa espécie aparentemente imortal, as consequências do nosso corpo viver durante tanto tempo. São vários os temas cobertos por esta obra, alguns deixados em aberto para serem resolvidos no último volume da trilogia.
   Mas todos estes dilemas ajudam ao crescimento das personagens, ou à sua destruição ou até mesmo à sua espiral de esquecimento e desespero. São várias as emoções sentidas ao longo do livro, de diversas personagens, o que só mostra a qualidade da escrita do autor.
   Não há quase nada que pudesse apontar de mal nesta obra. Estou desejoso de ler o resto da obra, e tenho a esperança que o último volume seja absolutamente brilhante! Caso queiram saber mais sobre a minha opinião do primeiro volume, basta seguirem o link: Crítica - Red Mars
   Boas Leituras... ;)
9/10

André

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O Anjo Mecânico - Cassandra Clare

   "Através de Tessa Gray, uma jovem órfã de 16 anos, esta obra apresenta os Caçadores das Sombras da Inglaterra vitoriana. Como seus representantes do século XXI, eles também combatem os elementos rebeldes do submundo - vampiros e lobisomens. E são eles que vão ajudar Tessa quando esta, ao sair de Nova York em busca do irmão, seu único parente vivo, é raptada pelas irmãs Black. Mas Tessa não é uma senhorinha indefesa. Dona do estranho poder de se transformar em qualquer um apenas tocando em algum pertence dessa pessoa, é um objeto valioso para o submundo. Ao lado do temperamental e misterioso Will e de seu melhor amigo James, cuja frágil beleza esconde um terrível segredo, Tessa vai aprender a usar seu poder e ganhar um lugar ao lado deles na batalha entre as trevas e a luz."

   Boas Leitores!
   Mais uma vez aqui estamos e agora com uma nova obra de Cassandra Clare. Esta autora já é conhecida deste blogue por uma outra saga, que ainda está em processamento da minha parte para ser lida. Entretanto, por loucura, decidi começar também esta saga. As Peças Infernais é uma trilogia dos quais os 3 livros estão publicados em português, por isso caso estejam interessados podem adquirir todos em português. Esta trilogia é também pertencente ao mesmo mundo que a saga Instrumentos Mortais. Esta passa-se alguns anos antes da saga dos Instrumentos Mortais.
   A obra teve decididamente um bom começo, não pensei que fosse ficar tão impressionado com o início tão sombrio e grim que teve. Infelizmente essa surpresa não durou muito e foi substituída pelos mesmos clichés de uma obra juvenil. Os amores e mistérios que não são bem mistérios fazem parte da maior parte da obra.
   E no meio disto lá conseguimos extrair pequenas coisas boas como pequenas surpresas no enredo, ou então a esperança de que a autora irá falar de assuntos um pouco mais sérios, e que fariam a obra ganhar mais seriedade. Esta última ficou-se pela esperança, a autora não concluiu isso.
   Um ponto que tenho de dar é do facto de ser "engraçado" ou interessante ver personagens que já conheço dos livros que li da outra saga e ter aqui uma nova versão deles, uma versão nova do que eles são nos outros livros, e o que me dá a entender é que iremos saber nas próximas obras o desenvolvimento das personagens para se tornarem quem são nos livros da saga principal.
   É uma obra que começou bem, a meio desceu consideravelmente a qualidade e depois conseguiu recuperar ligeiramente no fim. Veremos como se sairá no resto da trilogia.
   Boas Leituras... ;)
6/10

André

quarta-feira, 27 de junho de 2018

O Caminho das Mãos - Steven Erikson

   "NO IMPÉRIO MALAZANO, AS LENDAS ESTÃO PRESTES A NASCER… 
   Os exércitos do Apocalipse, liderados pela vidente Sha’ik, assolam o Império Malazano e uma guerra santa deixa um rasto de vítimas e destruição. A liderança militar escolhe um plano audacioso de evacuar os sobreviventes que restam para Aren, a única cidade no continente ainda sob controlo do Império. Por desertos e vastas desolações, milhares de refugiados não têm outra escolha senão participar no êxodo lendário conhecido como A Corrente de Cães.
   No outro lado do continente, uma conspiração está em curso para assassinar a Imperatriz Laseen, e não faltam protagonistas sedentos de vingança ou envolvidos em demandas secretas. Mal sabem eles que todos os caminhos estão inevitavelmente ligados ao Apocalipse que se liberta…"

   Boas Leitores!
   Finalmente já lemos a segunda metade do segundo livro da saga do Império Malazano. Este livro foi lançado à relativamente pouco tempo e em português. Relembro que esta obra é ainda pertencente ao segundo livro da edição original, visto que a edição portuguesa dividiu o segundo livro em dois.
   E gostava de começar pela consideração de dividir o livro em dois. Sinto-me dividido (tal como o livro, que piada). Após ter terminado o livro sinto que se tivesse lido tudo de seguida tinha aproveitado melhor a história. Desta forma li metade do livro em Dezembro do ano passado e só seis meses depois li o resto. Este tempo foi o suficiente para que quando recomeçasse o segundo livro tivesse aquele período de arranque onde tenho de me lembrar quem é quem e onde é que cada personagem ficou, isto é ainda mais agravado pelo facto da obra começar a meio de todas as ações, ficando ainda mais confuso para o leitor.
   Pondo isso de parte falemos do livro em si. Continua com grande parte das características da primeira metade. Descrições violentas e sangrentas não faltam. E antes que pensem que o livro é só isso, não é. E o certo é que estas descrições dão vida (e morte a várias personagens também) à escrita e tornam todo o cenário mais realista, como se o que estivesse em jogo fosse mesmo real.
   E isso reflecte-se também nas personagens. Não temos como não odiar algumas, tal como também não resistimos a torcer por outras. Steven Erikson guia-nos subtilmente pela sua obra puxando os fios certos para catalisar as nossas emoções.
   A escrita reflecte também um mundo complexo, tão complexo que quanto mais se lê, mais complexo fica. Enquanto os leitores pensam que com a leitura vem a compreensão, este autor diz que nem sempre. Se pensam que sabem tudo a respeito de algo daquele mundo, muito provavelmente vão ficar surpreendidos.
   É uma obra que apesar de ter sido marcada por confusão ao lê-la, é por certo uma obra de génio com uma escrita brilhante que produz tudo aquilo que um leitor quer: personagens realistas, um enredo realista e emoções. Caso queiram saber mais sobre o volume anterior desta obra, basta clicarem no seguinte link: Crítica - Os Portões da Casa dos Mortos
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Ancillary Justice - Ann Leckie

   "On a remote, icy planet, the soldier known as Breq is drawing closer to completing her quest. Once, she was the Justice of Toren- a colossal starship with an artificial intelligence linking thousands of soldiers in the service of the Radch, the empire that conquered the galaxy. Now, an act of treachery has ripped it all away, leaving her with one fragile human body, unanswered questions, and a burning desire for vengeance."

   Hello Readers!
   Mais uma semana e mais uma crítica, desta vez outra obra em inglês. Esta entrada é o início de mais uma trilogia, trilogia essa chamada Imperial Radch que conta com os seus três livros já publicados (em inglês) e que em Portugal nem sinal de haver alguma edição. Este livro conseguiu arrecadar também imensos prémios, nomeadamente o Nebula e o Hugo entre muitos outros.
   Agora quanto à minha opinião, será que merecia tantos prémios assim? Julgo que sim. Não sei bem qual era a competição no ano em que Ancillary Justice ganhou, mas o certo é que tem força suficiente sem ter de comparar com outras obras.
   Comecemos pela escrita, inovadora e que se estranha mas depois entranha, fazendo lembrar José de Saramago para quem conhece. Não que escrevam da mesma maneira, mas a figura estilística de utilizar sempre o género feminino para definir pessoas, com a justificação plausível foi ao início muito confuso, mas quanto mais se lê, mais o leitor se ambienta ao mecanismo, e acaba por cumprir um segundo objectivo, não sei se propositado ou não, que é o de fazer o leitor pensar e decidir por vezes por si mesmo qual o género das personagens com quem o protagonista fala.
   Outra parte importante foi a perspectiva da mesma personagem em vários sítios ao mesmo tempo, principalmente quando chega a cerca de metade do livro, há uma parte que mostra o quão complexo este livro é, e ao mesmo tempo, como é que essa complexidade é levada ao leitor de forma compreensível.
   Se formos ao enredo, teremos de considerar todas as ferramentas de escrita que a autora utilizou, as que referi acima e outras, com elas o enredo é algo bom e interessante, sem elas diria ser algo banal, uma história de vingança como já se viu antes. Mas desta vez a escrita conseguiu melhorar tudo até ficar num nível interessante e que por certo leva o leitor a querer saber mais de Brek.
   Foi decididamente uma leitura desafiante mas que valeu a pena e que só me leva a querer ler desta trilogia e desta autora.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Knife of Dreams - Robert Jordan

   "The Wheel of Time turns, and Robert Jordan gives us the eleventh volume of his extraordinary masterwork of fantasy. 
    The dead are walking, men die impossible deaths, and it seems as though reality itself has become unstable: All are signs of the imminence of Tarmon Gai'don, the Last Battle, when Rand al'Thor, the Dragon Reborn, must confront the Dark One as humanity's only hope. But Rand dares not fight until he possesses all the surviving seals on the Dark One's prison and has dealt with the Seanchan, who threaten to overrun all nations this side of the Aryth Ocean and increasingly seem too entrenched to be fought off. But his attempt to make a truce with the Seanchan is shadowed by treachery that may cost him everything. Now Rand, Perrin and Mat, Egwene and Elayne, Nynaeve and Lan, and even Loial, must ride those storm winds, or the Dark One will triumph."

   Boas Leitores!
   Na última opinião desta saga estava a dizer que estava a ler os volumes a um bom ritmo, um a cada quatro meses... Bem, isso não aconteceu com este. Dez meses depois, aqui está o décimo primeiro volume da saga Wheel of Time que conta com os seus catorze volumes, e este foi o último que foi escrito na sua totalidade por Robert Jordan, todos os seguintes tiveram mais ou menos a contribuição de Brandon Sanderson.
   E então como está este décimo primeiro volume? Bem melhor dos que os últimos dois que li. Se antes os enredos pareciam estar a ser arrastados um pouco, com pouquíssima coisa a acontecer durante dois terços do livro e depois no último terço uma catrefada de coisas aconteciam a todas as personagens, com este volume a acção é constante em toda a obra.
   Primeiro que tudo vemos alguns dos enredos secundários a serem fechados para começarem a abrir caminho para o desenlace final. O caso do Perrin e do Mat e até da Elayne. Estes três, apesar de interessantes, tinham estado numa espécie de letargia onde não acontecia grande coisa e não parecia contribuir assim tanto para o enredo principal. Agora que está terminado, grandes opções surgirão.
   Adorei, como já há muito tempo que não adorava, todo o enredo da Egwene. Antes gostava imenso do que se relacionava com ela, por estar em parte relacionado com Aes Sedai, mas agora sempre que ela aparecia (e foi pena ter sido tão pouco) a minha atenção estava completamente devotada a ela. Foi das melhores partes deste livro.
   Outra das grandes partes (e das mais chocantes) foi com Rand. Aqui foi também um dos únicos pontos negativos que tenho a dizer desta obra. Não havia o suficiente sobre Rand. Apesar da saga ser acerca de várias pessoas, Rand é o protagonista de tudo, no entanto parece não ter assim tanto protagonismo ultimamente. A sorte e que, quando tem, é estrondoso e de certeza que espanta todos. Mesmo assim, gostaria de ter visto Rand a interagir mais com a Torre Negra. Que quanto a este local só temos notícias no epílogo, no curto epílogo que fala um bocadinho da Torre Negra e nos deixa a pensar que poderá ter uma maior importância no próximo livro.
   Agora, se quero ler o próximo livro? SIM, de certeza! Pena não o ter já, porque é certo que grandes coisas vão acontecer a seguir! Caso queiram saber mais sobre os volumes anteriores, basta seguirem o link: Crítica - Crossroads of Twilight
   Boas Leituras... ;)
9/10

André

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Segredos de Sangue - Charlaine Harris

   "Depois de suportar tortura e a perda de entes queridos durante a breve mas mortífera Guerra dos Fae, Sookie Stackhouse sente-se magoada e furiosa. O único elemento positivo da sua vida é o amor que acredita sentir pelo vampiro Eric Northman. Mas este está sob olhar atento do novo rei vampiro por culpa do relacionamento de ambos. Enquanto as implicações políticas da revelação dos metamorfos começam a ser sentidas, a ligação de Sookie a um lobisomem específico arrasta-a para uma questão perigosa. Além disso, sem saber, apesar de os portais para Faery terem sido fechados, restam alguns fae no mundo humano... E um deles está zangado com Sookie. Muito, muito zangado."

   Boas Leitores!
   E voltamos à saga Sangue Fresco, ou como muitos conhecem, True Blood. Este é o décimo de treze volumes, o que significa que a contagem final começou! Será que a autora vai começar a atar as pontas soltas a partir de agora, ou será que vai deixar tudo para o último volume para depois ser uma catrefada de coisas a acontecer ao mesmo tempo?
   Se tivesse de adivinhar, diria que seria a primeira hipótese. Mas posso estar completamente errado. A única coisa que sei que estou certo é que este volume foi muito melhor que o anterior. Os dilemas amorosos desapareceram, a acção explosiva a toda a hora ficou mais moderada e com uma melhor explicação e até o mistério ficou mais interessante! Mas vamos por partes:
   O romance da história. Ainda existe, claro, a nossa querida protagonista Sookie não poderia viver sem essa parte na sua vida. No entanto essa relação parece que se tornou mais real, com mais consequências e não tão leviana como era antes, em que qualquer homem que lhe aparecesse à frente era considerado como um  exemplar masculino perfeito e possível parceiro para ela. Acho que só pelo facto desta parte ter ficado mais real aumentou a qualidade da obra por si só em muito.
   E, mesmo assim, ainda continuou a aumentar quando percebi que desta vez havia mais do que tinha pedido no volume anterior, consequências e dilemas sobre vir ao público a presença de metamorfos ou fechar os portões do mundo dos Fay. A autora decidiu focar-se ligeiramente nisso, sem que esse fosse o foco principal e acho que fez bastante bem. Claro que temos ainda os ocasionais momentos de acção, mas a quantidade diminuiu e os que existem podem ser considerados fazerem parte da lógica que é o enredo.
   E agora que tive esta prova, fiquei bem mais curioso para ler o resto da saga, ainda por cima agora que está a chegar o final. Partes deste volume que ficaram por responder ou ainda algumas que pareciam ser pontas soltas a atarem-se podem vir a ser respondidas no próximo volume! Caso queiram saber mais sobre o volume anterior (que não foi assim tão bom), basta clicarem no seguinte link: Crítica - Sangue Mortífero
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Red Mars - Kim Stanley Robinson

   "In his most ambitious project to date, award-winning author Kim Stanley Robinson utilizes years of research & cutting-edge science in the 1st of a trilogy chronicling the colonization of Mars: For eons, sandstorms have swept the desolate landscape. For centuries, Mars has beckoned humans to conquer its hostile climate. Now, in 2026, a group of 100 colonists is about to fulfill that destiny. John Boone, Maya Toitavna, Frank Chalmers & Arkady Bogdanov lead a terraforming mission. 
   For some, Mars will become a passion driving them to daring acts of courage & madness. For others it offers an opportunity to strip the planet of its riches. For the genetic alchemists, it presents a chance to create a biomedical miracle, a breakthrough that could change all we know about life & death. 
   The colonists orbit giant satellite mirrors to reflect light to the surface. Black dust sprinkled on the polar caps will capture warmth. Massive tunnels, kilometers deep, will be drilled into the mantle to create stupendous vents of hot gases. Against this backdrop of epic upheaval, rivalries, loves & friendships will form & fall to pieces--for there are those who will fight to the death to prevent Mars from ever being changed.
   Brilliantly imagined, breathtaking in scope & ingenuity, Red Mars is an epic scientific saga, chronicling the next step in evolution, creating a world in its entirety. It shows a future, with both glory & tarnish, that awes with complexity & inspires with vision."

   Hey Readers!
   Lá estamos nós a começar uma nova trilogia, desta feita, na língua inglesa. A Mars Trilogy é, como o nome diz, composta por três volumes, sendo que este é o primeiro. E deixem que vos diga só assim um sneak peek que as capas são muito reveladoras do nome da obra, ora vejamos, Red Mars tem uma capa vermelha (ou próxima do vermelho), o que virá a seguir?
   Não pensemos nisso por agora, e foquemos os nossos cérebros nesta obra. A viagem para colonizar Marte. E a história de como a civilização em Marte é desenvolvida e evolui. É uma boa premissa e ao ler esta obra qualquer pessoa nota que a pesquisa envolvida na criação deste livro foi tremenda e profunda. Qualquer que seja o pormenor científico, parece realmente aceitável e provável de acontecer. Isto em parte só cria expectativa no leitor, que pensa "se é preciso apenas isto, então porque não somos nós, nesta geração, e não só no ano 2026 a colonizar Marte?".
   É fantástico ler sobre o dilema entre terraformar um planeta ou não, e como as cem pessoas que foram encarregadas de colonizar o planeta se dividem perante este problema. Claro que aprendemos muito mais, sistemas sociais e um possível futuro da nossa humanidade são algumas delas.
   No entanto há coisas que não combinam muito bem nesta história. As personagens foram algumas delas. Cada capítulo é encarregue a uma nova personagem, e como tal haverá sempre personagens que preferimos a outras, mas neste caso o que aconteceu não foi não gostar de alguma personagem. O problema foi algumas das personagens parecerem superficiais, não terem qualquer vontade única, profundidade psicológica, se é que isso existe. Houve um ou dois capítulos que lia a pensar "por favor, que isto acabe que já não posso mais" porque a personagem parecia só andar pelo mundo para cumprir o objectivo do escritor e não para ter a sua própria "voz".
   No final, os positivos varreram por completo os negativos e fiquei extremamente curioso para ler já o segundo volume, mas por agora virarei para outros géneros. Caso hard sci-fi seja a vossa onda, então esta de certeza que é uma boa escolha!
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 9 de maio de 2018

A Lenda de Sigurd e Gúdrun - J. R. R. Tolkien

   "Há muitos anos, J. R. R. Tolkien compôs a sua própria versão, agora publicada pela primeira vez, da grande lenda da antiguidade nórdica, em dois poemas intimamente relacionados, a que deu os títulos de «O Lai dos Volsungos» e «O Lai de Gudrún».
   Em «O Lai dos Volsungos» conta-se a história do grande herói Sigurd, o assassino de Fáfnir, o mais famoso dos dragões, de cujo tesouro se apoderou, o despertar da valquíria Brynhild, que dormia rodeada por uma muralha de chamas, e o noivado dos dois. Após a chegada de Sigurd à corte dos grandes príncipes niflungos (ou nibelungos), o herói desperta o amor mas também o ódio da feiticeira dos Niflungos, versada nas artes mágicas.
   Em cenas de grande intensidade dramática, troca de identidade, paixões frustradas, ciúmes e disputas amargas, as tragédias de Sigurd e Brynhild, de Gunnar, o Niflungo, e Gudrún, sua irmã, atingem o auge com a morte de Sigurd às mãos dos seus irmãos de sangue, o suicídio de Brynhild e o desespero de Gudrún.
   Em «O Lai de Gudrún» é contado o seu destino depois da morte de Sigurd, o casamento, contra a sua vontade, com Atli (ou Átila), governante dos Hunos, o assassinato dos seus irmãos, os senhores niflungos, e a sua vingança hedionda.
   Sendo a sua versão inspirada, principalmente, no estudo atento das antigas poesias norueguesas e islandesas conhecidas como Edda Poética (e no posterior trabalho em prosa, a Völsunga Saga), J. R. R. Tolkien utilizou estâncias curtas cujos versos conservam em inglês os exigentes ritmos aliterativos e a intensa energia dos poemas da Edda."

   Boas Leitores!

   J. R. R. Tolkien volta ao blogue com uma das obras menos conhecidas dele. Como categorizar esta obra depende um pouco de cada um. Ficção, não-ficção, análise de uma obra antiga? Está ao gosto de cada um, talvez considere uma mistura entre ficção e não-ficção, o certo é que é muito diferente do que estamos acostumados para quem leu O Senhor dos Anéis.
   Esta obra é muito mais densa do que a famosa trilogia do autor. É uma análise detalhada de poemas épicos antigos, feitas por J.R.R. Tolkien e editadas pelo seu filho, e a complexidade desta obra lembrou-me de quando li A Divina Comédia. Não é aborrecida, mas que demora o seu tempo a ser lida, isso demora. É preciso ler com calma e compreender o que realmente significam cada estrofe ou verso, e mesmo com a ajuda das notas do autor por vezes vemo-nos a debater sobre qual é a mensagem que querem transmitir.
   Por outro lado foi muito interessante saber deste tipo de literatura vinda de países europeus nórdicos. Normalmente ouvimos falar de Os Lusíadas, Ilíada e muitos outros, tudo escrito por autores dos países europeus do sul, quase como se o tipo de escrita não tivesse existido nos países nórdicos (o que ficamos a saber como mentira e também algumas das razões por não ouvirmos tão constantemente).
   Outro pormenor engraçado é o facto de começarmos a ver semelhanças entre estas lendas nórdicas e a famosa trilogia de O Senhor dos Anéis. Podemos perceber de onde alguma inspiração veio. Não que seja importante de todo para o livro, mas são pequenas surpresas para aqueles fãs de worldbuilding.
   De resto não há muito mais a dizer, não podemos analisar personagens que por si só estão a ser analisadas no livro, nem o enredo de uma análise. A única mensagem que passa é: isto é uma análise a uma obra e não uma obra de ficção em si. Atenção para aqueles que vão comprar este livro a pensar que é uma história de fantasia escrita por J.R.R.Tolkien.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Sangue Mortífero - Charlaine Harris

   "Com a excepção de Sookie Stackhouse, os habitantes de Bon Temps, no Louisiana, pouco sabiam sobre vampiros e nada sobre lobisomens. Até agora. Lobisomens e metamorfos revelaram finalmente a sua existência ao mundo e isso poderá ter custado a vida a alguém que Sookie conhecia. Mas a sua determinação para descobrir o responsável pelo homicídio é posta de parte perante um perigo muito maior. Uma raça de seres sobrenaturais (mais velhos, poderosos e muito mais misteriosos do que os vampiros ou os lobisomens) prepara-se para a guerra. E Sookie, enredada ainda na teia de antigos amores, ver-se-á como peão demasiado humano nesta batalha."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos nós outra vez na saga Sangue Fresco, dez meses depois do último volume lido. Esta obra é o nono volume da saga, que conta com um total de treze volumes. Isto significa que faltam apenas mais 4 volumes e finalmente esta enorme saga estará terminada!
   Agora o que dizer desta história? Duas grandes constantes que esta obra tem são dilemas amorosos e acção a torto e a direito. Fazem sentido? Muitas vezes não.
   Comecemos pelos dilemas amorosos. Não foi nada inesperado visto que toda esta saga gira à volta da protagonista, Sookie Stackhouse apaixonar-se a torto e a direito por todo o tipo de seres. E acabar sempre por ficar indecisa sobre por qual estará realmente apaixonada. Neste volume temos um pouco mais de dilema centrado no Eric do que noutras personagens, mas quanto mais nos aproximamos do final, mais os dilemas amorosos voltam à superfície, criando este vai e não vai aborrecido que a autora devia terminar de uma vez por todas.
   E quanto ao segundo ponto, a acção explosiva a toda a hora. Muitas das vezes foram cenas de acção que não me captaram absolutamente nada, ou pareciam demasiado falsas, o seu contexto não fazia qualquer sentido, como estar rodeado de seres que morrem com uma borrifadela de limonada, mas nem sequer fazerem uso desse pormenor. E por outro lado, no início da obra temos um acontecimento que catalisa toda a acção para o resto do livro, mas que a protagonista quase não liga nenhuma. Vamos tendo de vez em quando um desenrolar disso, mas é quase como se tivesse em segundo plano. Pareceu-me que a autora quis empacotar demasiados acontecimentos num livro com pouco mais de duzentas páginas.
   Com isto tudo, talvez possa dizer que o desenvolvimento da personagem principal possa ter acontecido, talvez até fosse algo positivo do livro, no entanto, há ainda muita coisa a ser melhorada. E talvez se a autora não se focasse tanto nos dilemas amorosos, mas sim em temas como por exemplo os metamorfos virem a público e as consequências desse acto, a obra poderia ter sido muito melhor.
   Caso queiram saber mais sobre a saga, nomeadamente o volume anterior, basta clicarem no seguinte link: Crítica - Laços de Sangue
   Boas Leituras... ;)
4/10

André

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Mulheres Perigosas - Vários Autores

   "Atenção: O perigo está à espreita perto destas mulheres!
   Se procura um livro em que as mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão, este livro não é para si. Aqui encontrará mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatale astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam.
   Com organização de George R. R. Martin, que assina igualmente um conto passado no mundo de Westeros, e de Gardner Dozois, esta é uma antologia que cruza géneros literários e mistura todos os tipos de ficção, desde Megan Abbott a Brandon Sanderson."

   Boas Leitores!
   Mais uma semana e mais um livro. E uma vez mais, uma antologia organizada por George R. R. Martin, parece que ultimamente é tudo o que leio. Mas este é o último por uns tempos, prometo! Esta obra, intitulada Mulheres Perigosas é apenas metade da obra original Dangerous Women. Mais uma vez a edição portuguesa decidiu dividir a obra em duas.
   Mesmo assim esta obra contém contos de onze autores diferentes, entre eles nomes conhecidos aqui no blogue como por exemplo Joe Abercrombie, Brandon Sanderson e George R. R. Martin. Um pormenor que me deixou curioso era saber se a edição portuguesa respeitava a ordem pela qual George R. R. Martin teria organizado os contos, mesmo que tivesse dividida em duas. Após alguma pesquisa consegui perceber que não. Para além de dividir a obra em duas, a ordem dos contos não é a mesma que a original. Não sei se considero uma opção acertada, e gostaria de saber o porquê de terem feito isto, visto que não me parece haver alguma explicação lógica.
   Quanto ao tema desta antologia, foi algo que à medida que lia ia percebendo que me tinha enganado, mas que não me desiludira, pelo contrário, ficara surpreendido pela positiva. Ao ler o título da antologia as ideias que vinham à cabeça eram algo como super-heroínas que salvavam mundos ou batalhavam com vilões maquiavélicos, as típicas badass que não me entusiasmam muito. Mas não. O titulo é literal, são mulheres que são perigosas, por vezes para elas, outras vezes perigosas para os que as rodeiam. Foi bom perceber isso com contos de Megan Abbott e Melinda M. Snodgrass que apesar de conhecer as autoras de nome, nunca tinha lido nada delas e fiquei surpreendido.
   E depois temos o lado mau. E esse lado foi uma única autora: Sharon Kay Penman. O conto desta autora foi lento, sem qualquer emoção e que, a meu ver, não cumpriu de todo o que esta antologia prometia: Mulheres Perigosas. O conto dela foi no género de romance histórico, mas isso não quer dizer nada, afinal temos Joana d'Arc como uma das mulheres mais perigosas da história, mas este romance histórico foi simplesmente aborrecido. A protagonista do conto não só não era perigosa como não trouxe nada de entusiasmante para o conto.
   Todos os outros contos foram ou bons, ou muito bons, Brandon Sanderson com o seu worldbuilding brilhante, ou Joe Abercrombie com a sua escrita crua, ou mesmo Megan Abbott com a sua escrita envolvente, todos eles foram brilhantes e espero que os editores portugueses não tenham metido todos os melhores no primeiro volume, porque estou desejoso de ler o próximo e não quero ser desiludido!
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Histórias de Vigaristas e Canalhas - Vários Autores

   "Recomendamos cautela ao ler estes contos: Há muitos vigaristas e canalhas à solta. 
   Se gostou de ler Histórias de Aventureiros e Patifes, então não vai querer perder novas histórias com alguns dos maiores vigaristas e canalhas. São personagens infames que se recusam a agir preto no branco, e escolhem trilhar os seus próprios caminhos, à margem das leis dos homens. Personagens carismáticas, eloquentes, sem escrúpulos, que chegam até nós através de um formidável elenco de autores. 
   Com organização de George R. R. Martin, um nome que já dispensa apresentações, e Gardner Dozois, tem nas mãos uma antologia de géneros multifacetados e que reúne algumas das mentes mais perversas da literatura fantástica."

   Boas Leitores!
   Aqui temos uma nova opinião que, estava eu já a meio desta obra quando me apercebi que o livro que eu lia não era mais do que a segunda metade de um que eu já tinha lido. A antologia de nome original Rogues é, em português, a junção desta obra com a obra Histórias de Aventureiros e Patifes. Ou seja, temos uma vez mais, a clássica estratégia portuguesa de dividir as obras em dois volumes. Um pormenor que me questiono é se a edição portuguesa respeitou a ordem em que George R. R. Martin e Gardner Dozois puseram os contos, ou se os volumes portugueses têm a sua própria ordem de contos.
   O certo é que este volume teve muito menos contos que gostasse muito. Aliás, houve apenas dois autores, Joe Abercrombie e Daniel Abraham que gostei imenso dos seus contos. Joe Abercrombie pela actividade e criatividade que o seu conto tem, lendo-se em poucos instantes mas sentindo-nos como se tivéssemos tido uma aventura. Quanto a Daniel Abraham foi mais pelo mundo criado que era simples e, no entanto, tinha o seu quê de complexidade e originalidade, o enredo foi também engraçado e com os seus pequenos twists que valeram muito a pena.
   A seguir a estes favoritos houve dois que estavam bons também, eram de Garth Nix e Matthew Hughes. Tinham o seu quê de interessante, e por certo captaram a atenção, mas não foi o suficiente para chegarem ao patamar de "estrondoso" ou "genial", mesmo assim, os quatro acima escolhidos foram definitivamente os melhores.
   Na categoria a seguir, os que chamaria "meh" ou "simplesmente ok" foram contos de Cherie Priest, Carrie Vaughn, Steven Saylor e Michael Swanwick. O problema destes foi muitas vezes não terem sido originais ou chamativos o suficiente para me agarrar neste formato de contos. Talvez se lesse estas histórias mas num formato de livro, onde houvesse mais desenvolvimento e enredo ficasse mais interessado. Aqui foi por vezes demasiado rápido ou sem conexão aos protagonistas.
   Por fim, na pior categoria estão Bradley Denton, Walter Jon Williams e Lisa Tuttle. Os dois primeiros nomes foram postos nesta categoria de "não gostei mesmo nada" por achar que não cumpriram com o que o livro propunha (caso do Bradley Denton) ou então o conto era mesmo sem sentido ou mau (como o de Walter Jon Williams), nenhum deles era de ficção ou fantasia, o que possa ter contribuído para não gostar ainda mais dos contos. No caso da Lisa Tuttle, acho que foi mais uma pequena desilusão. Anteriormente tinha lido Windhaven, uma contribuição dela e de George R. R. Martin e tinha achado absolutamente genial, e esperava algo do género e o que saiu foi uma espécie de Sherlock Holmes feminino relativamente básico. As expectativas foram desiludidas e portanto todo o conto foi lido lentamente e a arrastar.
   Estou curioso para saber se acharam o mesmo, ou se os vossos favoritos foram os que eu menos gostei, qual gostaram mais? Para saberem da opinião da primeira parte do Rogues, basta seguirem o link: Crítica - Histórias de Aventureiros e Patifes
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 28 de março de 2018

Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft Volume 6 - Howard Phillips Lovecraft

   "Sexto Volume de Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft 
   O mestre do horror clássico está de volta com contos que ajudaram a moldar a definição de horror na literatura. Com tradução do Prof. José Manuel Lopes, este é mais um volume que ficará para a história do género em Portugal."

   Boas Leitores!
   Surpresa! Pensavam que esta saga terminava no quinto volume? Pois saímos todos enganados! Esse era o plano inicial da editora, mas como esta colectânea teve tanto sucesso eles acabaram por negociar mais dois livros, desta vez com contos de H.P. Lovecraft e contos que ele ajudou a escrever e que por vezes são associados a outros autores. Portanto esta colectânea passará a ter sete livros (na qual o sétimo é o único que ainda não está publicado, deve ser para breve) e este que aqui temos é o sexto.
   Esta obra é composta por oito contos, e tem cerca de 290 páginas, o que dá uma média de 36 páginas por conto. Para quê estas contas? Só para termos uma pequena noção se os contos são grandes ou não. Claro que há alguma variação, contos bem mais pequenos que isso ou contos um pouco maiores. No entanto o interessante foi que reparei que eram aqueles contos que ultrapassavam o número de páginas médio que me captavam mais o interesse.
   A maior parte dos contos foi interessante. Acho que apenas um ou dois é que achei aborrecidos. Os contos mais curtos captavam mais emoção imediata, em poucas páginas, Lovecraft conseguia agarrar-nos e meter os nossos níveis de ansiedade altos e a pensar "o que é que irá acontecer a seguir?". Epor outro lado os contos maiores tinham uma vertente que era a de criar um tipo diferente de ansiedade, algo que crescia com o tempo e ia aumentando com o suspense que se ia criando com o enredo. De qualquer das maneiras acho que este autor foi verdadeiramente um mestre na sua arte.
   E não nos podemos esquecer que estes contos foram escritos há quase cem anos atrás. Poderiam ter ficado tão desactualizados ou tão irreais que não surtiriam nenhum efeito no leitor da actualidade, mas o certo é que surte. A sua mitologia é tão real que torna-se intemporal.
   O único pormenor que tenho a apontar aqui e que reparei apenas neste volume (e de certo poderia ter reparado nos outros se tivesse um pouco mais de atenção) é a quantidade de vezes que Lovecraft usa palavras como "inexplicável", "indescritível", "inominável" e por aí fora para evitar descrever ou monstros ou divisões ou mesmo certas ações. Uma pequena ajuda que usa constantemente e que após repararmos é impossível não termos noção durante todos os contos.
   É definitivamente uma obra aconselhada a quem gosta de terror, nada melhor do que voltar às origens e ler um dos grandes autores do género do século XX. Caso queiram saber mais sobre a saga basta seguirem o link: Crítica - Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft Volume 5
   Boas Leituras... ;)
7.5/10

André

quarta-feira, 14 de março de 2018

A Cidade de Vidro - Cassandra Clare

   "Para salvar a vida da mãe, Clary tem de ir à Cidade de Vidro, o lar ancestral dos Caçadores de Sombras - não a incomoda que a entrada nesta cidade sem autorização seja contra a Lei e que violá-la possa significar a morte. Piorando mais a situação, ela vem a saber que Jace não a quer lá e que Simon foi encarcerado na prisão pelos Caçadores de Sombras que suspeitam de um vampiro que tolera a luz do Sol. Ao tentar descobrir mais pormenores sobre o passado da sua família, Clary encontra um aliado no misterioso Sebastian. Com Valentine a reunir toda a força do seu poder para destruir de uma vez por todas os Caçadores de Sombras, a única possibilidade de estes o derrotarem é combater ao lado dos seus eternos inimigos. Mas podem os Habitantes do Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras pôr de lado o seu ódio mútuo e aliarem-se? Embora Jace compreenda que está pronto a arriscar tudo por Clary, poderá ela utilizar os seus poderes recentes para ajudar a socorrer a Cidade de Vidro - custe o que custar? O amor é um pecado mortal e os segredos do passado provam ser letais quando Clary e Jace enfrentam Valentine no último volume da trilogia Os Instrumentos Mortais - obra que figura na lista de sucessos literários do New York Times. Caçadores de Sombras é o título da trilogia que começa com A Cidade dos Ossos, com uma fantasia urbana povoada por vampiros, demónios, lobisomens, fadas, e que é um autêntico romance de acção explosiva."

   Boas Leitores!
   Quatro anos e meio. Esse foi o tempo entre ler a segunda obra desta pentalogia e ler o terceiro volume. A Cidade de Vidro é o terceiro volume desta saga cujos cinco livros estão todos publicados já na língua portuguesa.
   O que dizer desta obra...? Foi uma grande desvantagem ter lido o volume anterior há muito tempo? Nem por isso, passadas poucas páginas já me lembrava perfeitamente de quem era quem e do que tinha acontecido para trás. Se isso é uma vantagem ou desvantagem? Depende de que tipo de leitura se quer, para quem quer ler algo para jovens adultos bastante leve esta talvez seja uma boa escolha, para quem queira algo mais denso e pesado, talvez não.
   A escrita era muitas vezes superficial. A típica personagem adolescente que diz coisas adolescentes. Às vezes chegava a um ponto em que o discurso era demasiado superficial, mesmo para adolescentes, e não foi uma ou duas vezes em que senti que estava a ser retirado do mundo pelo tipo de escrita supérflua. Esse foi um dos poucos pontos negativos que tive. Quando estás envolvido num mundo não queres algo que te tire dele por ser contrastante.
   No entanto o enredo que temos nesta obra não está má de todo para o público-alvo que o livro quer atingir. Ao ler a obra senti por várias vezes a previsibilidade a atingir-me, ainda faltava muito para o livro acabar. Outras vezes até foi satisfatório e surpreendente com algumas ações.
   Já o desenvolvimento das personagens acho que ficou aquém. Mesmo tendo lido a última obra há mais de quatro anos, havia certas personagens que me lembrava perfeitamente de serem repetitivas nos seus pensamentos, e isso não mudou de todo nesta obra. Talvez na próxima mude, visto ter havido grandes alterações em termos de relações entre personagens nesta obra.
   Tem um bom desenvolvimento de enredo, mas as personagens precisam de ser mais trabalhadas. Se calhar nos últimos dois volumes é onde vemos isso a acontecer. Esperemos é que não fique mais quatro anos e meio até ler o próximo! Caso queiram saber mais sobre a saga, basta seguirem o link: Crítica - A Cidade das Cinzas
   Boas Leituras... ;)
5.5/10

André

quarta-feira, 7 de março de 2018

O Mundo de A Guerra dos Tronos - George R. R. Martin, Elio M. García, JR. E Linda Antonsson

   "Nesta enciclopédia é apresentada pela primeira vez a História ilustrada e mapeada dos Sete Reinos, com descrições vívidas das batalhas mais épicas, as razões das rivalidades destrutivas e as sementes das rebeliões que conduziram aos eventos descritos no primeiro volume da saga.
   Com a ajuda dos fundadores de Westeros.org, George R. R. Martin molda e estabelece a História e cultura de Westeros e revela os destinos e ambições dos antepassados dos Stark, Targaryen, Lannister e muitos outros. Este é o seu bilhete de entrada para Westeros. Venha descobrir os segredos que sempre quis saber sobre o mundo de A Guerra dos Tronos."

   Boas Leitores!
   E chegámos com um gigantesco tomo aqui no blogue. Não tem muitas páginas, não atinge as 350, mas compensa com o seu tamanho superior ao de uma folha A4. E antes que perguntem, não, não é o próximo livro da saga A Guerra dos Tronos ou Uma Canção de Gelo e Fogo. Esta obra é para aqueles fãs que estão há muito à espera de algo proveniente de Westeros, nem que sejam pequenos biscoitos de informação. Aqueles que gostam de mergulhar no mundo e saber toda a história por detrás, o que levou aos momentos dos livros que leram.
   Mas antes de pisarmos o campo da informação deixem-me primeiro falar sobre as ilustrações. Esta obra está repleta de ilustrações estrondosamente brilhantes. Desde dragões a paisagens, os ilustradores conseguiram dar vida a imensas personagens que só na nossa cabeça tinham um aspecto, e na maioria das vezes esse aspecto foi correspondido se não mesmo melhorado. As ilustrações parecem ganhar vida conforme vamos lendo a informação que está relacionada com ela. Só por estas imagens esta obra valeria a pena ser vista.
   E no entanto, a obra ainda tem outros pontos positivos. A escrita é toda feita não do ponto de vista dos autores e sim de um Meistre do mundo de Westeros, como se estivesse a fazer um compêndio da história do mundo. Essa mesma história poderia ser dividida em dois: toda a história quer sobre povos quer sobre o reino Targaryen até aos eventos do primeiro livro e uma descrição e história de cada reino de Westeros em pormenor, com breves descrições de outras terras.
   A primeira parte agradou-me muito mais, não só perceber como é que o continente tinha sido colonizado como a história da união dos Sete Reinos foi algo que estava muito bem escrito, eventos como a conquista de Aegon ou a Dança dos Dragões (embora este último tivesse partes iguais a um conto que li recentemente de George R. R. Martin). A segunda parte foi muito mais descritiva, e embora interessante houve partes que tinham demasiados detalhes. Em ambas as partes houve momentos onde queria livros e livros de George R. R. Martin que pudessem explorar mais como Yi Ti ou Asshai.
   É definitivamente uma obra para os fãs que queiram mais deste mundo. Não irão ficar desiludidos pois terão imensa informação por onde possam mergulhar e nadar. Não o aconselho a quem nunca tenha lido nada de A Guerra dos Tronos, este não é, de todo, um bom livro por onde começar a introduzir-se, pois terá demasiada complexidade.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

The Windup Girl - Paolo Bacigalupi

   "Anderson Lake is a company man, AgriGen's calorie representative in Thailand. Under cover as a factory manager, he combs Bangkok's street markets in search of foodstuffs long thought to be extinct. There he meets the Windup Girl - the beautiful and enigmatic Emiko - now abandoned to the slums. She is one of the New People, bred to suit the whims of the rich. Engineered as slaves, soldiers and toys, they are the new underclass in a chilling near future where oil has run out, calorie companies dominate nations and bio-engineered plagues run rampant across the globe.
   And as Lake becomes increasingly obsessed with Emiko, conspiracies breed in the heat and political tensions threaten to spiral out of control. Businessmen and ministry officials, wealthy foreigners and landless refugees all have their own agendas. But no one anticipates the devastating influence of the Windup Girl."

   Hey readers!
   Aqui estamos com uma obra que arrecadou imensos prémios em 2010, ano seguinte ao que foi publicado. Entre esses prémios contam o Hugo e o Nébula, duas grandes marcas no mundo da ficção científica e fantasia. Com tal aparato, decidi dar uma vista de olhos a esta obra isolada de ficção científica em que muitos colocavam num género no qual nunca tinha ouvido falar: biopunk.
   E que género é esse? Pelo que li diria uma espécie de distopia onde a tecnologia ao nível biológico é avançada, como no caso de engenharia genética, "ressuscitação" de espécies extintas entre outros, mas num setting onde o resto da tecnologia não avançou assim tanto, ou em alguns casos recuou até (possivelmente devido à falta de petróleo).
   E como tal posso até dizer que o worldbuilding deste autor é interessante. A entrada nesta obra foi um pouco atribulada. Não só o autor apresenta imensos conceitos novos como introduz imensas palavras asiáticas no meio do texto, o que por vezes criava uma espécie de lomba na leitura. Só após um grande número de páginas (mais de cem de certeza, talvez até 1/4 do livro) é que me senti confortável o suficiente ao ler e entender tudo de uma só vez.
   Mas depois entra outro factor: as personagens. Ao longo da história vamos tendo cerca de 4 protagonistas (ou 5 dependendo da opinião de cada um), e mesmo essas personagens acabarem por interagir entre elas ao longo da obra, não me pareceu que houvesse alguma real conexão entre elas. Pareceu-me que a história era como 4 contos separados onde o acaso juntava-los por momentos para depois cada um seguir o seu caminho. Talvez também haja parte de não sentir ligação nenhuma com metade dessas personagens. Não sei se não estavam bem desenvolvidas ou se era outra coisa mais, mas apenas Emiko e Hock Seng eram realmente personagens que me agarravam.
   O enredo é outro assunto polémico. Ao iniciar a leitura pensei que o enredo fosse ser não só acerca das engenharias genéticas que havia, mas também relativo às doenças que devastavam populações naquela nova Terra. Até porque o autor dá imensa atenção a isso logo no início. E depois pura e simplesmente desaparecem. As doenças não interessam mais até ao final do livro para dar um plot-twist que não cumpriu bem a sua função por ter sido previsível. Um lado meio positivo foi certos assuntos morais que o autor tratou, relativamente aos New People e se pessoas feitas através de engenharia genética que são misturas tão grandes de outras deveriam ser consideradas da mesma forma que todo o resto da humanidade.
   É uma obra que pareceu ter tanto potencial, mas que acabou por desiludir um pouco. A razão pela qual ganhou tantos prémios permanece obscura a mim, mas acredito que esta obra possa ter opiniões muito contrastantes, onde odeiam a obra ou adoram-na.
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O Apelo da Lua - Patricia Briggs

   "Mercy Thompson é uma talentosa mecânica de automóveis que vive na zona de Washington. Mas ela é muito mais do que isso: também é uma metamorfa com o poder de se transformar num coiote. Como se não chegasse, o seu vizinho é um lobisomem, o seu antigo patrão um gremlin, e neste momento está a reparar a carrinha de um vampiro. Este é o mundo de Mercy Thompson, um que parece igualzinho ao nosso, mas cujas sombras estão repletas de estranhas e perigosas criaturas da noite. E se até agora Mercy sempre viveu bem nesse mundo, aproxima-se o dia em que a sua preocupação vai ser apenas sobreviver..."

   Boas Leitores!
   E como se não bastasse a quantidade de sagas que estão por acabar neste blogue, começamos mais uma (e para não variar, tem de ser mais uma de urban fantasy). Esta saga conta com onze volumes na língua original. No entanto, aqui em Portugal apenas os primeiros quatro estão publicados, após o seu lançamento ter sido um flop.
   E neste momento pergunto-me até porque é que a editora Saída de Emergência decidiu apostar em mais um livro do mesmo género que parece quase uma cópia de tantas outras obras, nomeadamente a saga do Sangue Fresco ou True Blood para muitos.
   No início a obra pareceu prometer na originalidade, e quando digo originalidade era relativa ao enredo, não no worldbuilding visto que existem exactamente as mesmas criaturas que em qualquer outro livro do mesmo género: lobisomens, vampiros, fadas, etc. Mas essa promessa foi sol de pouca dura, como se costuma dizer, antes que chegasse a metade do livro já estava a fazer checks nas caixinhas dos estereótipos: um antigo amor do qual a personagem ainda sente algo, uma outra personagem pela qual a protagonista também sente algo, poderes desconhecidos que são descobertos apenas em situações de grande perigo e por ai adiante.
   Mesmo assim continuei a batalhar por esta obra, o tamanho dela dava-me alento para acabá-la, afinal o que é uma obra com menos de 300 páginas? O mistério no qual se baseava todo o enredo até tinha o seu quê de interessante, mesmo se retirássemos todos os outros estereótipos que referi. Até que chegamos ao fim e o mistério é resolvido de forma rápida e desapontante. Antes que desse por isso o mistério estava resolvido e eu nem tinha percebido quando ou como. Duas conversas e pronto.
   Para o género, esta obra poderia ser algo de novo e refrescante. Saiu apenas mais uma obra mediana que acerta na maior parte dos estereótipos que já existem. Se já leram algo deste género, não recomendo a lerem este. Se nunca leram, este é tão bom quanto qualquer outro para começarem.
   Boas Leituras... ;)
5/10

André

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A Nuvem Púrpura - M. P. Shiel

  "Publicada originalmente em 1901, esta «obra-prima da literatura fantástica», como lhe chamou Lovecraft, segue a história de Adam Jeffson, membro de uma expedição árctica que se perde para regressar a um mundo devastado por uma estranha nuvem púrpura.
   Na descoberta deste horrendo mundo novo, o narrador procura uma nova fé e uma nova relação com Deus mas também a remissão de um pecado que não cometeu. Um romance que é ao mesmo tempo um notável romance de aventuras, o primeiro romance com preocupações ecológicas do século XX e uma dissertação brilhante sobre a difícil relação do ser humano com a culpa e a necessária expiação."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos com uma obra, a seu modo, invulgar. Publicada em 1901 é uma obra isolada e é bem capaz de ser uma das primeiras, se não mesmo a primeira, obra de fantasia do século.
   E começamos a opinião com uma questão já meio polémica. Essa questão gira à volta da fantasia contida nesta obra. O facto é que a fantasia não é uma presença constante nesta obra, vemos uma ou outra vez a menção à nuvem púrpura (que o autor explica de forma científica) e duas vozes que controlam o nosso protagonista. Se esperam uma obra do calibre I Am Legend ou algo do género, esqueçam e desistam já dessa ideia. Foi isso que me desiludiu na obra.
   Não apenas porque a fantasia parecia uma ferramenta descartável que o autor utilizava só quando lhe dava mais jeito e não propriamente para dar maior profundidade à obra, mas também porque o próprio protagonista não me agarrou de maneira nenhuma. Não só tinha reações desproporcionais como a certo ponto irrealistas. No início, apesar de aborrecido, o livro fazia algum sentido, depois tornou-se desproporcional e sem sentido.
   A cerca de 1/5 do final a obra começou a ganhar algum ímpeto. E aí vi o pouco potencial que poderia ter tido e que não foi aproveitado. Claro que ainda deu para algumas das reflexões que são mencionadas na sinopse, mas nada de profundo ou metafísico como a sinopse faz parecer.
   Podem pensar que se calhar estou a ser demasiado radical e não estou a considerar quando é que esta obra foi escrita. Mas não, mesmo tendo em conta que era uma época totalmente diferente (e que dá para perceber através da leitura desta obra, a escrita é muito mais floreada do que o costume) o certo é que a obra não é nada de extraordinário e muito menos uma obra-prima de literatura fantástica, como Lovecraft disse.
   Foi uma experiência em que grande parte do tempo quis atravessar o livro o mais rápido possível para poder ler algo diferente, o que diz muito do livro em si. Não o aconselhava, a não ser que tenham uma imensa curiosidade para ler algo que seja do início do século XX.
   Boas Leituras... ;)
3/10

André

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A Jornada do Assassino - Robin Hobb

   "Depois do desafio lançado ao Príncipe Respeitador pela narcheska das Ilhas Externas, só lhe resta embarcar para o país de Eliânia em busca do dragão de Aslejval que tanto pode existir como não passar de uma lenda antiga.
   Fitz, o mais famoso e temido assassino do reino, irá com ele. Mas a partida do herdeiro do trono dos Seis Ducados para uma atribulada viagem marítima até uma terra de antepassados e inimigos não é algo que se faça de ânimo leve.
   Que desafios irão ter de enfrentar os nossos heróis? As magias que ambos manejam imperfeitamente, serão uma ajuda ou um empecilho? E o que acontecerá aos Seis Ducados se o herdeiro desaparecer para sempre nessa terra misteriosa e distante?"

   Boas Leitores!
   E Robin Hobb está de volta ao blogue, quase meio ano depois do último livro lido desta autora, continuamos a saga "O Regresso do Assassino" com o quarto e penúltimo volume, intitulado A Jornada do Assassino. Esta obra é a primeira metade do terceiro livro em inglês.
   Uma vez mais somos apanhados na escrita maravilhosa de Robin Hobb. Esta autora demonstra em todas as suas obras o porquê de ser considerada uma das grandes escritoras de fantasia. A escrita fluída captura-nos desde o início e guia-nos por uma história interessante, com um desenvolvimento de personagens extraordinariamente cativante.
   O enredo é lento, não há grandes acções ou batalhas a acontecer, baseando-se muito mais em preparação para uma grande viagem e a viagem em si. No entanto, a autora consegue utilizar estes momentos para desenvolver as personagens e criar mistério e intriga que mantém o leitor sempre atento. E isto é válido não só para Fitz, o protagonista, mas também para muitas das personagens que o rodeiam. Ao longo desta obra conseguimos ver o desenvolver e amadurecer de Respeitador e Urtiga, Obtuso e até mesmo o Bobo.
   E ao verem isto talvez pensem "eh, então é só uma obra com muito falatório e muito andar dum lado para o outro?". Inicialmente pode parecer assim, mas continua a haver uma espécie de nervosinho miúdo que cresce à medida que nos aproximamos do destino final. Há um acumular de tensão quando as pontas soltas vão aproximando-se cada vez mais umas das outras. Quando acabei esta obra senti-me extenuado. Acho até que os editores decidiram uma boa altura onde dividir a obra, se continuasse a ler a outra metade poderia assumir que a obra seria demasiado extensa e esta primeira parte um pouco desnecessária. Assim acho que ficou ideal.
   Continuo a estar desejoso de ler o próximo livro, que é, aliás, o último desta saga, e descobrir como é que as coisas vão acabar, afinal qual será o destino de algumas das personagens que acompanhamos nesta obra, e que mistérios ainda estão para nos ser ditos? Caso queiram saber mais sobre esta saga, basta seguirem o seguinte link: Crítica - Sangue do Assassino
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André