quarta-feira, 27 de junho de 2018

O Caminho das Mãos - Steven Erikson

   "NO IMPÉRIO MALAZANO, AS LENDAS ESTÃO PRESTES A NASCER… 
   Os exércitos do Apocalipse, liderados pela vidente Sha’ik, assolam o Império Malazano e uma guerra santa deixa um rasto de vítimas e destruição. A liderança militar escolhe um plano audacioso de evacuar os sobreviventes que restam para Aren, a única cidade no continente ainda sob controlo do Império. Por desertos e vastas desolações, milhares de refugiados não têm outra escolha senão participar no êxodo lendário conhecido como A Corrente de Cães.
   No outro lado do continente, uma conspiração está em curso para assassinar a Imperatriz Laseen, e não faltam protagonistas sedentos de vingança ou envolvidos em demandas secretas. Mal sabem eles que todos os caminhos estão inevitavelmente ligados ao Apocalipse que se liberta…"

   Boas Leitores!
   Finalmente já lemos a segunda metade do segundo livro da saga do Império Malazano. Este livro foi lançado à relativamente pouco tempo e em português. Relembro que esta obra é ainda pertencente ao segundo livro da edição original, visto que a edição portuguesa dividiu o segundo livro em dois.
   E gostava de começar pela consideração de dividir o livro em dois. Sinto-me dividido (tal como o livro, que piada). Após ter terminado o livro sinto que se tivesse lido tudo de seguida tinha aproveitado melhor a história. Desta forma li metade do livro em Dezembro do ano passado e só seis meses depois li o resto. Este tempo foi o suficiente para que quando recomeçasse o segundo livro tivesse aquele período de arranque onde tenho de me lembrar quem é quem e onde é que cada personagem ficou, isto é ainda mais agravado pelo facto da obra começar a meio de todas as ações, ficando ainda mais confuso para o leitor.
   Pondo isso de parte falemos do livro em si. Continua com grande parte das características da primeira metade. Descrições violentas e sangrentas não faltam. E antes que pensem que o livro é só isso, não é. E o certo é que estas descrições dão vida (e morte a várias personagens também) à escrita e tornam todo o cenário mais realista, como se o que estivesse em jogo fosse mesmo real.
   E isso reflecte-se também nas personagens. Não temos como não odiar algumas, tal como também não resistimos a torcer por outras. Steven Erikson guia-nos subtilmente pela sua obra puxando os fios certos para catalisar as nossas emoções.
   A escrita reflecte também um mundo complexo, tão complexo que quanto mais se lê, mais complexo fica. Enquanto os leitores pensam que com a leitura vem a compreensão, este autor diz que nem sempre. Se pensam que sabem tudo a respeito de algo daquele mundo, muito provavelmente vão ficar surpreendidos.
   É uma obra que apesar de ter sido marcada por confusão ao lê-la, é por certo uma obra de génio com uma escrita brilhante que produz tudo aquilo que um leitor quer: personagens realistas, um enredo realista e emoções. Caso queiram saber mais sobre o volume anterior desta obra, basta clicarem no seguinte link: Crítica - Os Portões da Casa dos Mortos
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Magi Vol. 3 - Shinobu Ohtaka

   "Aladdin finds himself among the Kouga tribe, who live deep in the desert far from Qishan. An emissary from the Kou Empire arrives offering peace, but when it turns out to be an offer they can't refuse, things take a turn for the worse. Aladdin learns more about the legend of the Magi and the Rukh, bird-like beings of light, with whom he appears to share a deep connection... "

   Boas Leitores!
   Voltámos a encontrar-nos com Magi a saga de trinta e seis volumes até agora dos quais os três primeiros já foram lidos (este é o terceiro, se não perceberam pelo pequeno três que tem na capa ahah).
   Este terceiro volume tem sentimentos mistos. Por um lado temos apenas a presença de um dos protagonistas, Aladdin, o que significa nada de desenvolvimento de mais nenhuma personagem. Por outro lado o desenvolvimento que ocorre do Aladdin é extenso e combina muito bem com o enredo.
   Comecemos então pelo desenvolvimento dos protagonistas. Este volume é totalmente dedicado a Aladdin, vê-mo-lo a interagir com uma tribo e um império (não quero spoilar mais do que isto) e isso leva a que ele perceba quem é e qual o seu objectivo no mundo. Esta parte dá também ao leitor um melhor entendimento do mundo, e cria também muitas outras questões.
   Todo este arco é quase como um spin-off, no sentido em que parece que não contribui em nada para o arco que era a junção de Aladdin e Alibaba. Excepto que os pequenos pormenores que vão aparecendo vão fazendo as conexões entre os vários arcos, como uma personagem de volumes anteriores estar conectado com a tribo, ou diferentes djinn aparecerem, mas saberem sempre quem é o companheiro de Aladdin.
   E se formos a comparar este volume com o anime continua igualzinho. Enquanto lia, lembrava-me perfeitamente das cenas que aconteciam e do impacto que causaram da primeira vez que as vi. O sentimento continua o mesmo, surpresa em certas partes e riso noutras que são menos sérias.
   Como disse anteriormente só foi pena não haver uma maior continuação quanto à junção do Aladdin com o Alibaba, sinto que o Alibaba foi meio esquecido, mas tenho sempre esperança que apareça no próximo volume. De qualquer das formas, o próximo volume será lido, porque estou ansioso por ele! Caso queiram saber mais sobre os volumes anteriores, basta seguirem o seguinte link: Crítica - Magi Vol.2
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Ancillary Justice - Ann Leckie

   "On a remote, icy planet, the soldier known as Breq is drawing closer to completing her quest. Once, she was the Justice of Toren- a colossal starship with an artificial intelligence linking thousands of soldiers in the service of the Radch, the empire that conquered the galaxy. Now, an act of treachery has ripped it all away, leaving her with one fragile human body, unanswered questions, and a burning desire for vengeance."

   Hello Readers!
   Mais uma semana e mais uma crítica, desta vez outra obra em inglês. Esta entrada é o início de mais uma trilogia, trilogia essa chamada Imperial Radch que conta com os seus três livros já publicados (em inglês) e que em Portugal nem sinal de haver alguma edição. Este livro conseguiu arrecadar também imensos prémios, nomeadamente o Nebula e o Hugo entre muitos outros.
   Agora quanto à minha opinião, será que merecia tantos prémios assim? Julgo que sim. Não sei bem qual era a competição no ano em que Ancillary Justice ganhou, mas o certo é que tem força suficiente sem ter de comparar com outras obras.
   Comecemos pela escrita, inovadora e que se estranha mas depois entranha, fazendo lembrar José de Saramago para quem conhece. Não que escrevam da mesma maneira, mas a figura estilística de utilizar sempre o género feminino para definir pessoas, com a justificação plausível foi ao início muito confuso, mas quanto mais se lê, mais o leitor se ambienta ao mecanismo, e acaba por cumprir um segundo objectivo, não sei se propositado ou não, que é o de fazer o leitor pensar e decidir por vezes por si mesmo qual o género das personagens com quem o protagonista fala.
   Outra parte importante foi a perspectiva da mesma personagem em vários sítios ao mesmo tempo, principalmente quando chega a cerca de metade do livro, há uma parte que mostra o quão complexo este livro é, e ao mesmo tempo, como é que essa complexidade é levada ao leitor de forma compreensível.
   Se formos ao enredo, teremos de considerar todas as ferramentas de escrita que a autora utilizou, as que referi acima e outras, com elas o enredo é algo bom e interessante, sem elas diria ser algo banal, uma história de vingança como já se viu antes. Mas desta vez a escrita conseguiu melhorar tudo até ficar num nível interessante e que por certo leva o leitor a querer saber mais de Brek.
   Foi decididamente uma leitura desafiante mas que valeu a pena e que só me leva a querer ler desta trilogia e desta autora.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Knife of Dreams - Robert Jordan

   "The Wheel of Time turns, and Robert Jordan gives us the eleventh volume of his extraordinary masterwork of fantasy. 
    The dead are walking, men die impossible deaths, and it seems as though reality itself has become unstable: All are signs of the imminence of Tarmon Gai'don, the Last Battle, when Rand al'Thor, the Dragon Reborn, must confront the Dark One as humanity's only hope. But Rand dares not fight until he possesses all the surviving seals on the Dark One's prison and has dealt with the Seanchan, who threaten to overrun all nations this side of the Aryth Ocean and increasingly seem too entrenched to be fought off. But his attempt to make a truce with the Seanchan is shadowed by treachery that may cost him everything. Now Rand, Perrin and Mat, Egwene and Elayne, Nynaeve and Lan, and even Loial, must ride those storm winds, or the Dark One will triumph."

   Boas Leitores!
   Na última opinião desta saga estava a dizer que estava a ler os volumes a um bom ritmo, um a cada quatro meses... Bem, isso não aconteceu com este. Dez meses depois, aqui está o décimo primeiro volume da saga Wheel of Time que conta com os seus catorze volumes, e este foi o último que foi escrito na sua totalidade por Robert Jordan, todos os seguintes tiveram mais ou menos a contribuição de Brandon Sanderson.
   E então como está este décimo primeiro volume? Bem melhor dos que os últimos dois que li. Se antes os enredos pareciam estar a ser arrastados um pouco, com pouquíssima coisa a acontecer durante dois terços do livro e depois no último terço uma catrefada de coisas aconteciam a todas as personagens, com este volume a acção é constante em toda a obra.
   Primeiro que tudo vemos alguns dos enredos secundários a serem fechados para começarem a abrir caminho para o desenlace final. O caso do Perrin e do Mat e até da Elayne. Estes três, apesar de interessantes, tinham estado numa espécie de letargia onde não acontecia grande coisa e não parecia contribuir assim tanto para o enredo principal. Agora que está terminado, grandes opções surgirão.
   Adorei, como já há muito tempo que não adorava, todo o enredo da Egwene. Antes gostava imenso do que se relacionava com ela, por estar em parte relacionado com Aes Sedai, mas agora sempre que ela aparecia (e foi pena ter sido tão pouco) a minha atenção estava completamente devotada a ela. Foi das melhores partes deste livro.
   Outra das grandes partes (e das mais chocantes) foi com Rand. Aqui foi também um dos únicos pontos negativos que tenho a dizer desta obra. Não havia o suficiente sobre Rand. Apesar da saga ser acerca de várias pessoas, Rand é o protagonista de tudo, no entanto parece não ter assim tanto protagonismo ultimamente. A sorte e que, quando tem, é estrondoso e de certeza que espanta todos. Mesmo assim, gostaria de ter visto Rand a interagir mais com a Torre Negra. Que quanto a este local só temos notícias no epílogo, no curto epílogo que fala um bocadinho da Torre Negra e nos deixa a pensar que poderá ter uma maior importância no próximo livro.
   Agora, se quero ler o próximo livro? SIM, de certeza! Pena não o ter já, porque é certo que grandes coisas vão acontecer a seguir! Caso queiram saber mais sobre os volumes anteriores, basta seguirem o link: Crítica - Crossroads of Twilight
   Boas Leituras... ;)
9/10

André