quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A Nuvem Púrpura - M. P. Shiel

  "Publicada originalmente em 1901, esta «obra-prima da literatura fantástica», como lhe chamou Lovecraft, segue a história de Adam Jeffson, membro de uma expedição árctica que se perde para regressar a um mundo devastado por uma estranha nuvem púrpura.
   Na descoberta deste horrendo mundo novo, o narrador procura uma nova fé e uma nova relação com Deus mas também a remissão de um pecado que não cometeu. Um romance que é ao mesmo tempo um notável romance de aventuras, o primeiro romance com preocupações ecológicas do século XX e uma dissertação brilhante sobre a difícil relação do ser humano com a culpa e a necessária expiação."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos com uma obra, a seu modo, invulgar. Publicada em 1901 é uma obra isolada e é bem capaz de ser uma das primeiras, se não mesmo a primeira, obra de fantasia do século.
   E começamos a opinião com uma questão já meio polémica. Essa questão gira à volta da fantasia contida nesta obra. O facto é que a fantasia não é uma presença constante nesta obra, vemos uma ou outra vez a menção à nuvem púrpura (que o autor explica de forma científica) e duas vozes que controlam o nosso protagonista. Se esperam uma obra do calibre I Am Legend ou algo do género, esqueçam e desistam já dessa ideia. Foi isso que me desiludiu na obra.
   Não apenas porque a fantasia parecia uma ferramenta descartável que o autor utilizava só quando lhe dava mais jeito e não propriamente para dar maior profundidade à obra, mas também porque o próprio protagonista não me agarrou de maneira nenhuma. Não só tinha reações desproporcionais como a certo ponto irrealistas. No início, apesar de aborrecido, o livro fazia algum sentido, depois tornou-se desproporcional e sem sentido.
   A cerca de 1/5 do final a obra começou a ganhar algum ímpeto. E aí vi o pouco potencial que poderia ter tido e que não foi aproveitado. Claro que ainda deu para algumas das reflexões que são mencionadas na sinopse, mas nada de profundo ou metafísico como a sinopse faz parecer.
   Podem pensar que se calhar estou a ser demasiado radical e não estou a considerar quando é que esta obra foi escrita. Mas não, mesmo tendo em conta que era uma época totalmente diferente (e que dá para perceber através da leitura desta obra, a escrita é muito mais floreada do que o costume) o certo é que a obra não é nada de extraordinário e muito menos uma obra-prima de literatura fantástica, como Lovecraft disse.
   Foi uma experiência em que grande parte do tempo quis atravessar o livro o mais rápido possível para poder ler algo diferente, o que diz muito do livro em si. Não o aconselhava, a não ser que tenham uma imensa curiosidade para ler algo que seja do início do século XX.
   Boas Leituras... ;)
3/10

André

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