quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Terrarium - João Barreiros e Luís Filipe Silva

   "Bem-vindos ao futuro e ao colapso de todas as utopias por nós sonhadas.
   Estamos a meio do novo milénio e a Fortaleza Europa acabou de vez. Bruxelas não é mais do que uma cratera radioactiva, as zonas costeiras foram alagadas pela subida das águas e a temperatura ambiente aqueceu até o clima ser quase tropical. Quem olhar para o alto, nos raros dias onde ainda se podem ver as estrelas, vai descobrir um anel gigantesco composto pelas carcaças das naves de exóticos migrantes.
   Mas isso não é o pior. A verdade é que entre esses exóticos que nos vieram pedir guarida, existem criaturas ainda mais monstruosas que resolveram transformar o planeta num lugar de consumo: num TERRARIUM, a bem dizer...
   Preparem-se para viver num mundo prestes a ser assimilado, para o bem ou para o mal, numa nova e efémera utopia... Agora só nos resta resistir."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos nós com mais uma obra de autores portugueses ou brasileiros, Terrarium é uma obra isolada e muitas vezes descrita como uma obra em mosaico. E esta obra de ficção-científica tem muito que lhe diga.
   Comecemos exactamente pela explicação do porquê uma obra em mosaico. Esta obra é uma colectânea de contos escritos por ambos os autores. Apesar de serem contos distintos, alguns deles publicados antes em revistas, quando lidos pela ordem desta obra formam uma imagem mais completa, como que uma história com um princípio, meio e fim. É quase como se cada conto fosse uma peça de um puzzle, e enquanto lemos vamos obtendo mais peças até que completamos a imagem e temos uma noção de todo aquele universo. Como se não bastasse os autores dão-nos até uma escolha: três finais distintos, onde o leitor pode ler os três finais e decidir-se por qual gosta mais. Algo pouco usual, mas que fez completo sentido ao ler a obra.
   No entanto, nem tudo é um mar de rosas nesta obra. No início desta leitura estava a gostar e a sentir como que uma aventura naquele universo. O primeiro contou foi lido num ápice, e o segundo e o terceiro. Até que chegou a um ponto que os contos começaram a ficar mais aborrecidos. Parte disso deveu-se à imensidão de personagens, cada conto alterava os protagonistas, e se no início isso era divertido, acabou por tornar-se saturante e confuso nos últimos contos. Se a obra fosse um pouco menor (talvez ao rondar as 350 ou 400 páginas) teria sido um bom compromisso, visto que terminaria no ápice do entusiasmo do leitor. E aliado a esta característica, uma melhor exploração dos finais alternativos seria a cereja no topo do bolo
   Continua a ser uma obra fantástica, e que orgulha ainda mais a língua portuguesa, que não se conhece assim tanto neste género, tem apenas uns pontos fracos que se devem à própria propriedade que lhe é fantástica, ser uma obra em mosaico. É um exemplo de literatura portuguesa a ler.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A Ascensão de Arcana - Rafael Loureiro

   "Neste segundo volume da Trilogia Nocturnus entramos uma vez mais num universo intenso de romance, aventura e emoções fortes. Passaram-se quase seis anos desde a derrota do tirano Alexandre Phoenix, Arcana floresce agora sob a regência de Janus MoonHunter. Mas, no seu íntimo, Daimon ouve ainda o sussurro que lhe segreda que algo está errado. Será que os 328 anos da sua existência estão a enlouquecê-lo lentamente? Um terrível acontecimento abate-se sobre os vampiros de Arcana: a Lei do Silêncio - «Não revelarás a tua verdadeira Natureza ao Homem» - é quebrada! A Daimon, Janus, Andrew, Lilia, Pandora e Ascelli juntam-se agora três outros vampiros, enviados a Arcana para ajudar a encontrar e punir aqueles que desafiaram quebrar a Lei. Mas também estes forasteiros guardam segredos, e estranhos acontecimentos levam Daimon a desconfiar que o culpado poderá estar mesmo a seu lado..."

   Boas leitores!
   Voltamos à trilogia de Rafael Loureiro, com o segundo volume, A Ascensão de Arcana. Esta trilogia está completamente publicada, em português pela Editorial Presença.
   Esta obra continua a história de Daimon. E embora o primeiro volume trouxesse uma sensação de reconhecimento (por serem vampiros, again) e ao mesmo tempo de novidade (pela sociedade ser ligeiramente diferente) que, em conjunto, alegravam um pouco a leitura, essa alegria foi perdida com o segundo volume.
   O enredo foi simplificado numa história de nem duzentas páginas, onde o mistério seria o foco principal, mas que saiu apenas uma aventura digna de filmes de domingo à tarde. Não houve qualquer suspense ou nervosismo ao ler. As personagens pareciam que passeavam pelos cenários a cumprir tarefas sem qualquer emoção que as identificasse com o leitor. E já que falamos em personagens, esse foi um ponto de desilusão também. Embora a obra seja pequena, era de esperar que, para que haja alguma ligação entre personagens e leitores, que as personagens evoluam, que cresçam num bom ou mau sentido, desde que haja mudanças nelas. Isso não aconteceu, aliás, para além do protagonista parece que mais nenhuma personagem existe naquele mundo, são todos bonecos ou fantoches sem qualquer personalidade.
   E parte disso deve-se a um factor muito importante: a escrita. A escrita do autor não evoluiu do primeiro para o segundo volume. À escrita simples e demasiado directa associada a uma primeira obra de um autor, pensei que fosse eventualmente haver uma evolução onde o autor fosse melhorando com a trilogia. Isso não aconteceu, este segundo volume continuou com uma escrita demasiado simples, recorrendo a apoios de escrita demasiado básicos, e se antes isso era desculpável num primeiro volume, deixou de o ser quando se chegou ao segundo. Ainda tenho esperança de que no terceiro e último volume, a escrita melhore, e com ela a história, mas para já terei de dar uma pausa a este autor e avançar com outras obras.
   É um livro que deixou muito a desejar, mas que felizmente não era grande e, portanto, foi lido num ápice. Veremos como o terceiro volume estará... Caso queiram saber mais sobre o primeiro volume, basta seguirem o link: Crítica - Memórias de um Vampiro
   Boas leituras... ;)
3/10

André

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Bakuman Vol.20 - Dreams and Reality - Tsugumi Ohba & Takeshi Obata

   "Average student Moritaka Mashiro enjoys drawing for fun. When his classmate and aspiring writer Akito Takagi discovers his talent, he begs Moritaka to team up with him as a manga-creating duo. But what exactly does it take to make it in the manga-publishing world?
   For ten years, two young men have worked as hard as they possibly could to make their manga dreams come true. Now, as they sit atop the manga world, can the promise made long ago finally be fulfilled?!"

   Hello readers!
   Bem, aqui está, o último volume da maratona que foram os vinte volumes de Bakuman. Com vários altos e baixos, tenho que afirmar que este volume foi uma boa cereja no topo do bolo. Este volume tem os oito capítulos finais desta história.
   Foi de forma surpreendente que os últimos capítulos de Bakuman trouxeram nervosismo e emoção até mim. Mesmo já tendo visto a série animada, e, como tal, saber o que iria acontecer, ler este volume foi como se não soubesse de nada. Não por ser diferente, mas pela maneira como foi desenhado e escrito, o suspense que os autores criam atinge os leitores de maneira certa. Os primeiros capítulos deste volume foram lidos num ápice, a acção do arco não permitia de outra forma, não pelo menos até conseguirmos saber quem sairia vencedora do concurso (mesmo toda a gente sabendo quem é que acabaria por ser a vencedora, o que só demonstra a qualidade de escrita e desenho dos autores). Imagino que num cenário onde leria estes capítulos semanalmente, como eles saíram no Japão, ao ver estes capítulos não teria ideia que a história estaria a acabar, como tal, o resultado seria imprevisível para mim, tal como foi várias vezes ao longo do enredo.
   Como seria de adivinhar, este foi o volume com maior romance, o que em si é uma pena e uma bênção. Uma pena visto que este romance é o catalisador de toda a história, e seria interessante ter um maior input disso ao longo do enredo. Por outro lado, foi uma bênção ter este romance agora para podermos dar um ponto final de forma feliz.
   Quanto à minha opinião overall da saga, acredito que possa ser polarizante. Por um lado é uma série que sabemos desde o início qual será o seu fim, como tal, não haverá surpresas finais, nem mistério. No entanto, o que conta nesta história não é o seu final, mas sim o percurso. Saber as engrenagens da publicação de mangás, e ver jovens a concretizar os seus sonhos, é disso que esta saga se trata, e quanto a esses objectivos, posso dizer que foram cumpridos. O último volume fez questão de nos dar a cereja no topo do bolo que fomos vendo a ser cozinhado ao longo de todo este tempo.
   Caso queiram saber da minha opinião aos outros volumes, porque nem todos foram bons, foi uma viagem de altos e baixos, basta seguirem os links: Crítica - Bakuman Vol.19 - Decision and Delight
   Boas Leituras... ;)
9/10

André

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Os Portões da Casa dos Mortos - Steven Erikson

   "O Império Malazano é abalado por uma purga da nobreza onde muitos aristocratas são traídos e desterrados para as minas. Enquanto isso, no Sagrado Deserto Raraku, a Vidente Sha'ik e os seus seguidores aguardam o líder prometido de uma rebelião há muito profetizada.
   Perante esta insurreição brutal, as forças malazanas terão de recorrer a um plano de evacuação desesperado e audaz para salvar os refugiados imperiais. De uma dimensão e selvajaria nunca antes vistas, este pico de fanatismo e sede de vingança irá mergulhar o Império Malazano num conflito sanguinário onde as hipóteses de sobrevivência não estão ao alcance de todos."

   Boas Leitores!
   Voltamos às obras estrangeiras. E desta vez é mais uma obra de Steven Erikson, o seguimento da saga O Império Malazano este livro é a primeira metade do segundo livro original.
   E que pena ser apenas a primeira metade, pois o certo foi que ao acabá-lo queria pegar imediatamente no próximo. Mas ainda tenho de esperar algum tempo, que a outra metade ainda não está publicada em português (mas está em processo!).
   Se bem se lembram, a obra anterior tinha sido um pouco confusa de início devido a todos os nomes diferentes de personagens, raças, locais, magias e toda uma outra panóplia de coisas. Este não mudou muito nesse aspecto. O início foi caótico, com uma catrefada de nomes atirados ao leitor. Mas não que isso seja mau, o leitor é atirado para um mundo que desconhece (ou que tem apenas um ligeiro contacto com a primeira obra) é normal nem tudo fazer sentido. Por boa escolha, esta obra tem algumas personagens do primeiro livro, criando assim uma ponte entre os dois onde o leitor pode descansar e sentir-se seguro de que não está à deriva das páginas.
   E assim aconteceu, antes que desse por isso estava agarrado às personagens que não tinha conhecido antes, a querer saber o que fariam. Antes até me poderiam ser personagens indiferentes, mas o certo foi que a escrita do autor conseguiu atirar gavinhas na minha direcção e prender-me àquelas que não dava muita atenção. Outro pormenor na escrita, que consegui perceber só no final, foi que a minha opinião mudava ao longo da obra, tanto gostava de certa personagem, como passei a ter um ódio de estimação por ela, contudo, havia momentos que poderia torcer por essa personagem ainda. Isto é um traço de um grande escritor!
   Quanto ao enredo, é uma história que não falta de grim dark no seu género. Sanguinária às vezes, com descrições detalhas que dão ainda mais intensidade à história, este género carrega a loucura e tensão que os continentes onde esta obra se passa estão a sentir. O único defeito foi ter acabado a meio, ainda por cima quando estava no climáx da acção. Poderia ter lido a outra metade num outro instante.
   Como já disse, e repito, estou desejoso de ler a segunda parte, e experimentar mais da escrita deste autor fantástico. Caso queiram saber sobre o primeiro livro da saga, basta seguirem o link: Crítica - Os Jardins da Lua
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André