quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Anjo Branco - José Rodrigues dos Santos

   "A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo.
   O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
   No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda do mato.
   Chamam-lhe o Anjo Branco.
   Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.
   Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens dignas de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África."

   Boas Leitores!
   E aqui estamos mais uma vez com José Rodrigues dos Santos, ou neste caso, com uma obra dele. Como todas as outras obras, esta é mais uma obra isolada, que não necessita de leitura prévia ou posterior para poder entender-se tudo. Contudo, caso estejam interessados, existem pequenos pormenores da obra A Vida num Sopro que interagem com a obra que estamos a opinar aqui. Não é, de todo, uma leitura necessária para que se consiga entender a obra O Anjo Branco.
   Este livro versa sobre o Ultramar, caso não tenham entendido isso pela sinopse, e sobre como essa guerra alterou muito o estado dos países de África. Temos uma perspectiva muito boa escrita pelo autor, tanto de como Portugal vê as colónias, num tom depreciativo e racista, mas também de como tenta fazer-se por vezes o melhor para eliminar essas diferenças e distâncias raciais. Escrito numa típica escrita simples do autor, este livro de mais de 600 páginas lê-se rapidamente.
   A obra teve um modus operandi semelhante à última obra que li dele, onde vemos no início do livro o nascimento e crescimento duma criança que eventualmente dá origem ao protagonista da história. Desta vez o segundo protagonista foi só introduzido depois do crescimento da primeira, quase como se o ápice do primeiro protagonista fosse o início do segundo, apesar de eles não entrarem em contacto até muito depois no livro.
   Tirando estas duas personagens achei que o resto delas tinha pouco material onde se agarrar. Esperava que Mimicas, umas das personagens femininas fosse ter uma maior importância, que não teve, tal como Sheila, ambas com finais repentinos. Não sei se foi de propósito, querendo mostrar o facto de que naquela altura, em Portugal, o papel feminino quase não existia e o mundo era governado apenas por homens.
   O enredo foi por certo interessante. A parte final do livro, apesar de um pouco apressada, criou emoções fortes e vontade de ler tudo num ápice. Se tivesse sido um pouco mais prolongada, principalmente nos efeitos pós-"terrível segredo", acho que ficaria ainda melhor, teríamos um final conclusivo, em vez de algo que ficasse um pouco em aberto, principalmente quanto às relações entre personagens.
   É, contudo, uma grande obra. Para aqueles que têm interesse no Ultramar, esta é a obra a ler. Outros factores como romance ou intriga, o autor tem melhores livros para isso.
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

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