quarta-feira, 28 de junho de 2017

Flowers for Algernon - Daniel Keyes

   "Charlie Gordon, IQ 68, is a floor sweeper, and the gentle butt of everyone's jokes, until an experiment in the enhancement of human intelligence turns him into a genius. But then Algernon, the mouse whose triumphal experimental transformation preceded his, fades and dies, and Charlie has to face the possibility that his salvation was only temporary."

   Hey readers!
   Para variar um pouco, agora vamos opinar sobre um livro em inglês. Flowers for Algernon é uma obra isolada (nada de trilogias, sagas ou continuações malucas), que ganhou não só o Prémio Nébula para melhor romance, como também o Prémio Hugo para melhor conto. E bem merece esses prémios!
   Escrito de uma forma brilhante, num formato de entradas dum relatório ou diário, onde o leitor percebe perfeitamente como é o protagonista desta história, essa mesma escrita vai sendo alterada à medida que o enredo avança, acompanhando assim o desenvolver da personagem principal. A estratégia agarra quase de forma imediata quem lê e cria aquele elo emocional entre o leitor e o protagonista, onde sentimos parte do que ele sente.
   O enredo pode não ser dos mais complexos que andam por aí, é até bastante simples. Mas acho que é por essa mesma simplicidade que o livro ganhou mais pontos. É uma história simples, um rapaz que quer ser mais inteligente para que todos à sua volta possam orgulhar-se dele. E o que acontece quando ele assim se torna, não só com ele mesmo, mas também o que acontece com as pessoas à sua volta.
   Achei que fosse também um bom livro de alerta para pessoas que sofrem do mesmo e são alvo de muitos dos actos que acontecem ao longo do livro. Sem qualquer dúvida que vale a pena ler esta obra.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 21 de junho de 2017

As Garras da Águia - Simon Scarrow

   "No terrível Inverno de 44 D.C., vinte mil legionários estacionados na Britânia aguardam impacientemente que a Primavera chegue para retomarem a conquista da ilha. A resistência bretã está cada vez mais aguerrida e os nativos não perdem uma oportunidade de minar os esforços da poderosa Roma. Quando os mais selvagens resistentes, os druídas da Lua Negra, capturam a mulher e os filhos do General Aulo Pláucio, é necessário recorrer a uma medida drástica: dois voluntários da Segunda Legião que se infiltrem em território inimigo numa tentativa desesperada de resgatarem os prisioneiros. Essa sorte cabe ao centurião Macro e ao jovem Cato. Na calada da noite, abandonam o acampamento com a missão de encontrarem a família do general antes que seja sacrificada aos deuses negros dos druídas. Os dois homens sabem que se encaminham para uma morte quase certa. E a sua única esperança é que, com coragem e engenho, possam ludribiar os inimigos mais selvagens e cruéis que alguma vez combateram."

   Boas Leitores!
   Estamos de volta com mais uma opinião, da mesma editora que o último livro lido, mas desta vez é a continuação da saga Águia. Sim, estamos no 3º volume (de cerca de 13), estamos a bom ritmo (muito melhor do que outras sagas da mesma editora).
   Comparemos primeiro com os dois primeiros volumes: melhor do que o anterior, de certeza, ao menos este não teve a imensidão de batalhas que a obra anterior teve, acabando por não criar intensidade nenhuma. Apesar de, mesmo assim, haver demasiadas batalhas para um único livro, ao menos estas não foram tão repetidas e tiveram mais lógica. As descrições mais sangrentas foram os pontos altos na área de descrições, mas essas mesmas caracterizações não se encontravam em batalhas muitas vezes.
   O enredo nesta também mudou ligeiramente, ainda tivemos o enredo principal de conquista da Grã-Bretanha, mas ao menos tivemos uma mudança de ares quanto aos inimigos que os romanos batalhavam. E essa parte tenho de atribuir alguns pontos, até agora sempre tinha lido livros onde os druídas eram os bons da história e os romanos com as suas religiões que vinham impor nas tribos eram os maus da fita. Mas este autor fez trocar os papeis, e o certo é que foi estranho no início e passado um pouco percebi que até teve a sua qualidade.
   Quanto a personagens, foi uma mistura de bom e mau. Houve desenvolvimento duma personagem, ou pelo menos, começámos a conhecer melhor uma das personagens, enquanto que a outra, quanto a psique, foi como se estivesse em estado letárgico, não variou nada.
   Resumindo e concluindo, este volume está entre o primeiro e o segundo no que toca a qualidade, um pouco mais perto do primeiro do que o segundo. Veremos se a qualidade melhora aos poucos e poucos. Caso queiram saber mais sobre a saga (e os volumes que já opinei anteriormente), basta seguirem os links: Crítica - O Voo da Águia
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Os Despojados - Ursula K. Le Guin

   "Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
   Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
   Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?"

   Boas Leitores!
   E aqui temos uma opinião surpresa! Os Despojados, obra recente da editora Saída de Emergência, de Ursula K. Le Guin. Esta obra venceu os prémios Hugo e Nebula, os melhores prémios para fantasia e ficção científica, o que já dá algumas dicas de quão bom é. Este é considerado o primeiro volume do chamado Ciclo Hainish que consiste em dez livros se não estou enganado.
   E após ter lido o primeiro... Onde é que anda o segundo? Quero lê-lo imediatamente! Os Despojados é uma obra brilhante, cheia de inteligência e cultura. Cansados dum enredo típico de ficção científica ou fantasia? Esta obra não é dessas, com um enredo diferente, onde os capítulos são alternados entre o presente e o passado que levou ao presente, a obra não nos cansa, pois está constantemente a levar o leitor para mundos literalmente diferentes.
   O desenvolvimento do protagonista é também dos melhores que já vi. É como se tivesse duas personagens diferentes conforme o planeta onde está, mas no fundo o do passado acaba por transformar-se no do presente e o do presente em algo mais. E o leitor acompanha ambas as transformações, sentimos como que uma ligação especial com Shevek, por vermos o quanto ele faz e o quanto as perspectivas dele mudam conforme o avançar do tempo.
   E se estão a pensar "este livro parece ser demasiado inteligente para mim.", estão completamente errados! O único critério é gostar de ficção científica, de resto vão entender tão bem os diversos assuntos que a autora aborda quanto qualquer outra pessoa. Até acho que se lerem mais do que uma vez vão perceber novas coisas.
   É um livro que aconselho vivamente a lerem. Até a capa fez imenso sentido para mim quando comecei a ler. No início só pensei "eh esta capa não me chama muito a atenção." Mas após ler o livro FAZ TODO O SENTIDO. Estão com medo de começar uma colecção tão grande? Não tenham, esperem que seja tão boa quanto esta primeira obra!
   Boas Leituras... ;)
9/10

André