sábado, 30 de julho de 2016

Guerra e Paz - Livro III - Lev Tolstói

   "Uma obra verdadeiramente monumental, justamente considerada património universal, descreve as guerras movidas por Napoleão contra as principais monarquias da Europa, dissecando as origens e as consequências dos conflitos e, principalmente, expondo as pessoas e suas vulnerabilidades com uma aguda percepção psicológica. Mais particularmente, o enredo deste romance decorre durante a campanha de Napoleão na Áustria, e descreve a invasão da Rússia pelo exército francês e a sua retirada, compreendendo o período de 1805 a 1820. A partir deste fundo histórico e épico onde se movem mais de 550 personagens, além dos elementos das famílias aristocráticas principais, Tolstói visou criar um retrato realista da sociedade russa de inícios do século XIX, denunciando o preconceito e a hipocrisia da nobreza, ao lado da vida sofrida dos soldados e dos servos. Este quadro presta-se ainda a expor as ideias do autor sobre o sentido da vida e a desenvolver as suas reflexões filosóficas em favor de uma sociedade mais justa e fraterna. Através da sua escrita, sentimos que é o próprio Tolstói que se debate com as suas contradições interiores, que haveriam mais tarde de o levar a procurar na espiritualidade uma resposta aos seus anseios mais profundos. O seu legado literário figura a par do de outros escritores russos do século XIX entre os quais se destacam Dostoiévski, Pushkin, Turgueniev e Tchekov. A presente obra - publicada em quatro volumes - foi traduzida diretamente do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra que, pela excecional qualidade do seu trabalho, venceram o Grande Prémio de Tradução Literária APT/Pen Clube Português."

   Boas Leitores!
   Aqui estamos nós, a avançar no terceiro de quatro livros em que esta edição da obra Guerra e Paz foi dividida.

   O livro anterior focava-se mais na intriga de corte e como é que as pessoas interagem umas com as outras. Já este versou na invasão de Napoleão e os seus exércitos ao território russo. O autor deu-nos ambas as perspectivas, quer de várias personagens russas que os leitores já conheciam, quer do exército francês.
   Algo ainda melhor foi os capítulos em que não havia uma perspectiva de alguma personagem mas sim do autor e de como é que as guerras acontecem, o que as causa ou quais são os factores que acabam por causar os incidentes posteriores. Estes capítulos eram algo que não só esclarecia a situação do momento (uma vez até com uma ilustração da disposição das tropas) como também faziam o leitor questionar-se sobre vários assuntos.
   O desenvolvimento das personagens continua refinado. O autor consegue pegar em meia dúzia de personagens e desenvolvê-las e fazê-las passar por todas as transformações mas continuando a ser coerente, não só com a história mas também com a própria personagem, algo que falta a alguns autores.
   Acho que o único ponto negativo a apontar são as grandes descrições, que por vezes conseguem aniquilar o interesse do leitor e cansá-lo. Não fosse isso e a confusão de falas noutras línguas que fazem com que a concentração da leitura se perca para ir ver no rodapé as traduções, e acho que o livro seria muito melhor. Não que as falas estrangeiras não sejam boas, acho que adiciona em parte uma camada de complexidade que fica bem, mas naquelas partes onde há imensas dessas falas acaba por criar uma certa confusão.
   Este volume consegue manter a qualidade do anterior, agora só falta é saber se o último vai fazer jus a estes dois. Caso estejam curiosos quanto a opinião do livro anterior basta clicarem aqui: Crítica - Guerra e Paz - Livro II
   Boas Leituras... ;)
7.5/10

André

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