terça-feira, 24 de maio de 2016

1984 - George Orwell

   "Segundo Orwell, 1984 é uma sátira, onde aliás se detecta inspiração swifteana. De aparência naturalista, trata das realidades e do terror do poder político, não apenas num determinado país, mas no mundo — num mundo uniformizado. Foi escrito como um ataque a todos os factores que na sociedade moderna podem conduzir a uma vida de privação e embrutecimento, não pretendendo ser a «profecia» de coisa nenhuma.
   1984 oferece hoje uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas. A electrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. O Big Brother já não é uma figura de estilo - converteu-se numa vulgaridade quotidiana."

   Boas Leitores!
   Já faltava um pouco de cultura neste blogue, e aqui está ela! Um grande livro famoso pelo mundo pela sua grande sátira.
   É um livro excelente e uma lufada de ar fresco do que tenho lido ultimamente. Não que as últimas leituras sejam sempre horríveis, mas o estilo deste autor é completamente diferente. Começarei por falar no enredo em si, e não na parte satírica à sociedade. Só o enredo é muito bom e prende o leitor numa questão de pouquíssimas páginas. E se esperam ser uma daquelas histórias bonitas com princípio, meio e fim em que se percebe tudo e consegue-se dar um fim à história, esqueçam, esta obra não é para vocês. É o que chamo uma obra realista que dá um pedaço daquele mundo aos leitores, mas não dá tudo de mão-beijada. Várias coisas são percebidas ao longo do livro, e outras não são percebidas de todo, o que só dá uma maior sensação de realidade à história, que é o que se pretende.
   Quanto à parte satírica é ainda melhor. Talvez algum estrato social ou estrato político não goste muito desta obra, no entanto, garanto que a maior parte gostará por ver reflectidas um sem número de pormenores que de certa forma seriam "caricaturas" do mundo do escritor, que na actualidade se tornaram reais, o que só prova que, de certa forma, George Orwell foi um profeta da sociedade.
   As personagens, principalmente o protagonista, estão muito bem caracterizados e a ligação que se cria é firme o suficiente para sentirmos as mesmas emoções que as personagens. Alegria, esperança, tristeza, traição, apatia, tudo é passado para este lado.
   Até a língua criada pelo autor foi inteligente de maneiras surpreendentes (e tenho de dar os parabéns aos tradutores por manterem o sentido disto, que aposto que foi difícil) e que fazia todo o sentido na história.
   Fiquei extremamente agradado por este autor, e que me lembre não há grande coisa a dizer de pontos negativos. Estou curioso para ler mais livros dele, como A Quinta dos Animais. Quem sabe não vá comprar na Feira do Livro de Lisboa?
   Boas Leituras... ;)
10/10

André

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